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Mata Atlântica segue como bioma com mais espécies em risco

IBGE atualizou estatísticas das espécies ameaçadas de extinção nos biomas brasileiros

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A Mata Atlântica segue como o bioma brasileiro com mais espécies ameaçadas de extinção, de acordo com um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (24).  As informações fazem parte da pesquisa “Contas de ecossistemas: espécies ameaçadas de extinção no Brasil”, divulgada pela primeira vez em 2020, com dados de 2014. A revisão tem como base as informações contidas na nova lista de espécies ameaçadas, publicada em dezembro de 2022 pelo então Ministério do Meio Ambiente. As listas são elaboradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ).

Segundo o coordenador da pesquisa, Leonardo Bergamini, todos os biomas brasileiros tiveram aumento em números absolutos, com exceção do Pampa. De acordo com o estudo, a Mata Atlântica, assim como em 2014, segue com o maior número de espécies avaliadas (de 9.042 em 2014 para 11.811 em 2022) e, também, com a maior quantidade de espécies ameaçadas (de 2.016 para 2.845).

O número de espécies extintas também aumentou, passando de sete para oito, desde 2014. A Perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum) agora se junta a outras oito espécies da fauna nativa brasileira extintas nos diferentes biomas, sendo elas as aves Maçarico-esquimó (Numenius borealis), Gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), Limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), Peito-vermelho-grande (Sturnella defilippii), Arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), e Caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum); o anfíbio Perereca-verde-de-fímbria (Phrynomedusa fimbriata); o mamífero Rato-de-Noronha (Noronhomys vespuccii), além da ave Mutum-do-Nordeste (Pauxi mitu), espécie extinta na natureza e que atualmente depende de programas de reprodução em cativeiro.

O pesquisador também explica que a Mata Atlântica registra perdas importantes na quantidade de área de cobertura natural ao longo dos séculos. “Isso deve-se a maior presença de ambientes antropizados, ou seja, onde houve ação humana, por conta do histórico de ocupação e urbanização, a partir do litoral, na formação do território brasileiro”, diz Bergamini.

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Aumento das espécies avaliadas

De 2014 a 2022, o número de espécies avaliadas aumentou tanto na flora quanto na fauna. Atualmente, são reconhecidas no Brasil um total de 50.313 espécies de plantas e 125.251 espécies de animais. A quantidade de espécies avaliadas da flora saiu de 9% (4.304 espécies) para 15% (7.517 espécies) das espécies reconhecidas. Na fauna, o aumento foi menor: de 10% (12.009) para 11% (13.939).

Entre as espécies ameaçadas, isto é, as classificadas como “criticamente em perigo”, “em perigo” e “vulnerável”, de acordo com os critérios metodológicos preconizados pela International Union for Conservation of Nature (“União Internacional para a Conservação da Natureza”, da sigla em inglês IUCN), houve leves reduções na proporção tanto da flora (de 47,4% para 42,7%) quanto da fauna (de 9,8% para 9%), explicada em parte pelo aumento do número de espécies avaliadas em 2022.

Segundo Bergamini, embora a proporção de espécies avaliadas ainda seja pequena em relação ao total de espécies reconhecidas, o esforço constante das instituições envolvidas tem resultado em avanços importantes para o conhecimento da biodiversidade brasileira, que podem nortear políticas de proteção adequadas ao meio ambiente. “Mas também ainda há muito o que avançar. Conforme o conhecimento vai se expandindo, é de se esperar que entrem na amostra mais espécies não-ameaçadas do que ameaçadas, já que as com potencialmente maior risco à extinção são avaliadas prioritariamente”, explica o pesquisador. “Por isso, não podemos afirmar que o nível de ameaça diminuiu”, afirma.

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