Saúde
Vacina contra a dengue do Instituto Butantan começa a ser aplicada
É a primeira vacina do mundo em dose única contra os quatro sorotipos da doença
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Da Redação
O Estado de São Paulo deu início, neste domingo (18/1), a uma nova etapa no combate à dengue com o começo da vacinação utilizando um imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A ação marca um avanço histórico na saúde pública brasileira ao colocar em uso a primeira vacina contra a doença aplicada em dose única no mundo.
Batizada de Butantan-DV, a vacina foi criada para proteger contra os quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue. A aplicação em apenas uma dose facilita a adesão da população, reduz custos operacionais e torna a estratégia de imunização mais ágil. Estudos que embasaram o registro do produto apontam eficácia total na prevenção de internações causadas pela doença.
A primeira cidade paulista a receber a vacina foi Botucatu, escolhida pelo Ministério da Saúde para integrar um estudo nacional de impacto da imunização. A auxiliar administrativa Tereza da Silva Lopes, de 44 anos, foi a primeira moradora do município a ser vacinada. Além de Botucatu, o projeto piloto também ocorre em Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, contemplando adolescentes e adultos entre 15 e 59 anos.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, o início da vacinação representa uma contribuição decisiva da ciência paulista para o país. Ele destaca que a vacina é integralmente desenvolvida no Brasil e que os dados disponíveis indicam proteção robusta contra as formas mais graves da doença.
A escolha de Botucatu levou em conta a estrutura da rede municipal de saúde, a experiência prévia em campanhas de vacinação em massa e a circulação recente do sorotipo DENV-3, associado ao aumento de casos de dengue na região. A meta é alcançar até 90% de cobertura vacinal no público-alvo e avaliar, em larga escala, o desempenho do imunizante no cotidiano do sistema de saúde.
A Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) participa diretamente da iniciativa, acompanhando e analisando os casos de dengue no município por meio de monitoramento laboratorial detalhado. Os dados coletados vão subsidiar a avaliação da efetividade da vacina fora do ambiente controlado dos ensaios clínicos.
A produção da Butantan-DV já está em andamento desde antes da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Instituto Butantan iniciou a fabricação em seu parque industrial e firmou parceria com a empresa chinesa WuXi para ampliar a capacidade produtiva a partir do segundo semestre de 2026. A previsão é entregar 1,3 milhão de doses ao Programa Nacional de Imunizações até o fim de janeiro, com expectativa de alcançar 30 milhões de doses até o final do ano.
A Anvisa autorizou o uso da vacina para a população de 12 a 59 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, as primeiras doses serão destinadas a profissionais da Atenção Primária, que atuam nas Unidades Básicas de Saúde e em visitas domiciliares. Com o aumento da produção, a vacinação deverá ser ampliada gradualmente para o público geral.
O Instituto Butantan também planeja expandir a indicação do imunizante para outras faixas etárias. Estudos já estão em andamento para avaliar a eficácia em pessoas de 60 a 79 anos e, futuramente, em crianças de 2 a 11 anos. Ensaios clínicos indicam que a vacina é segura nesses grupos, o que pode permitir a ampliação das recomendações após análise da Anvisa.
A aprovação da Butantan-DV se baseia em cinco anos de acompanhamento de mais de 16 mil voluntários em 14 estados brasileiros. Os resultados mostram eficácia geral de 74,7%, proteção de 91,6% contra formas graves da doença e 100% de eficácia contra hospitalizações. A maioria das reações adversas observadas foi leve ou moderada, como dor no local da aplicação, vermelhidão, dor de cabeça e cansaço, com raros registros de eventos graves relacionados à vacina.
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