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Morre Netinho, ícone do axé music, aos 60 anos

Cantor de sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, artista marcou gerações com sua trajetória na música baiana

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Reprodução/ Redes Sociais
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O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13/10), aos 60 anos, em um hospital de Salvador, na Bahia. Um dos nomes conhecidos do axé music, ele enfrentava havia mais de um ano um câncer no sistema linfático. Nos últimos meses, o quadro evoluiu para falência renal e comprometimento de múltiplos órgãos, segundo informações divulgadas pela assessoria do artista.

Atendendo a um desejo do cantor, o velório e a cremação serão realizados em cerimônia privada, restrita a familiares e amigos próximos.

Dono de uma trajetória marcante na música brasileira, Netinho conquistou o público com canções que atravessaram gerações, como “Beijo na Boca”, “Fim de Semana” e “Milla”, considerada um dos grandes símbolos do axé. Com apresentações no Brasil e no exterior, ele ajudou a ampliar o alcance do gênero musical baiano.

Da música baiana ao sucesso nacional

Nascido em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho se mudou com a família para Salvador quando tinha dez anos. O contato com a música começou ainda na infância. Aos 14, ganhou o primeiro violão da mãe e passou a se dedicar cada vez mais à atividade artística.

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Aos 16 anos, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal). Na mesma época, conciliava os estudos com apresentações em escolas e, posteriormente, começou a cantar profissionalmente em bares, interpretando músicas da MPB e da bossa nova.

A carreira ganhou projeção nacional em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. No mesmo ano, a música “Beijo na Boca” se tornou um sucesso. Depois vieram outras canções populares, como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”.

Em 1993, o cantor iniciou a carreira solo. Três anos depois, lançou “Milla”, música que se tornou um dos maiores sucessos de sua trajetória e um clássico do axé music. A repercussão levou Netinho a se apresentar também em outros países, incluindo Itália e Chile.

Além dos palcos, ele investiu no mercado musical como empresário. No Rio de Janeiro, abriu um estúdio de gravação e mixagem que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Também criou um selo voltado ao lançamento de novos talentos da Bahia.

Problemas de saúde e afastamento dos palcos

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Em 2013, Netinho sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que provocaram complicações e comprometeram sua voz. O problema o afastou do Carnaval de Salvador por quatro anos, período em que precisou se dedicar à recuperação.

Em março de 2025, o cantor tornou público o diagnóstico de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Na ocasião, ele havia sido internado em Salvador após sentir fortes dores nas pernas. Durante o tratamento, compartilhou informações sobre sua condição de saúde nas redes sociais.

A doença avançou nos meses seguintes. Segundo a assessoria, o quadro clínico mais recente envolvia falência renal e disfunção de múltiplos órgãos.

Vida pessoal e política

Entre 1997 e 2003, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade. Os dois tiveram uma filha, Bruna Trindade.

Em 2010, o cantor declarou publicamente ser bissexual. Dois anos depois, ao comentar o assunto em entrevista ao programa Fantástico, afirmou que não desejava prolongar a discussão sobre sua vida pessoal.

Na política, concorreu a uma vaga de deputado federal pelo PL nas eleições de 2022. Recebeu cerca de 31 mil votos, mas não foi eleito, ficando registrado como suplente da legenda. O artista também declarou apoio ao então presidente Jair Bolsonaro e participou de manifestações favoráveis a ele em 2021, posicionamento que gerou críticas.

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