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Família e amigos se despedem de “Débora Wolff”, vítima de atropelamento em Rio Preto

Sepultamento acontece na manhã desta quarta-feira (12/8), em Guapiaçu; morte da jovem aprendiz de 15 anos comoveu Rio Preto e reacendeu cobranças por uma passarela mais acessível para pedestres

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Reprodução/ Redes Sociais
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Familiares e amigos se despedem, na manhã desta quarta-feira (12/8), da adolescente Débora Felício da Silva, conhecida nas redes sociais como “Débora Wolff”, vítima de um grave atropelamento na Rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), em Rio Preto.

Nascida em 18 de janeiro de 2011, capricorniana, Débora morreu na noite da última segunda-feira (10), aos 15 anos, após ser atingida por um carro quando tentava atravessar a rodovia, pouco depois de deixar o trabalho.

O corpo foi velado desde as 19h de terça-feira (11), no Cemitério Municipal de Guapiaçu. O sepultamento está marcado para as 10h desta quarta-feira (12), no mesmo local.

A morte da adolescente provocou forte comoção em Rio Preto. Nas redes sociais, centenas de pessoas lamentaram a perda precoce da jovem e manifestaram indignação com as condições de travessia da Rodovia Assis Chateaubriand. Moradores voltaram a cobrar das autoridades a construção de uma passarela mais acessível, segura e próxima dos locais utilizados diariamente por trabalhadores e estudantes.

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Como repórter, acompanho diariamente histórias de violência, acidentes e perdas irreparáveis. Mas algumas delas atravessam a objetividade que o jornalismo exige. A história de Débora foi uma dessas.

Ela tinha apenas 15 anos. Era jovem aprendiz, estudava, sonhava, gravava vídeos para as redes sociais e construía sua personalidade com a autenticidade típica da adolescência. Naquela noite, havia encerrado mais um dia de estudos e trabalho. Estava voltando para casa. Talvez estivesse cansada. Talvez com fome. Talvez só quisesse chegar logo para abraçar a mãe, contar como foi o dia ou assistir a mais um episódio da série de que gostava.  Ou talvez estivesse com medo de caminhar até a passarela, ser vítima de assalto ou estupro, como já aconteceu em outras ocorrências registradas em Rio Preto.

Infelizmente, esse retorno nunca aconteceu.

A morte de Débora não comoveu apenas familiares e amigos. Comoveu uma cidade inteira. Comoveu leitores. E comoveu também esta reportagem, que acompanhou cada etapa dessa tragédia desde os primeiros minutos.

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Nas redes sociais, Débora Felício da Silva mostrava exatamente o que era: uma adolescente de 15 anos cheia de personalidade, espontânea, divertida e dona de um estilo próprio. Apaixonada pelo universo de Monster High, franquia de bonecas inspirada nos filhos de personagens clássicos dos filmes de terror, ela incorporava referências da estética gótica e fashion em acessórios, roupas e na maneira de se apresentar aos seguidores.

Usando o apelido “Débora Wolff” (uma referência à palavra inglesa para loba), tratava com carinho quem a acompanhava, chamando todos de “lobinhos”. Em vídeos gravados para uma rede social, dividia momentos simples do dia a dia: as pequenas discussões com o irmão, histórias e fofocas da escola, o período em que ficou sem internet por falta de pagamento, as brincadeiras sobre usar o wi-fi do vizinho, além da empolgação para mostrar roupas novas e os looks que montava.

Mesmo buscando construir sua identidade, Débora fazia questão de valorizar sua beleza natural como uma jovem negra. Ao mesmo tempo, deixava transparecer a leveza da infância que ainda carregava, aparecendo em algumas gravações brincando com uma geleia “Amoeba” e comentando situações comuns da adolescência com muito bom humor e meiguice.

Nas redes sociais, familiares e amigos prestaram homenagens à adolescente. Em uma das mensagens, a prima Aila Regina lembrou da alegria que marcava a personalidade de Débora.

“Vou lembrar de você assim, feliz e sorridente, minha prima. Quem vai fazer vídeos tão bons quanto os seus agora, minha linda? Vou sentir saudades. Que Deus a coloque em um bom lugar ao lado dele, porque você merece. Sempre vou lembrar de você”, escreveu.

O acidente

A rotina da jovem foi interrompida de forma trágica na noite de segunda-feira (10/8), em Rio Preto. Débora havia acabado de sair do trabalho, onde atuava como jovem aprendiz em um supermercado atacadista, e seguia em direção ao ponto de ônibus quando tentou atravessar a Rodovia Assis Chateaubriand (SP-425). Durante a travessia, foi atingida por um automóvel.

Segundo as informações preliminares apuradas pela Gazeta de Rio Preto, a motorista permaneceu no local, prestou socorro e relatou à polícia que não viu a adolescente na pista.

Quando as equipes de resgate chegaram, Débora estava em parada cardiorrespiratória. Um médico que passava pela rodovia testemunhou o acidente, parou o veículo e iniciou imediatamente as manobras de reanimação até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A equipe da Unidade de Suporte Avançado (USA) deu continuidade ao atendimento. A adolescente foi intubada e recebeu aproximadamente 32 minutos de massagem cardíaca. Em determinado momento, houve retorno da circulação, mas o quadro voltou a se agravar. Apesar de todos os esforços das equipes médicas, ela não resistiu e morreu ainda no local.

A condutora do carro permaneceu durante toda a ocorrência e estava bastante abalada. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do atropelamento para esclarecer como o acidente aconteceu.

Esta reportagem é exclusiva do jornal Gazeta de Rio Preto e de autoria da jornalista Karol Granchi. É proibida a reprodução, cópia, publicação, distribuição ou utilização total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem autorização prévia e expressa da autora e do veículo. A reprodução não autorizada constitui violação aos direitos autorais, nos termos da Lei Federal nº 9.610/1998.

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