Saúde
Transplantes de medula óssea crescem 52% em cinco anos em Rio Preto
Os dados divulgados são referentes aos pacientes do complexo Funfarme, que administra o Hospital de Base e o HCM

A Fundação Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Funfarme), responsável pela administração do Hospital de Base (HB) e do Hospital da Criança e Maternidade (HCM), registrou um aumento de 52,33% no número de transplantes de medula óssea realizados nos últimos cinco anos. Em 2020, foram feitos 107 procedimentos. Em 2025, o número chegou a 163.
Segundo a instituição, o crescimento está ligado à ampliação da capacidade de atendimento, com a abertura de novos leitos após a inauguração de uma nova unidade em janeiro do ano passado. A expansão permitiu reduzir a fila de pacientes que aguardavam pelo transplante, indicado no tratamento de diversas doenças hematológicas.
“O número é reflexo direto do aumento da quantidade de leitos após a inauguração da nova unidade. Estamos vendo agora a repercussão numérica dessa ampliação, que possibilitou atender mais pacientes com segurança e qualidade”, afirma o Prof. Dr. João Victor Piccolo Feliciano, hematologista e chefe da Unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital de Base.
Os dados são divulgados durante o Fevereiro Laranja, campanha nacional de conscientização sobre a leucemia, que destaca a importância do diagnóstico precoce e da doação de medula óssea.
Novos casos
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar mais de 11.540 novos casos de leucemia por ano no triênio 2023-2025. Desse total, cerca de 6.250 casos devem ocorrer em homens e 5.290 em mulheres.
A leucemia é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos e compromete o funcionamento da medula óssea, responsável pela produção das células do sangue. A doença pode atingir pessoas de todas as idades e, em muitos casos, apresenta sintomas inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico inicial.
Entre os principais sinais de alerta estão cansaço excessivo, palidez, infecções frequentes, febre persistente, sangramentos ou hematomas sem causa aparente e dores ósseas. A identificação precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento.
As formas de tratamento variam conforme o tipo e o estágio da leucemia e podem incluir quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e, em situações específicas, o transplante de medula óssea, que pode representar a possibilidade de cura para muitos pacientes.
Cadastro de doadores
A campanha Fevereiro Laranja também reforça a importância do cadastro de doadores de medula óssea. A probabilidade de encontrar um doador compatível fora da família é de aproximadamente uma em 100 mil, o que torna essencial ampliar o número de pessoas inscritas no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).
Para se cadastrar, é necessário ter entre 18 e 35 anos, estar em bom estado de saúde e realizar um procedimento simples, que inclui o preenchimento de um formulário e a coleta de uma amostra de sangue.
A diretora técnica do Hemocentro de Rio Preto, professora e doutora Andrea Garcia, explica que o cadastro pode ser feito de duas formas. “A primeira é presencialmente, em um centro de coleta, com o preenchimento do formulário e a coleta do sangue. A segunda é por meio do aplicativo do Redome, com a validação do cadastro posteriormente no hemocentro para a coleta”, afirma.
Ela também ressalta a importância de manter os dados atualizados. “Quando há compatibilidade, o Redome entra em contato com o doador com base nas informações cadastradas. Por isso, é fundamental manter telefone e endereço atualizados no sistema”, explica.
Atualmente, o Redome conta com cerca de 5,9 milhões de doadores voluntários cadastrados em todo o país, com a inclusão de mais de 125 mil novos doadores a cada ano.
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