A cidade de Mirassol passou a integrar nesta segunda-feira (2/2) a primeira etapa da estratégia nacional de vacinação contra a chikungunya. A ação marca o início da imunização no Brasil com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica Valneva, e conta com coordenação do Governo SP em conjunto com o Ministério da Saúde.
A aplicação do imunizante será feita gratuitamente nas unidades de saúde do município e está direcionada a moradores com idade entre 18 e 59 anos. A iniciativa faz parte de um projeto-piloto que contempla dez municípios distribuídos em quatro estados, selecionados com base em critérios como incidência da doença, porte populacional e condições operacionais para a implementação rápida da vacinação.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, Mirassol foi incluída no programa devido ao aumento expressivo de registros da doença. Em 2024, o município contabilizou mais de 800 casos prováveis de chikungunya, número significativamente superior ao observado no ano anterior, quando houve apenas uma notificação.
O imunizante recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025 e já está aprovado para uso em países como Canadá, Reino Unido e integrantes da União Europeia. Estudos clínicos apontam que a vacina apresenta bom perfil de segurança, com reações adversas geralmente leves ou moderadas, além de induzir resposta imunológica eficaz com dose única.
Durante a fase de implementação, o Instituto Butantan fará o monitoramento dos casos nos municípios participantes, com o objetivo de avaliar a efetividade da vacina em condições reais, comparando a incidência da doença entre pessoas vacinadas e não vacinadas.
As contraindicações seguem as recomendações da bula aprovada pela Anvisa, que incluem gestantes, pessoas imunodeprimidas ou imunossuprimidas e indivíduos com histórico de alergia a componentes da fórmula.
As autoridades de saúde também reforçam o alerta para os sintomas da chikungunya, como febre súbita, dores intensas nas articulações e no corpo, orientando a população a buscar atendimento médico ao primeiro sinal da doença.
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya não possui tratamento específico. O manejo clínico é feito com medidas de suporte, como hidratação, repouso e uso de medicamentos para alívio da dor e da febre. Em 2025, o Estado de São Paulo registrou mais de 7,7 mil casos da doença e sete mortes. Neste ano, até o fim de janeiro, foram confirmados 29 casos e nenhum óbito.