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O voto que faltou pode ter sido aquele que você afastou

Artigo escrito pelo advogado, Henrique Casseb

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Em uma eleição polarizada, a intolerância de quem já escolheu um lado pode ser decisiva para afastar justamente aqueles que ainda precisam ser convencidos.

Os indecisos, os que não compareceram às urnas no primeiro turno e os que votaram em branco ou anularam o voto. Eleitores que, por diferentes razões, ainda poderiam ser conquistados.

Ocorre que muitos daqueles que deveriam convencê-los parecem não ter compreendido seu papel no processo eleitoral.

Enquanto o indeciso procurava argumentos para justificar sua escolha, era chamado de “isentão”, quando não recebia o título de “burro” simplesmente por não compartilhar das convicções de quem já havia escolhido um lado. Enquanto buscava compreender as propostas dos candidatos, assistia a eleitores exibindo, com orgulho, a exclusão de amigos das redes sociais por manifestarem opiniões diferentes.

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A intolerância passou a ser tratada como virtude, e o rompimento de relações pessoais, como demonstração de consciência política.

Existe uma contradição que marcou a disputa eleitoral. Enquanto os candidatos precisavam conquistar novos votos, parte de seus apoiadores parecia mais preocupada em demonstrar superioridade moral, reforçar suas próprias convicções e hostilizar quem pensava diferente.

Confundiram engajamento com convencimento, agressividade com força política e a aprovação de suas próprias bolhas com a conquista de novos eleitores.

O eleitor precisa compreender que também exerce o papel de cabo eleitoral de seu candidato. Talvez seja, inclusive, um dos mais importantes. É o amigo que conversa, o colega de trabalho que argumenta, o familiar que acolhe e o vizinho que escuta. Pessoas que, pela proximidade e pela confiança construída ao longo do tempo, podem influenciar decisões muito mais do que uma propaganda eleitoral.

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Entretanto, muitos preferiram dobrar a aposta do primeiro turno. Falaram cada vez mais alto para quem já concordava com eles.

É evidente que nenhum resultado eleitoral pode ser explicado exclusivamente pelo comportamento dos apoiadores. Entretanto, seria um erro ignorar a influência que a postura dos próprios eleitores exerce sobre aqueles que ainda estão em busca de uma escolha.

A verdadeira arte da política não está em convencer quem já concorda conosco, mas em conquistar o respeito e, quem sabe, o voto de quem pensa diferente.

Por isso, antes de encontrar culpados pelo resultado de uma eleição, cabe a pergunta incômoda: quantos votos cada eleitor conquistou com suas atitudes e quantos afastou com sua intolerância?

Henrique Casseb, advogado, professor universitário, Doutor em Direito, presidente da comissão de Direito Constitucional da OAB Rio Preto e analista político da rádio CBN Grandes Lagos.

 

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