Cidades
Operação do Gaeco prende 9 diretores de hospital psiquiátrico em Catanduva
Gaeco aponta desvios bilionários em contratos de saúde; esquema atingiu vários estados
Um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão na área da saúde levou à prisão de nove diretores do Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi, em Catanduva, na última quinta-feira (7/8). A ação fez parte da ‘Operação Duas Caras’, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, e cumpriu mandados em cidades de quatro estados.
Segundo a investigação, a Organização Social de Saúde responsável pelo hospital firmava contratos de gestão com municípios e, a partir daí, contratava empresas ligadas aos próprios integrantes da diretoria. As firmas emitiam notas fiscais frias ou superfaturadas, desviando recursos destinados a Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e outros serviços.
Ao todo, a Justiça expediu mais de 100 mandados, incluindo 12 de prisão temporária, ordens de busca e apreensão, afastamento de funções e bloqueio de bens. As ações ocorreram em cidades paulistas como Arujá, Carapicuíba, Piracicaba, Viradouro e Bauru, além de municípios no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina.
O promotor João Paulo Gabriel de Souza explicou que o grupo atuava em duas frentes: prestação de serviços, como treinamentos médicos e fornecimento de materiais, e fraude na folha de pagamento. As irregularidades, segundo o MP, prejudicaram o atendimento à população, com registros de mortes e ações trabalhistas em unidades geridas pela OS.
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Descalabro”, noticiada ontem pelo Gazeta, investigando a ligação do ex-prefeito de Bebedouro, Fernando Galvão Moura, com a mesma OS. Ele é suspeito de participar de contratos fraudulentos avaliados em R$ 13,2 milhões.
Os investigados podem responder por peculato, corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
Por meio de nota, o escritório Galvão Moura Advocacia, que representa o ex-prefeito de Bebedouro, informou que o político não atua mais na empresa há mais de 10 anos. Leia na íntegra:
“O Escritório Galvão Moura Advocacia, vem informar que não tem qualquer relação com os fatos decorrentes de investigação sobre operação da policia federal, que segundo informações da própria policia, trata de procedimento relacionado a uma empresa que prestou serviços ao Hospital Municipal de Bebedouro quando o irmão Fernando foi Prefeito a cerca de 7 anos atrás. O ex-prefeito não trabalha no escritório ou mantém qualquer relação comercial a mais de 10 anos. Não tem conhecimento dos fatos e vai se manifestar quando tiver acesso aos dados do inquérito, fará sua defesa. Declara que foi Prefeito de Bebedouro em dois mandados, o ultimo finalizado a 5 anos, e que sempre pautou sua administração de forma correta.
Coloca-se a disposição para todos os esclarecimentos.
Carlos Luiz Galvão Moura Junior, advogado.”
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