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Cateterismo, angioplastia e ponte de safena: avanços essenciais no cuidado com o coração

Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel

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O tratamento das doenças cardiovasculares evoluiu de forma notável ao longo das últimas décadas, acompanhando os avanços da biotecnologia, da engenharia de tecidos e do desenvolvimento de novos dispositivos médicos. Até meados do século XX, pouco se cogitava sobre intervenções invasivas no coração. Contudo, a partir da década de 1950, pesquisadores e médicos passaram a explorar maneiras seguras de acessar o sistema circulatório, abrindo caminho para procedimentos que transformariam a cardiologia moderna.

Um marco decisivo nessa trajetória foi o desenvolvimento da circulação extracorpórea, tecnologia capaz de substituir temporariamente as funções do coração e dos pulmões durante uma cirurgia. Consolidada a partir dos anos 1970, essa inovação permitiu a realização de cirurgias cardíacas mais complexas, com o coração parado e o paciente mantido vivo por horas. Nesse contexto histórico, destacam-se acontecimentos fundamentais, como a primeira cirurgia com circulação extracorpórea, em 1953, o primeiro cateterismo cardíaco, no início da década de 1960, e a introdução da cirurgia de ponte de safena, no final dos anos 1960. Desde então, a incorporação acelerada de novas tecnologias culminou em técnicas cada vez mais sofisticadas, como cirurgias minimamente invasivas e robóticas.

Apesar de tantos avanços, ainda existem dúvidas frequentes sobre o papel de procedimentos amplamente utilizados, como o cateterismo, a angioplastia e a cirurgia de revascularização do miocárdio. O cateterismo cardíaco é um exame invasivo que permite estudar as estruturas do coração e das artérias coronárias por meio da introdução de um cateter em vasos periféricos, geralmente pela virilha. Seu objetivo principal é o diagnóstico, possibilitando a identificação de obstruções, alterações estruturais ou doenças congênitas, orientando a melhor estratégia terapêutica.

A angioplastia, por sua vez, é um procedimento terapêutico realizado, na maioria das vezes, após o cateterismo. Consiste na dilatação de uma artéria coronária obstruída e, quando necessário, na implantação de um stent para manter o vaso aberto. Essa técnica é fundamental no tratamento do infarto, embora ainda exista debate sobre sua indicação em comparação à cirurgia, especialmente em pacientes diabéticos ou com múltiplas obstruções.

Já a cirurgia de ponte de safena, também chamada de bypass ou revascularização do miocárdio, tem como objetivo desviar o fluxo sanguíneo de áreas obstruídas para regiões com melhor circulação. Para isso, utilizam-se enxertos retirados da veia safena ou da artéria mamária. Estudos científicos, como uma revisão publicada em 2018 na revista The Lancet, indicam que, em determinados grupos de maior risco, a cirurgia apresenta melhores resultados em longo prazo quando comparada à angioplastia.

Em comum, esses procedimentos são ferramentas indispensáveis no combate às doenças cardiovasculares. A escolha entre eles deve ser individualizada, baseada em avaliação criteriosa e na atuação integrada de equipes especializadas, garantindo maior longevidade e qualidade de vida aos pacientes.

Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.

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