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Morre Lindomar Castilho, o ‘Rei do Bolero’, aos 85 anos

Afastado da música, cantor vivia de forma reservada em Goiás

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O cantor Lindomar Castilho, um dos artistas mais populares da música romântica brasileira nas décadas de 1960 e 1970, morreu aos 85 anos neste sábado (20). A morte foi confirmada pela filha, Lili de Grammont, por meio de publicação nas redes sociais. A causa não foi divulgada.

Apelidado de “Rei do Bolero”, Lindomar foi um dos maiores vendedores de discos do país, com um repertório marcado por interpretações dramáticas de boleros e sambas-canção. Entre seus maiores sucessos estão “Vou Rifar Meu Coração” e “Você É Doida Demais”, canção que voltou a ganhar popularidade ao ser usada como tema de abertura da série Os Normais, da TV Globo, no início dos anos 2000.

Nascido em 21 de janeiro de 1940, em Rio Verde (GO), Lindomar chegou a cursar Direito e trabalhou como escrivão de polícia antes de seguir carreira artística. Lançou o primeiro LP em 1962 e consolidou-se nacionalmente nos anos seguintes, tornando-se figura frequente nas rádios e programas de auditório.

Apesar do sucesso, sua trajetória foi profundamente marcada por um crime de grande repercussão. Em 1981, Lindomar assassinou a tiros a então esposa, a cantora Eliane de Grammont, durante uma apresentação em São Paulo. Condenado a 12 anos de prisão, cumpriu parte da pena e obteve liberdade definitiva em 1996. O caso chocou o país e se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica, inspirando o lema “quem ama não mata” e ações institucionais em defesa das mulheres.

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Em publicação sobre a morte do pai, Lili de Grammont fez um relato crítico e reflexivo, destacando que o crime marcou de forma irreversível a família e reforçando a importância do enfrentamento à violência contra a mulher.

Após deixar a prisão, Lindomar chegou a retornar à música, lançando um álbum ao vivo em 2000, mas não retomou a projeção de outrora. Com problemas de saúde, incluindo limitações vocais, afastou-se progressivamente da vida artística e passou a viver de forma reservada em Goiânia.

Lindomar Castilho deixa um legado musical de enorme popularidade, ao mesmo tempo em que sua história permanece associada a um dos episódios mais emblemáticos da violência doméstica no Brasil.

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