Política
Candidato médio das eleições de 2026 é homem, branco e com ensino superior
Dados consolidados pelo TSE após o fim do prazo de registro mostram que mulheres representam 35% das candidaturas e que 58,5% dos postulantes têm graduação completa
O perfil predominante entre os candidatos que disputarão as eleições de 2026 é de um homem, branco, casado e com ensino superior completo, segundo dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o encerramento do prazo para registro das candidaturas, no sábado (15).
As estatísticas estão disponíveis no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), plataforma utilizada pela Justiça Eleitoral para reunir informações dos candidatos.
Na divisão por gênero, os homens representam 65% das candidaturas, enquanto as mulheres correspondem a 35%. O cenário evidencia que, apesar de serem maioria entre os eleitores brasileiros, as mulheres continuam sendo minoria entre os candidatos.
Nas eleições de 2022, por exemplo, as mulheres representavam 52,65% do eleitorado brasileiro, contra 47,33% de homens, segundo levantamento do próprio TSE.
Maioria dos candidatos se declara branca
A autodeclaração de cor ou raça também revela uma predominância entre os candidatos. Os que se declararam brancos somam 48,68% das candidaturas.
Na sequência aparecem os candidatos pardos, com 36,2%, e pretos, com 13,6%. As candidaturas indígenas correspondem a 0,9% do total.
Entre os povos indígenas declarados aparecem diferentes etnias, incluindo Makuxi e Guarani Kaiowá.
A legislação eleitoral exige que os dados de gênero, cor ou raça e pertencimento étnico sejam informados no registro de candidatura. A regulamentação do TSE também prevê procedimentos de confirmação quando houver alteração da autodeclaração racial em relação aos registros anteriores.
Quase seis em cada dez têm ensino superior
O nível de escolaridade é outro elemento que chama atenção no levantamento. 58,5% dos candidatos declararam ter ensino superior completo, o equivalente a mais de 12 mil postulantes.
Outros 21,4% concluíram o ensino médio.
O percentual de candidatos com graduação completa é significativamente superior ao observado na população brasileira em geral, mostrando uma concentração de pessoas com maior escolaridade entre os postulantes a cargos eletivos.
Empresários e advogados aparecem entre as principais profissões
Na lista de ocupações declaradas, a categoria “Outros” representa 13,9% das candidaturas.
Entre as profissões individualmente identificadas, os empresários aparecem com 12,5%, seguidos pelos advogados, com 8,2%.
Também estão entre as ocupações mais frequentes pessoas que já ocupam cargos políticos. Deputados representam 4,3% das candidaturas e vereadores, 3,9%.
Os dados mostram, portanto, forte presença de pessoas que já possuem experiência institucional ou ocupam posições de destaque no setor privado entre os concorrentes.
Faixa dos 40 aos 59 anos concentra candidaturas
A distribuição etária também apresenta concentração. A maior parte dos candidatos está entre 40 e 59 anos.
As faixas de 45 a 49 anos e 50 a 54 anos aparecem individualmente como as mais numerosas no levantamento.
O perfil etário reforça a predominância de candidatos de meia-idade, enquanto postulantes mais jovens representam uma parcela menor do conjunto de candidaturas.
Metade dos candidatos é casada
No estado civil, os casados representam 50% dos candidatos.
Os solteiros correspondem a 35%, enquanto os divorciados somam 12%. As demais categorias completam a composição.
Assim, considerando conjuntamente os dados de gênero, raça, escolaridade, idade e estado civil, o perfil estatístico mais frequente é o de um homem branco, casado, na faixa dos 40 aos 59 anos e com ensino superior completo.
TSE passa a divulgar mais informações sobre candidatos
O banco de dados eleitoral também reúne informações relacionadas à identidade de gênero, nome social e orientação sexual, desde que o candidato autorize a divulgação desses dados.
Em 2026, 53 candidatos solicitaram o uso de nome social na urna.
Entre aqueles que informaram identidade de gênero, 99,07% se declararam cisgêneros e 0,9% transgêneros.
Na orientação sexual, entre os candidatos que optaram por divulgar a informação, 96,4% se identificaram como heterossexuais. Também aparecem candidatos que se declararam bissexuais (1,3%), gays (1,2%) e lésbicas (0,8%).
A divulgação dessas informações é facultativa. A regulamentação do TSE prevê que candidatos podem manifestar interesse na divulgação pública da orientação sexual durante o registro de candidatura.
Representatividade continua sendo um dos retratos das eleições
Além de permitir conhecer individualmente os candidatos, a base do TSE oferece um retrato da composição social de quem pretende ocupar cargos públicos no país.
A diferença entre a composição do eleitorado e a das candidaturas é particularmente evidente no recorte de gênero. Enquanto as mulheres são maioria entre os eleitores, elas representam 35% dos candidatos registrados para 2026.
O próprio TSE mantém as estatísticas eleitorais e o sistema DivulgaCandContas como instrumentos de transparência para consulta pública sobre candidaturas, partidos e contas eleitorais.
Os números, portanto, permitem acompanhar não apenas a quantidade de candidatos, mas também quem são as pessoas que estarão nas urnas em outubro, suas características demográficas, formação profissional e escolaridade.
