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Secretários faltam a audiência e gasto de R$ 6 milhões com Carnaval gera reação

Carmona alegou a inexistência de ata formal e Robson Vicente afirmou que a Comissão de Cidadania não tem poder de convocá-lo

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Divulgação/TV Câmara

Os secretários de Cultura de Rio Preto, Robson Vicente, e de Gabinete, Rodrigo Carmona, não compareceram à audiência pública realizada nesta quarta-feira (4), na Câmara Municipal, convocada para esclarecer os gastos previstos com o Carnaval 2026. A ausência provocou críticas de vereadores e representantes do setor cultural.

Os dois gestores haviam sido convocados pelas comissões permanentes de Cultura e de Cidadania, presididas pelos vereadores Abner Tofanelli (PSB) e João Paulo Rillo (PT). O objetivo da audiência era obter esclarecimentos sobre a origem dos recursos destinados ao evento, estimados em até R$ 6 milhões, e sobre a ausência de deliberação do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC).

Segundo a Prefeitura, o Carnaval, batizado de “CarnaVirou 2026”, será realizado no Recinto de Exposições e contará com shows de artistas do gênero sertanejo, como Ana Castela, Simone Mendes e a dupla Maiara e Maraísa. Paralelamente, a administração municipal prevê o repasse de R$ 150 mil aos blocos carnavalescos por meio de editais.

Antes da audiência, ambos os secretários encaminharam ofícios à Câmara questionando a legalidade das convocações. Carmona alegou a inexistência de ata formal que deliberasse sobre a convocação e afirmou não haver “fundamento legal que assegure a higidez do ato”. Já Robson Vicente sustentou que a Comissão de Cidadania não teria atribuição para convocá-lo.

A ausência dos secretários foi alvo de críticas durante a reunião. Abner Tofanelli questionou a falta de transparência sobre o financiamento do evento e a escolha das atrações. “De onde veio esse recurso? Como foi feita a escolha dos artistas e por que há tamanha discrepância em relação ao valor destinado aos blocos?”, indagou.

João Paulo Rillo classificou como grave o não comparecimento dos gestores e afirmou que a situação pode configurar irregularidade administrativa. “Uma convocação da Câmara não pode ser ignorada. Vamos entrar com representação. Um evento desse porte não é organizado de improviso”, declarou.

A presidente do CMPC, Camila Schneck, destacou que o conselho não foi consultado e apresentou comparações sobre o que poderia ser realizado na área cultural com o valor anunciado para o Carnaval. Segundo ela, os recursos seriam suficientes para manter programas estruturantes da Cultura por vários anos, além de fortalecer artistas e iniciativas locais.

Representantes de blocos, escolas de samba e conselhos culturais também criticaram a falta de diálogo da Prefeitura. O presidente da Liga dos Blocos, Thiago Oliveira, afirmou que tenta, desde março de 2025, uma reunião com o governo municipal para discutir o Carnaval, sem sucesso.

Vereadores como Eduardo Tedeschi (PL), Renato Pupo (Avante) e Odélio Chaves (Podemos) participaram do debate. Apesar das críticas, Tedeschi afirmou esperar que o evento ocorra de forma positiva, ainda que reconheça que o processo poderia ter sido mais participativo.

Ao final da audiência, Rillo anunciou que os questionamentos levantados, incluindo a não consulta ao Conselho Municipal de Cultura, a origem dos recursos, o processo de licitação para exploração do Recinto de Exposições e a ausência dos secretários, serão formalmente encaminhados ao Ministério Público. “É uma situação grave e a representação está bem fundamentada”, concluiu.

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