Redes Sociais

Cidades

Defesa afirma que mãe assumiu lugar da filha após acidente fatal em Cedral

Mãe da adolescente de 17 anos havia se apresentado como condutora na noite da ocorrência; Polícia Civil aguarda laudos periciais para esclarecer a dinâmica da colisão

Publicado há

em

Arquivo pessoal
Ads

A defesa da mulher que havia sido presa após um acidente que matou a motociclista Gabriela Fernanda de Menezes, de 31 anos, em Cedral, a 17 km de Rio Preto, apresentou uma nova versão para o caso na quarta-feira (24/9). Segundo o advogado criminalista Juan Siqueira, quem estava ao volante do Honda HR-V no momento da colisão era a filha da suspeita, uma adolescente de 17 anos.

A informação foi confirmada pelo advogado à Gazeta de Rio Preto. A Polícia Civil recebeu a mãe da adolescente, de 37 anos, a jovem, o advogado e uma testemunha ocular para prestar esclarecimentos sobre o caso. A mulher também prestou depoimento.

À Gazeta, o delegado Paulo Moreschi, que está à frente da investigação, disse que já concluiu o inquérito e o encaminhou ao Fórum. Segundo ele, o caso segue sob sigilo da Justiça.

A reportagem recebeu mensagens de moradores relatando a nova versão e, inclusive, de pessoas que afirmaram ter visto “uma jovem aparentando ser menor de idade” no veículo após o acidente. Os relatos passaram a ser considerados no contexto da investigação, que ainda aguarda os laudos periciais.

Ads

Segundo Siqueira, a adolescente não tinha habilitação e teria pegado o carro sem o conhecimento da mãe. O advogado afirma que, após a colisão, a jovem teria ligado para a mãe, que foi até o local e assumiu a responsabilidade pela condução do veículo.

“No primeiro momento, a mãe estava em desespero e assumiu a responsabilidade no lugar da filha e isso é errado, nós corrigimos. Então, temos o seguinte ponto – a menor só não tinha a habilitação para dirigir. Porém, estava dirigindo adequadamente o veículo dentro dos limites de velocidade. Não estava embriagada. Estava pela sua mão de preferência à direita porque o local não havia sinalização de regras de trânsito, e ela fez o cruzamento. A motociclista, por sua vez, estava em alta velocidade, embriagada e não freou – ela não teve tempo de frear porque estava em alta velocidade, acabou batendo e falecendo, é uma fatalidade. Nós perguntamos a seguinte questão: A menor não podia dirigir porque não estava habilitada, a motociclista não podia dirigir porque estava embriagada e no contexto, quem estava errado na condução? A falecida porque ela não deu preferência a quem tinha preferência às normas de trânsito”, afirmou Siqueira.

O advogado também afirmou que a mãe teria assumido a responsabilidade em razão do estado emocional da filha após a colisão.

“A menina ficou em extremo choque, ligou para a mãe e a mãe, ao ver uma vítima morta e todo aquele alvoroço, em ato de sacrifício, assumiu a responsabilidade da filha. Essa mãe não foi orientada por ninguém”, disse.

Ads

Segundo ele, a mulher confirmou essa versão durante o depoimento prestado à Polícia Civil.

“A mãe afirmou isso em novo depoimento. A menina ligou pavorosa para a mãe, ela havia pegado o carro sem o conhecimento da mãe. A mãe entrou em desespero… Falaram que o carro bateu na moto, mas foi a moto que bateu no carro porque a condutora não respeitou o direito de preferência. A mãe mentiu, mas assumiu a responsabilidade pelo caso”, afirmou Siqueira.

Defesa pede perícia para esclarecer acidente

A defesa da adolescente de 17 anos pediu à Justiça a realização de uma série de perícias para esclarecer a dinâmica do acidente.

O pedido inclui uma perícia na motocicleta de Gabriela para verificar se o velocímetro registrou alguma velocidade no momento do impacto, além da análise de eventuais marcas de frenagem no asfalto. A defesa também solicita que seja verificada a existência de sinalização no cruzamento, as condições de iluminação e pavimentação da via e, pelas regras de trânsito, qual veículo teria a preferência de passagem no local.

 

(Divulgação)

Outro ponto solicitado é a análise dos danos na porta do motorista do Honda HR-V, para verificar se a posição da colisão permite concluir que o carro já havia iniciado a travessia do cruzamento. A defesa também pede que seja juntado aos autos o resultado do exame de alcoolemia realizado no cadáver da motociclista.

No documento, o advogado sustenta que a adolescente estava em velocidade compatível com a via e que não havia ingerido bebida alcoólica. A defesa afirma ainda que Gabriela estaria em alta velocidade e teria ingerido bebida alcoólica antes do acidente. Essas alegações deverão ser analisadas no decorrer da investigação e dependem dos elementos periciais.

(Reprodução)

A Polícia Militar informou que, na noite do acidente, uma mulher se apresentou à equipe como sendo a condutora do automóvel. Ela realizou o teste do bafômetro, que apontou 0,27 mg/L de álcool por litro de ar, e permaneceu no local durante o atendimento da ocorrência. Segundo a PM, o resultado foi registrado na ocorrência.

A corporação ressaltou que, naquele momento, não houve qualquer divergência quanto à identificação da condutora. A Polícia Civil aguarda os laudos periciais para esclarecer as circunstâncias da colisão e a dinâmica do acidente.

A Prefeitura de Cedral informou que o cruzamento onde ocorreu a colisão contava com sinalização vertical, mas que a placa havia sido furtada.

Relembre o caso

Gabriela Fernanda de Menezes, de 31 anos, morreu após ser atingida por um carro na noite de sexta-feira (18/9), no cruzamento das ruas das Aroeiras e Cabo Verde, em Cedral. A motociclista foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos provocados pela colisão.

Na ocasião, segundo as informações iniciais da Polícia Civil, a mulher que havia se apresentado como motorista do carro não possuía habilitação e apresentava sinais de embriaguez. O teste do bafômetro registrado na ocorrência apontou 0,28 mg/L de álcool por litro de ar.

Após a batida, a mulher deixou o local e foi localizada pelos policiais a poucos metros do ponto do acidente. Na ocasião, ela alegou que havia saído por receio de sofrer agressões de familiares da vítima.

Ela recebeu voz de prisão em flagrante e foi encaminhada à Delegacia Seccional de Rio Preto. O caso foi registrado inicialmente como homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravantes relacionados à ausência de habilitação e à presença de álcool.

Com a nova versão apresentada pela defesa, a Polícia Civil deverá analisar os depoimentos, os elementos reunidos na investigação e os laudos periciais antes de definir a dinâmica do acidente e as eventuais responsabilidades.

O corpo de Gabriela foi sepultado no último domingo (20), no Cemitério Municipal de Cedral. Ela era a provedora do lar, onde morava com a mãe e o sobrinho.

AS MAIS LIDAS