Economia
Acirp pede cautela após circulação de listas de boicote em Rio Preto
Entidade afirma que divergências políticas não devem ser generalizadas para o setor produtivo
A circulação de listas que incentivam boicotes a empresas e profissionais por suposto posicionamento político em Rio Preto tem gerado manifestações e preocupação após o segundo turno das eleições presidenciais. Diante do episódio, a Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp) defende cautela, diálogo e respeito, enquanto o Sindicato do Comércio Varejista de Rio Preto (Sincomercio) afirma que, até o momento, não recebeu informações oficiais sobre o assunto.
O presidente da Acirp, Jean Daher, afirma que a entidade acompanha a situação com atenção, mas ressalta que casos dessa natureza precisam ser avaliados individualmente. Segundo ele, iniciativas semelhantes já foram registradas em outros períodos eleitorais e não são exclusivas de Rio Preto.
“Cada situação, porém, deve ser analisada em seu contexto, sem atribuir a todo o setor produtivo convicções que podem ser individuais”, afirma.
Para Daher, o episódio merece atenção por envolver o ambiente de negócios e as relações entre comerciantes e consumidores. Ele destaca que o comércio depende do consumo para gerar renda e empregos e avalia que divergências políticas não devem se transformar em conflitos generalizados entre empresários e clientes.
A Acirp, segundo o presidente, continuará acompanhando o caso e está aberta a receber manifestações de associados para análise. Como entidade suprapartidária, a associação considera que o momento exige serenidade e não deve servir de estímulo a confrontos.
A orientação aos empresários é manter o planejamento dos negócios e acompanhar os desdobramentos com prudência, evitando decisões precipitadas.
“O empresário deve seguir atento às condições necessárias para trabalhar, como previsibilidade, segurança jurídica e um ambiente de negócios favorável.”
Sincomercio diz que não recebeu comunicação oficial
Em nota, o Sincomercio informou que não recebeu listas nem comunicados oficiais relacionados aos possíveis boicotes. A entidade também afirmou que nenhum empresário a procurou, até o momento, para tratar do assunto.
Segundo o sindicato, as informações que circulam na cidade chegaram ao seu conhecimento apenas como boatos, sem confirmação oficial.
Listas circulam em grupos de WhatsApp
Conforme a Gazeta de Rio Preto noticiou, listas que incentivam boicotes a estabelecimentos comerciais e profissionais liberais por supostas posições políticas voltaram a circular em grupos de WhatsApp da cidade na terça-feira (27/10), após o segundo turno das eleições presidenciais.
O material reúne nomes de empresas e profissionais de diferentes áreas, aos quais os responsáveis pela divulgação atribuem determinadas convicções políticas. Entre os segmentos citados estão restaurantes de alto padrão nas regiões da Redentora e do Jardim Aclimação, lojas de roupas esportivas e de grife, salões de beleza, bancos, lojas de departamentos e móveis, estabelecimentos de acabamentos e decoração, postos de combustíveis, óticas e casas noturnas.
A relação também inclui médicos, arquitetos e dentistas. Entre os nomes mencionados está o da médica Regina Chueire, especialista em fisiatria e ex-vereadora de Rio Preto, filiada ao PSOL.
A presença de empresas ou profissionais nas listas, entretanto, não comprova o posicionamento político atribuído a eles.
Mensagens apontam possíveis casos de discriminação
Paralelamente à circulação das listas, eleitores de esquerda passaram a defender a reunião de provas sobre possíveis episódios de discriminação política e xenofobia.
Uma das mensagens compartilhadas afirma que nordestinos, nortistas, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e outros grupos minoritários estariam sendo alvo de ataques por terem votado contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
O conteúdo também relata supostas manifestações de empresários favoráveis à demissão de funcionários em razão de suas posições políticas. O autor da mensagem afirma ter criado um grupo de WhatsApp para reunir registros e encaminhá-los ao Ministério Público, com o objetivo de solicitar a apuração dos fatos.
“Não podemos nos calar diante do preconceito, da discriminação e das tentativas de perseguição por motivos de origem, orientação sexual ou posicionamento político”, diz o texto.
Até o momento, a circulação das mensagens não permite confirmar todas as acusações nem concluir que os envolvidos tenham cometido irregularidades. Eventuais responsabilidades dependem da análise do conteúdo divulgado e das circunstâncias de cada caso.
Episódio já foi registrado na cidade
A divulgação de listas de boicote por motivação política não é inédita em Rio Preto. Em novembro de 2022, grupos ligados à direita compartilharam relações com nomes de médicos, restaurantes, bares, salões de beleza e prestadores de serviços apontados como apoiadores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na ocasião, a Associação Paulista de Medicina – Regional de Rio Preto manifestou solidariedade aos médicos citados.
Depois do segundo turno das eleições deste ano, iniciativas semelhantes também foram relatadas em outros municípios do interior paulista. Em Tanabi, mensagens compartilhadas em grupos incentivavam o boicote a comerciantes associados ao campo político de Lula.
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