Celebrado nesta quinta-feira (5/2), o Dia Nacional da Mamografia reforça a importância de um exame fundamental para a detecção precoce do câncer de mama, uma das doenças que mais mata mulheres no Brasil. Apesar dos avanços tecnológicos e da ampliação da faixa etária indicada para o rastreamento, especialistas alertam que a adesão ao exame ainda está muito abaixo do ideal.
De acordo com avaliação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) Regional São Paulo, o novo cenário amplia um desafio já conhecido: a baixa procura pela mamografia. Atualmente, apenas cerca de 30% das mulheres que fazem parte do público-alvo realizam o exame conforme a recomendação médica. Com a inclusão de mais mulheres na faixa etária indicada, esse número tende a crescer.
O Estado de São Paulo concentra o maior número de mamógrafos do país. São 1.523 equipamentos instalados, sendo 647 em funcionamento na rede pública. Ainda assim, muitos aparelhos operam abaixo da capacidade, o que indica que o problema não está na falta de estrutura, mas na dificuldade de acesso à informação e na adesão ao rastreamento regular, especialmente entre usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), do qual dependem cerca de 60% da população paulista.
Entre os principais fatores que afastam as mulheres do exame estão o medo do diagnóstico, inseguranças em relação ao procedimento, desinformação e falhas na orientação ao longo do acompanhamento em saúde.
Detecção precoce salva vidas
A mamografia é um exame de imagem capaz de identificar alterações muito pequenas nas mamas, muitas vezes antes do surgimento de qualquer sintoma ou nódulo palpável. Segundo a médica Luciana Tajara, especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem, do Ultra-X, em Rio Preto, esse é um dos principais diferenciais do exame.
“A mamografia permite detectar lesões em estágios iniciais, quando as chances de cura são significativamente maiores. Manter o exame em dia é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade por câncer de mama”, orienta.
O exame pode identificar nódulos, microcalcificações, distorções da arquitetura mamária e outras alterações suspeitas que, na maioria das vezes, ainda não são perceptíveis ao toque.
Quem deve fazer e com que frequência
De forma geral, a mamografia é indicada para mulheres a partir dos 40 anos, com realização anual. Em situações específicas, como histórico familiar de câncer de mama ou outros fatores de risco, o exame pode ser recomendado mais cedo, sempre com avaliação médica individualizada.
Na clínica onde a médica atua, são realizados mensalmente centenas de exames de mamografia. Segundo ela, a combinação entre tecnologia (como a mamografia 3D) e a experiência da equipe contribui para diagnósticos mais precisos e rápidos.
“O volume de exames, aliado à análise cuidadosa das imagens, faz diferença na qualidade do diagnóstico”, destaca.
Manter o exame em dia pode fazer toda a diferença no diagnóstico precoce e na chance de cura.