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Conheça os candidatos a deputado federal mais votados em Rio Preto

Direitas e voto digital: votação para deputado federal ainda mostra força de candidatos de fora da cidade, mas consolida grupos do PL e garante retorno de Edinho Araújo ao Congresso

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A eleição para deputado federal em Rio Preto mostrou a força da direita, mas também revelou um eleitorado disposto a votar em candidatos de projeção nacional, mesmo sem ligação direta com a cidade. Lucas Pavanato (PL) foi o campeão de votos, com 36.581, seguido por Edinho Araújo (PRD), que recebeu 35.436 e foi eleito para retornar à Câmara dos Deputados.

O resultado de Pavanato é um dos principais sinais políticos deixados pelas urnas. O candidato, que construiu sua carreira com forte presença nas redes sociais e discurso alinhado à direita conservadora, teve o apoio do vereador Felipe Alcalá (PL) em Rio Preto. A votação expressiva reforça a capacidade de mobilização de um eleitorado jovem e conectado ao ambiente digital.

Pavanato também foi o mais votado no Estado, o que amplia o peso político do resultado. Em Rio Preto, porém, o dado mais relevante é que ele conseguiu superar inclusive um dos principais nomes da política local.

Edinho, por sua vez, fez uma eleição de característica completamente diferente. Quase toda a sua força eleitoral esteve concentrada na região. Com pouco mais de 54 mil votos no Estado, conseguiu uma cadeira pelo PRD e retorna ao Congresso após uma trajetória marcada por mandatos de deputado federal e pela Prefeitura de Rio Preto.

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A mudança para o PRD foi parte da estratégia eleitoral de Edinho. O resultado mostra que, para candidatos com forte base regional, a escolha da legenda pode ser tão importante quanto a votação nominal. Mesmo longe dos campeões estaduais de votos, Edinho conseguiu construir uma combinação suficiente para garantir o mandato.

PL domina o topo, mas disputa interna continua

Entre os dez mais votados em Rio Preto, quatro são do PL: Pavanato, Luiz Carlos Motta, Delegado Paulo Bilynskyj e Renato Bolsonaro. A presença do partido no topo confirma a força da legenda na cidade, mas também expõe uma disputa interna que deve continuar depois das eleições.

Motta recebeu 14.743 votos e confirmou uma reeleição que já era considerada provável. Bilynskyj ficou com 12.072 e também garantiu novo mandato. Os dois, entretanto, travaram uma disputa pública durante a campanha. Bilynskyj chegou a chamar Motta de “esquerdista”, em uma demonstração das diferenças entre os grupos que disputam espaço dentro do partido.

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A disputa não se limita às redes sociais. Os dois grupos também têm interesses diferentes sobre o comando e os rumos do PL em Rio Preto. A eleição, portanto, não encerra a briga: dá novos elementos para a correlação de forças dentro da legenda.

Renato Bolsonaro, com 4.301 votos, aparece em décimo lugar. Sem uma ligação política construída em Rio Preto, sua votação mostra que o sobrenome Bolsonaro continua tendo peso no eleitorado local.

Esquerda surpreende e coloca dois nomes entre os dez

Se a direita domina a lista, a esquerda apresenta um resultado que merece atenção. Erika Hilton (PSOL), com 15.141 votos, foi a terceira mais votada na cidade. Sâmia Bomfim (PSOL), com 5.030, aparece em sexto.

As duas fizeram uma votação significativa em uma cidade na qual a esquerda tradicionalmente enfrenta dificuldades em eleições nacionais. Erika esteve em Rio Preto durante a campanha e conseguiu transformar a visita em presença eleitoral. A votação local acompanha seu desempenho estadual, no qual terminou como a segunda candidata mais votada para a Câmara.

Sâmia teve uma campanha menos chamativa na cidade, mas manteve uma base construída ao longo do mandato. O resultado indica que o PSOL conseguiu preservar um eleitorado próprio mesmo em um ambiente majoritariamente favorável à direita.

Kim Kataguiri (Missão), com 4.962 votos, completa o grupo de candidatos de projeção nacional que conseguiram uma votação relevante sem campanha presencial expressiva em Rio Preto. O resultado reforça a força de nomes que já possuem eleitorado consolidado nas redes.

Merabe e Vaz mostram outra face da eleição

Dra. Merabe Muniz (Avante) ficou entre os dez mais votados em Rio Preto, com 4.636 votos, mas não foi eleita. A situação dos votos ainda depende do julgamento definitivo de sua candidatura pela Justiça Eleitoral. Os votos aparecem na apuração como anulados sub judice, o que significa que o resultado ainda pode produzir efeitos jurídicos conforme a decisão final.

Já Vaz de Lima (Republicanos), com 4.180 votos, mostrou que a força acumulada em mandatos anteriores não necessariamente se transfere para uma disputa federal. Ex-deputado estadual e federal, ele teve pouco mais de 17 mil votos no Estado e ficou fora da Câmara.

O recado das urnas

Mais do que a lista dos dez mais votados, a eleição deixa um recado sobre a política de Rio Preto: a cidade continua majoritariamente inclinada à direita, mas o voto está menos dependente de candidatos com estrutura local.

Pavanato é o principal exemplo. Sem uma trajetória política construída em Rio Preto, chegou ao topo da votação com apoio de uma liderança local e forte presença digital. Erika Hilton, Sâmia Bomfim e Kim Kataguiri também demonstraram que um eleitorado pode ser mobilizado nacionalmente, sem necessariamente depender de campanha tradicional na cidade.

Ao mesmo tempo, Edinho mostra que a política local ainda tem peso. Sua votação em Rio Preto foi decisiva para construir o caminho de volta à Câmara.

O resultado também deixa uma questão para os próximos anos: o PL sai fortalecido como principal força da direita na cidade, mas internamente dividido entre grupos que já disputam espaço e influência. A votação de Pavanato acrescenta um novo elemento a essa equação, enquanto Edinho reassume um papel de liderança regional no Congresso.

No fim, a urna de 2026 combinou três forças que devem continuar disputando espaço em Rio Preto: a política tradicional, representada por Edinho; a direita organizada em torno do PL; e o voto digital, cada vez menos preso às fronteiras municipais.

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