Política
Com atraso, corredores de ônibus serão entregues no mês que vem
Ao custo de aproximadamente R$ 65 milhões, obra divide opinião de rio-pretenses
Com valor R$ 11,2 milhões mais caro e com três anos de atraso, a Prefeitura de Rio Preto garante que os nove corredores exclusivos para ônibus serão entregues no próximo mês. Em janeiro, o prefeito Edinho Araújo (MDB) prorrogou por mais sete meses o contrato com a empresa Constoeste para a conclusão dos corredores.
O novo prazo, a contar do mês passado, permite que a empresa contratada realize o serviço até outubro. Questionada pela Gazeta de Rio Preto sobre os motivos para a nova prorrogação – a oitava desde início da construção dos corredores – a Secretaria de Obras afirmou, por meio de nota, que se deve a “questões contratuais, para não perdermos o aditamento da Caixa Econômica Federal”, responsável pelo financiamento da obra. Ainda segundo a pasta, não houve aumento no valor do serviço, “apenas acréscimo de tempo”.
Assim como ocorreu no começo deste ano, no ano passado, o prazo para conclusão também foi estendido por sete meses, fato que também aconteceu por duas vezes em 2017, nos meses de março e outubro.
A obra dos corredores de ônibus nas principais avenidas e ruas da área central teve início em 2016, ainda no governo do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), e deveria ter sido concluída em fevereiro do ano seguinte. Dos R$ 53,7 milhões previstos originalmente no contrato, após vários aditivos o valor já está em R$ 64,9 milhões, aumento de R$ 11,2 milhões.
Logo que assumiu o governo, o prefeito Edinho não poupou críticas ao projeto dos corredores de ônibus. O secretário municipal de Obras, Sérgio Issas, apontou várias falhas no projeto desde a falta de obras de acessibilidade, desnível entre a massa asfáltica das vias com as guias das calçadas ou canteiros centrais das avenidas, até mesmo a execução equivocada na pavimentação da faixa de rolamento por onde será destinado o trafego exclusivo dos ônibus.
A Prefeitura então concedeu aditivo de R$ 8,4 milhões no início do ano passado para a “correção” dessas falhas. A última correção de prazo foi concedida pela Prefeitura em setembro, por mais sete meses. Com isso, a conclusão deveria ocorrer em abril. Os reparos também são feitos pela Constroeste.
Até então a Prefeitura apontava que a responsabilidade das falhas era da ATP Engenharia, empresa responsável pelo projeto da obra de mobilidade urbana. A Constroeste, por sua vez, sempre afirma que apenas executou o que estava previsto em contrato. Agora, o município aguarda a perícia para verificar, afinal, quem errou e como será feita a restituição do dinheiro público. Após a conclusão do referido laudo pericial com as avaliações necessárias, ficará comprovada ou não a responsabilidade da empresa executora da obra, no caso a Constroeste. Por meio de nota, a Secretaria de Obras afirma que “ainda está em andamento este estudo. Se a falha for constatada, a empresa ou as empresas serão intimadas”. Apenas o corredor da avenida Alberto Andaló foi concluído e liberado ao trafego dos ônibus.
“Percebo que este projeto foi para inglês ver. Tem vias que não precisaria de corredor, como o caso da Bernardinho e mesmo assim vão colocar faixa exclusiva de ônibus lá. Acho que falta estudo”, diz o comerciante Aparecido dos Santos, de 41 anos. Para o mecânico Jorge Mascarenhas, de 50 anos, Rio Preto não necessitaria neste momento de vias exclusivas para o transporte coletivo. “Mesmo não sendo da área, percebo que em determinados locais, os corredores mais vão atrapalhar do que ajudar na fluidez do trânsito. Você destinar uma faixa exclusiva para o ônibus em determinados horários de pico vai dar resultado contrário”, diz.
Para a esteticista Neusa de Souza, de 38 anos, os corredores dão mais fluidez ao trânsito caótica de Rio Preto. “Acho válido porque os ônibus precisam se deslocar mais rápidos”, diz. Para o advogado Miguel Henrique, de 53 anos, o investimento é acertado. “Priorizar o transporte coletivo é o futuro das cidades. Os corredores são uma etapa inicial”, afirma.
Calçadas acessíveis
Paralelamente a construção dos corredores de ônibus, a Prefeitura de Rio Preto vem realizando a implantação de calçadas acessíveis. As calçadas com acessibilidade, rampas de acesso para cadeirantes, e guia central para deficientes visuais estão sendo construídas às margens dos nove corredores de ônibus e também fazem parte do Plano de Mobilidade Urbana.
Ao todo serão 82 quilômetros, somados ambos os lados das vias. Até o momento já foram feitos 60 quilômetros de calçadas adaptadas. As sarjetas e guias tem custo de R$ 9,2 milhões, o que corresponde a 14,2% do valor total das obras de mobilidade urbana. Já as calçadas e rampas de acessibilidade tem custo de R$ 15,9 milhões, ou 25,6% do valor total da obra. Assim como os corredores, as calçadas também serão entregues no próximo mês.
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