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CPI dos Combustíveis aponta gasto excessivo e desvios

Servidor afirma que de uma média de 15 litros de óleo diesel por semana para limpeza de máquinas, consumo chegou a 200 litros

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Os primeiros depoimentos colhidos pela CPI dos Combustíveis apontam para fortes indícios de desvios de gasolina e óleo diesel da Garagem Municipal durante o governo do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), em Rio Preto. A comissão que investiga a denúncia na Câmara foi oficializada no fim do ano passado após o vereador Marco Rillo (PT) apresentar suspeita de que gasolina e óleo diesel foram retirados de bombas da garagem em galões e/ou tambores, destinado ao “consumo interno” da Secretaria de Serviços Gerais, mas que seriam desviados para uso de terceiros. O período das investigações é entre 2013 a 2016.

A CPI já ouviu cinco testemunhas ligadas a pasta de Serviços Gerais e que tinham contato direto com o setor de abastecimento e distribuição de combustíveis. O depoimento que mais chamou a atenção da comissão foi o de Ricardo Racanicchi, servidor público municipal há 22 anos, que em 2014 atuou na Garagem Municipal, exercendo função de controle dos veículos.

Consta em ata do depoimento dele que “os motoristas tinham autonomia para fazerem o abastecimento direto na Garagem Municipal, sem necessidade de requisição, e depois apresentavam a ele um ticket do abastecimento com a quantidade de litros abastecidos no veículo”. Ainda segundo o servidor não havia “um limite de abastecimento, podendo chegar a mais de um tanque por dia”, afirmou.

No entanto, a revelação mais grave no depoimento foi o fato de que em 2014 houve um consumo acima da média quando comparado aos anos anteriores. “De um consumo de 3 ou 4 litros de óleo diesel usados ao final do dia para a limpeza das máquinas, e que chegava a 15 litros por semana, subiu consideravelmente chegando a 200 litros em uma semana para o mesmo serviço de limpeza de máquinas, sem que houvesse alteração na quantidade de máquinas”, diz o servidor.

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Ainda segundo ele, depois da descoberta do uso “excessivo” decidiu-se “misturar detergente no óleo diesel como forma de diminuir o consumo”. O presidente da CPI, vereador Pedro Roberto Gomes (Patriota) afirma que existem fortes indícios de desvios por parte de funcionários no período. “Tem um indício muito forte de venda de combustível, não sabemos a quantidade. Neste contexto surgiu uma denúncia de um funcionário que estaria usando o carro para ir pra sua casa, nos finais de semana, a gente vai analisar o consumo deste veículo que ele utilizava. E vamos nos aprofundar um pouco mais e depois ouvir estas pessoas que estão sendo acusadas”, explicou Pedro.

 Ainda segundo o vereador, em outro depoimento foi revelado “que alguém ofertou combustível em um condomínio residencial”. A estratégia dos membros da CPI, que além de Pedro conta ainda com os vereadores Anderson Branco (PR) e Renato Pupo (PSD), é ouvir as pessoas citadas nos depoimentos.
O vereador Marco Rillo acompanha de perto as investigações. Mesmo tendo sido o autor do pedido de abertura da CPI, Rillo acabou de fora após sorteio que definiu os membros da comissão. No entanto, ele forneceu uma série de documentos para os vereadores que comprovariam os desvios de combustível da Prefeitura.

De acordo com Rillo, parte da gasolina e óleo diesel que deveriam abastecer o maquinário da Prefeitura, como máquinas de roçar grama e cortadeiras de asfalto; por exemplo, acabou servindo para abastecer, provavelmente, os veículos de funcionários. Este combustível não é destinado ao abastecimento da frota oficial de veículos. “A gasolina é tirada da bomba que a Prefeitura mantém e vai direto para vasilhames e colocados em recipientes. Não existe um tanque de gasolina como o dos postos que serve em automóveis”, explica. Para o petista, o que chama a atenção é o alto volume de combustíveis, no período entre 2013 a 2016, durante o governo do ex-prefeito. “Não tem controle do consumo interno”, diz.

Além do servidor Ricardo Racanicchi foram ouvidos pela CPI José Antônio Bizão, servidor público há 32 anos, motorista que distribuía o diesel para a Usina de Asfalto e caminhões para outro pontos da cidade, Bruno Batista Neto, motorista terceirizado pela empresa Staffs, que abastecia cinco veículos que realizavam o serviço de tapa-buraco, José Peri, funcionário público municipal desde 1986, responsável por abastecer as roçadeiras dos funcionários que trabalhavam nas ruas e a funcionária Adriana Secco Brigatti.

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