Cidades
Moradores da Favela Vila Itália ameaçam ocupar a Câmara
Manifestação foi realizada na tarde de quinta-feira, dia 13, em frente à Secretaria Habitacional de Rio Preto. Prefeitura afirma manter o pedido de reintegração de posse
Sem acordo, moradores da Favela da Vila Itália, em Rio Preto, cobraram um encontro com o prefeito Edinho Araújo (PMDB) e até ameaçam ocupar a Câmara Municipal, caso sejam despejados do assentamento. Lá, vivem cerca de 500 pessoas. “Queremos uma reunião diretamente com o Edinho, mas sabemos que ele não irá nos atender. Então, vamos nos reunir com a comunidade para ver quais são as melhores estratégias. Se formos retirados do local, vamos mudar para Câmara dos Vereadores. Não são eles [vereadores] que sempre dizem que lá é a Casa do Povo?”, afirma Solange Aparecida Nunes dos Santos,uma das líderes da favela da Vila Itália.
Na tarde de quinta-feira, dia 13, moradores da favela se reuniram para protestar mais uma vez em frente à Secretaria de Habitação de Rio Preto. Com faixas e cartazes, o grupo reivindicava moradias ou o cancelamento do processo de reintegração de posse até que uma solução seja apresentada pela Prefeitura.
Uma reunião, que durou mais de três horas, foi feita com representantes de seis secretarias municipais, mas representantes do assentamento e do Brejo Alegre afirmaram após o términoque mais uma vez saíram sem respostas. Todo o ato foi acompanhado por policiais militares e agentes da Guarda Civil Municipal (GCM). Não houve registro de incidentes.
Segundo a secretária da Habitação de Rio Preto, Fabiana Zanquetta, foi apresentando aos moradores alternativas levantadas na reunião anterior quanto ao assunto de atendimento social. “Conversamos assuntos que tratavam a relação de trabalho e emprego, assistência social, saúde, educação. Estamos pontuamos estes tópicos para garantir todo o atendimento social às famílias que ali vivem. Por exemplo, todas as quintas-feiras, uma equipe da assistência social está indo até lá e fazendo um trabalho de aporte com estas famílias. Inclusive com encaminhamento para a Secretaria de Trabalho para as vagas disponíveis. Também estamos oferecendo vagas para cursos de captação e tratado da questão de educação. Eles têm uma demanda para transporte dos estudantes e avaliando esta possibilidade” afirma.
A secretária afirmou que o processo de reintegração de posse foi mentido, mesmo diante do pedido dos moradores de permanecerem no local até uma alternativa.
“Eles [moradores] desde as primeiras conversas não concordam. Acham que devemos suspender a ação, porém estamos como o poder executivo. Nem sempre o que a gente deseja como pessoa é o que pode fazer na posição de executivo. Temos que cumprir leis, e no caso do prefeito, ele tem que zelar pelo espaço público. Onde eles estão é sim uma área pública, ele [prefeito] não ser omisso nesta situação” explica.
Ainda de acordo com Zanchetta, a prefeitura está a procura de novos programas habitacionais para atender cerca de 15 mil famílias.“Hoje o programa nacional de habitação está aportado com recursos do governo federal. Atualmente estamos lutando para trazer novos programas, além de buscar novas parcerias e possibilidade para poder complementar nossa demanda. Estamos falando de 15 mil famílias inclusive das famílias que estão morando em situação de extrema vulnerabilidade, como é o caso dos moradores da Vila Itália e Brejo Alegre, além de outras que temos mapeadas”, disse.
Indignada
Solange afirma que está indignada com a situação. “Após três horas de reunião, a Secretaria de Habitação não nos deu nenhuma solução concreta. Estamos saindo daqui com o processo de reintegração de posse nas portas e sem alternativas. Pedimos novamente para permanecer na área até que seja construída uma política habitacional do município, mas ouvi,ps que não é possível”, disse. Policiais militares e agentes da GCM liberaram o trânsito da rua que estava interditada pouco depois das 18h.
