Economia
Na primeira semana, lojistas dizem que começam a retomar as vendas
Comerciantes consultados dizem que começam a retomar a vida normal, mas reclamaram do curto espaço de tempo que têm para reabrir lojas e atender clientes
A primeira semana de flexibilização dos segmentos econômicos não essenciais não foi de toda ruim. A redação da Gazeta de Rio Preto ouviu quatro empresários que reabriram suas lojas a partir da última segunda-feira, dia 1°, e eles são unânimes em afirmar que as quatro horas de funcionamento não resolvem os problemas, mas o movimento vem sendo retomado devagar e começa a permitir o pagamento das contas mais urgentes, fornecedores e funcionários. A reclamação em comum é a restrição para o horário de funcionamento. Eles debitam as aglomerações no curto espaço de tempo que os consumidores tem para ir às compras.
Na Redentora
Lívia Bernardes Caseri (foto), tem uma loja na Galeria onde funciona o Fran's Café, na rua Antônio de Godoy, no bairro Redentora, e atua no ramo de roupas femininas. Diante de tudo que aconteceu, a reabertura veio cheia de expectativas para ela. “Reabrimos como um novo recomeço”, ressalta com um misto de esperança e realismo. “Tudo vai fluindo e vamos nos adaptando às novas regras”. Sua reclamação é o tempo que o decreto autorizou a abertura. “Quatro horas não são suficientes, mas vamos nos adaptando e os clientes estão retornando”. Com fé, ela diz que as vendas estão sendo retomadas aos poucos, “com pensamento positivo e sem pensar em desistir, sempre pensando que tudo vai passar e sairemos dessa mais fortalecidos”.
Miltinho Homsi, que também mantém uma loja multimarcas no mesmo bairro, diz que nesses primeiros dias deu para baixar o prejuízo de 60% para 40%. “Conseguimos aumentar uns 20% do movimento”, diz. Mesmo assim, relata que os prejuízos são enormes e que a situação está bem complicada. Embora nesse período tenha demitido funcionários ele informa que “está pagando fornecedores e funcionários”
No Shopping
Micheli Dias, da loja Magia Kids Store, disse que a retomada das atividade “está sendo muito boa”. Micheli atribui parte do sucesso de vendas de sua loja, no Riopreto Shopping Center, ao período do ano. Sua loja, de confeção infantil, reabriu com a chegada de uma frente fria. “É o nosso nicho, teve a ocorrência de uma frente fria e as mães acabam comprando, tivemos boas vendas, dias intensos e com a presença de muitos clientes. Em alguns momentos tivemos que dar uma segurada na porta, mas foram dias satisfatórios”, diz.
Micheli debita o fluxo à autorização para abrir as portas por apenas quatro horas. “É um espaço muito curto”. Ela acredita que as pessoas saíram para fazer compras e não para passear. “Elas ficaram em casa três meses e elas gostam de comprar, de ver, de sentir, de poder escolher dentro da loja e as quatro horas sobrecarregam as lojas”. Ela descreve que as pessoas que foram ao Shopping estavam de sacola na mão. “Não foram passear”.
Em relação aos horários de funcionamento “se fosse mais epaçado, evitaria tumulto. As restrições podem trazer a aglomeração”. Com o horário ampliado “os comerciantes não precisariam pedir para clientes ficar do lado de fora”. Ela explica que “embora as vendas tenham sido legais, as contas não param”. Fornecedores e parceiros que deram bons descontos, que estão sendo repassando aos consumidores. “Não vou falar que está sendo 100%, está sendo difícil pagar as contas, possivelmente vai ter conta que vai ficar” e que “lucro a gente não tem, mas está dando para pagar fornecedores e funcionários”.
No Calçadão
Para Samanta Beneguer, sócia de uma ótica no Calçadão, “as vendas melhoraram, mas coisa pouca”, embora demonstre esperança. Ela diz que nesses primeiros dias houve muita aglomeração e ela teme que as autoridades decidam voltar atrás e mandar fechar tudo de novo. “O meu segmento não fecha mais”, afirma. Ainda assim, diz que está “conseguindo pagar algumas coisas e negociar com funcionários e fornecedores”. Samanta apenas reafirma que eventualmente tem consumidor que podia ir sozinho à loja e acaba levando toda a família, desnecessariamente.
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