Saúde
As doenças circulatórias são silenciosas e devem ser diagnosticadas precocemente
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel
Em agosto, celebramos o mês de conscientização sobre a importância do diagnóstico e do tratamento das doenças circulatórias. A campanha instituída pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, denominada “Agosto Azul e Vermelho”, tem como finalidade estimular a população a procurar o atendimento médico vascular.
Esta ação preventiva é necessária, uma vez que os problemas de circulação são, na maioria dos casos, silenciosos. Isto significa que a ausência de manifestações clínicas em fases iniciais representa a característica marcante das alterações circulatórias. Desta forma, o diagnóstico das doenças vasculares pode ocorrer tardiamente, o que aumenta a necessidade de intervenções cirúrgicas e de internações hospitalares em decorrência de complicações arteriais e venosas.
A doença venosa, por exemplo, é extremamente prevalente em nossa população. Aproximadamente 20% a 30% da população brasileira sofre com a presença de varizes nos membros inferiores, que se caracterizam por veias dilatadas e tortuosas, responsáveis por sintomas como sensação de peso e dores nas pernas no final do dia, inchaço e formigamento nos pés.
Muito além de um problema apenas de caráter estético, a doença venosa crônica pode evoluir para quadros clínicos avançados, com surgimento de hiperpigmentação de pele, eczema e úlcera venosa. Esta última, comprovadamente, constitui uma importante causa de afastamento do trabalho, prejuízo na qualidade de vida e dificuldade na inserção social.
Além disso, a doença venosa também pode ser caracterizada por eventos tromboembólicos. A embolia pulmonar, caracterizada pela obstrução da circulação pulmonar por um coágulo sanguíneo, na maior parte das vezes, proveniente dos membros inferiores, constitui uma importante causa de internação hospitalar e de morte súbita.
As doenças arteriais também acometem nossa população, especialmente em faixas etárias acima dos 50 a 60 anos, e se manifestam principalmente como doença aterosclerótica, em decorrência da deposição de colesterol na parede arterial. A estenose das artérias carótidas, as dilatações arteriais conhecidas como aneurismas e a má circulação, resultado do entupimento da circulação arterial periférica, são exemplos de doenças circulatórias arteriais.
Todo indivíduo a partir dos 50 anos, em especial quando portador de fatores de risco para doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, sobrepeso e obesidade, hábito de fumar e estresse, está sujeito a maior risco de doença arterial de origem aterosclerótica. Portanto, a avaliação vascular faz-se necessária anualmente.
Diversos casos de isquemia cerebral transitória ou definitiva estão relacionados à obstrução das artérias carótidas, que constituem os segmentos arteriais localizados na região cervical, cuja perfusão é responsável pela oxigenação e pela atividade do parênquima cerebral. Além disso, os aneurismas de aorta, considerados de elevado risco para rotura arterial, podem evoluir para choque hipovolêmico grave de difícil resolução cirúrgica, quando diagnosticado tardiamente.
Com o aumento do sobrepeso e da obesidade, somos vítimas das complicações macro e microvasculares do diabetes mellitus. O mal perfurante plantar, úlcera localizada na base dos pés, constitui uma porta de entrada para infecções e pode ser responsável pela amputação do pé. Além disso, o paciente diabético apresenta obstrução arterial acelerada, com risco de evolução para isquemia arterial crônica e risco de perda do membro.
As doenças circulatórias podem ser diagnosticadas e prevenidas com o check-up vascular, que deve ser efetuado pelo menos uma vez por ano. Para mais informações, acesse o site www.drsthefanovascular.com.br.
Prof. Dr. Sthefano Atique Gabriel. Doutor em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, especialista nas áreas de Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e coordenador do curso de Medicina da União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago).
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