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Entre fé e orações, devotos de Rio Preto encontram acolhimento na Padroeira

No Dia de Nossa Senhora Aparecida, fiéis de Rio Preto contam como a devoção à santa se tornou fonte de conforto, esperança e gratidão após enfrentarem graves problemas de saúde

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Arquivo pessoal cedido ao Gazeta de Rio Preto
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O Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado nesta segunda-feira, dia 12 de outubro, é uma data de fé para milhões de brasileiros. Em Rio Preto, a devoção à Padroeira do Brasil ganha significado particular na história de pessoas que encontram na oração uma forma de enfrentar momentos difíceis, agradecer pela vida e renovar a esperança.

O Santuário Nacional de Aparecida recebeu mais de 10,4 milhões de visitantes em 2025, volume 15% superior ao registrado em 2024. Para as celebrações da Festa da Padroeira deste ano, a previsão é reunir mais de 500 mil fiéis na Basílica, na cidade de Aparecida, na região do Vale do Paraíba, a cerca de 170 km da capital paulista.

Para o vendedor Renan Fernandes Basconi, de 37 anos, a aproximação com Nossa Senhora Aparecida começou em 2022, durante o 5º Acampamento Sênior da Paróquia Menino Jesus de Praga. A devoção de seu mentor e amigo, Marcelinho Dóro, chamou sua atenção e despertou nele um sentimento que, desde então, passou a fazer parte de sua rotina.

“Meu líder é muito devoto a Nossa Senhora Aparecida, e sua fé é linda. O amor dele pela Mãe Aparecida e seu exemplo me fizeram também sentir esse amor por ela”, conta Renan.

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A relação com a santa não depende de ocasiões especiais. No quarto, a imagem fica sobre o criado-mudo, ao lado da cama. É ali que Renan faz suas orações ao acordar e antes de dormir. Quando precisa de conforto, transforma a conversa com Nossa Senhora em um momento de acolhimento.

“Quando estou precisando de um colo de mãe, converso com ela para me confortar e sentir o seu amor e carinho por mim”, afirma.

Uma oração em meio ao medo

A fé ganhou um significado ainda mais profundo em 2020, no início da pandemia de Covid-19. Durante a madrugada, Renan passou mal após um episódio de refluxo. Ao tossir, rompeu uma artéria entre as costelas e sofreu uma hemorragia interna.

Ele precisou permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) enquanto os médicos avaliavam como conter o sangramento. Em meio à incerteza, fez uma oração pedindo para sobreviver. Na sequência, passou por um procedimento de cauterização da artéria, que conseguiu estancar a hemorragia.

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Renan considera ter vivido um milagre e atribui a recuperação à proteção divina e à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. “Sempre agradeço a Deus e Nossa Senhora Aparecida por esse livramento”, diz.

Sempre que tem oportunidade, ele também visita o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), para agradecer pela própria vida e pela saúde de familiares e amigos. Para Renan, a santa representa o amor. A quem se sente sozinho ou sem direção, ele aconselha recorrer à intercessão de Nossa Senhora, pedir proteção e não se esquecer de agradecer.

“Nossa Senhora Aparecida representa amor. Se você se sentir sozinho, peça intercessão a Ela, proteção e livramento, e agradeça a Mãe de Deus sempre”, ressalta.

33 anos de devoção e um encontro na UTI

A história de Renan se cruza com a de Marcelinho Dóro, de 49 anos, representante comercial que cultiva a devoção a Nossa Senhora Aparecida há 33 anos. Foi justamente o exemplo de fé dele que ajudou a aproximar Renan da santa.

Para Marcelinho, essa relação se fortalece com o passar do tempo. Ele acredita que a intercessão de Nossa Senhora o ajuda a seguir em frente com perseverança, especialmente diante das dificuldades.

“Ela me torna, a cada dia, mais forte, mais perseverante e ajuda, intercedendo junto a seu filho Jesus, para que eu mantenha sempre a minha fé”, afirma.

A devoção também está presente em seu trabalho na comunidade. Marcelinho participa do Acampamento desde 2017, integra os Vicentinos desde 2016 e atualmente é coordenador de eventos na Paróquia Menino Jesus de Praga.

Uma das experiências mais marcantes de sua vida aconteceu em 2021, quando contraiu Covid-19 e precisou ficar 21 dias internado, dos quais 14 na UTI. Durante o período, enfrentou a gravidade da doença e viveu uma experiência espiritual que guarda na memória.

“Eu tive um encontro com ela, que me disse: ‘Filho, confia que estou contigo’”, relata.

Marcelinho conta que, durante os 14 dias em que permaneceu na UTI, foi o único paciente da ala em que estava que não precisou ser intubado. Ele atribui esse desfecho à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, sem deixar de reconhecer o trabalho dos profissionais de saúde que o atenderam.

“Tenho certeza de que foi graças à intercessão de Nossa Senhora e dos profissionais que ali estavam”, afirma.

Amor que não depende de pedidos

Para Marcelinho, a devoção não se resume a pedir ajuda nos momentos de sofrimento. O vínculo com Nossa Senhora está relacionado ao amor maternal que, segundo ele, fortalece a fé e aproxima os devotos de Jesus.

Ele também faz questão de diferenciar a veneração à imagem da adoração religiosa. Para o representante comercial, a imagem remete à lembrança de Nossa Senhora e à fidelidade a Cristo, enquanto a devoção expressa um amor que não depende de recompensas.

“Não amamos por ter algo em troca. Amamos porque ela nos ama. Ela não necessita desse amor, e sim nós”, diz.

A quem atravessa períodos de desânimo ou perde a esperança, Marcelinho aconselha não desistir e recorrer à intercessão da santa. Para ele, a fé pode ser um apoio para enfrentar as dificuldades, mesmo quando não há respostas imediatas.

“Nunca adoramos a imagem dela, apenas veneramos a imagem, que nos remete a esse amor, a essa lembrança de fidelidade a Cristo”, acrescenta.

A devoção à Padroeira do Brasil

Para o padre Fábio Dungue, que está à frente da Basílica Menor de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Rio Preto, Nossa Senhora Aparecida representa a presença materna de Maria entre as pessoas mais simples e pobres. Segundo ele, a Padroeira do Brasil simboliza acolhimento, amor e cuidado, valores que ajudam a explicar a relação de fé construída por tantos devotos.

“Ela representa a mãe de Jesus, que se faz presente no meio do povo simples, do povo pobre. Ela é aquela que ama e acolhe, representando para nós, católicos, a mãe do Senhor”, afirma.

O sacerdote também explica por que Nossa Senhora é chamada de advogada. A expressão está relacionada ao episódio das bodas de Caná, narrado no Evangelho, quando Maria intercede junto a Jesus durante uma festa de casamento. Para o padre, essa passagem ajuda a compreender o papel atribuído à santa na tradição católica.

“Isso é embasado no evangelho das bodas de Caná, quando os noivos pedem e ela intercede ao filho. O advogado é aquele que defende, intercede e tenta encontrar a solução. Chamamos ela de advogada porque é aquela que intercede por nós junto a seu filho”, explica.

A aproximação com Nossa Senhora, segundo o padre Fábio, pode começar pelo reconhecimento do vínculo materno atribuído a Maria. Para quem ainda não tem devoção, ele sugere enxergá-la como uma mãe a quem se pode recorrer em busca de cuidado e acolhimento.

“É simples. É olhar Maria com esse olhar de filho que precisa da mãe, que necessita do cuidado e do amor materno. Olhando a Virgem Maria assim, sentimos vontade de estar perto dela e pedir sua intercessão”, diz.

Em São José do Rio Preto, o sacerdote destaca a participação dos fiéis nas celebrações religiosas e as visitas de pessoas que vêm de outras cidades para manifestar sua fé. Ele avalia que a devoção faz parte da realidade religiosa do município.

“Rio Preto é uma cidade muito católica, graças a Deus. O povo rio-pretense tem visitado a basílica, com missas lotadas nestes dias e a participação de devotos que vêm de longe para vir aos pés de Nossa Senhora. Que ela interceda sempre por todos nós”, conclui.

A reprodução, integral ou parcial, desta reportagem não está autorizada sem o consentimento prévio e expresso da autora e do jornal Gazeta de Rio Preto. O conteúdo é protegido pela legislação de direitos autorais, e sua cópia, publicação ou divulgação sem autorização poderá resultar na adoção das medidas legais cabíveis, conforme a legislação vigente.

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