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Sem terceira faixa, motoristas enfrentam problemas em trecho da Washington Luís

Prometida pelo ex-governador Geraldo Alckmin e questionada pela Justiça, melhoria da SP-310 esbarra em questões burocráticas e está longe de sair do papel

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Motoristas que trafegam por duas das principais rodovias que cortam Rio Preto, a BR-153 e a Washington Luís (SP-310), têm muito do que reclamar. Se na rodovia BR-153 as obras de duplicação avançam de forma lenta e com sucessivos atrasos para conclusão, a realidade na SP-310, no trecho entre Rio Preto e Mirassol, está longe da ideal.

O intenso fluxo de veículos que se deslocam das cidades vizinhas até Rio Preto e os próprios moradores da cidade que utilizam a rodovia, tem provocado nos últimos anos intensos congestionamentos. O trecho entre Rio Preto e Mirassol é o mais crítico, principalmente nos horários de pico.

Em pelo menos duas visitas a Rio Preto, em 2015 e 2016, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB), foi cobrado sobre a construção da terceira faixa neste ponto da Washington Luís. Na primeira, anunciou que a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) determinou à Triângulo do Sol a apresentação de estudo para criar uma terceira faixa de rolagem nos dois sentidos da Washington no trecho que corta Rio Preto e Mirassol. O tucano afirmou ainda que como a obra não estava prevista no contrato assinado com a concessionária, a Triângulo do Sol, o governo do Estado aguardava uma autorização do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para fazer o aditamento do contrato com a empresa.

Segundo Alckmin, o contrato com a empresa exige a ampliação do número de faixas quando é registrado aumento significativo no VDM (Volume Diário Médio). Esse valor é obtido por meio da verificação do total de veículos que passam diariamente pela rodovia. Em 2010, a concessionária Triângulo do Sol registrou média de 53.180 veículos por dia no trecho urbano da Washington. Três anos depois, o volume saltou para 61.527 automóveis, o que representa um aumento de 16% no período. O número de acidentes também subiu de 225 para 237. De acordo ainda com Alckmin, após a verificação dos números mais recentes do VDM, a concessionária deveria executar a obra. Com a demora em apresentar o projeto da terceira faixa e com vários acidentes registrados no trecho, com vítimas fatais, o promotor de Justiça Cláudio Moraes, de Rio Preto, entrou com ação civil pública contra o Governo de São Paulo e a concessionária Triângulo do Sol, para assumirem a construção de terceira faixa na Washington Luís, entre Mirassol e Rio Preto, em até oito meses. Mesmo com as promessas de Alckmin, o Estado foi rápido e derrubou a liminar que obrigava a obra, orçada em R$ 350 milhões. O recurso da Procuradoria do Estado sustentou que o fluxo de veículos no trecho da rodovia entre Mirassol e Rio Preto não é considerado “crítico”. Além de afirmar que o prazo de oito meses é insuficiente para início da obra – seria necessário pelo menos um ano -, o governo afirmou no recurso que a terceira faixa não está prevista no contrato de concessão da rodovia para a Triângulo do Sol. Por isso, a empreitada teria impacto na tarifa de pedágios.

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Drama para os motoristas

Motoristas ouvidos pela Gazeta não pouparam críticas ao governo do Estado pela ausência da terceira faixa na Washington Luís. O empresário Roberto de Castro afirma que passa pelo trecho todos os dias e percebe as dificuldades. “Utilizo a rodovia para ir trabalhar e retornar no fim da tarde. É absurdo o número de veículos que passam por aqui. Já virou uma avenida. A nova faixa é uma necessidade urgente”, diz.

Carlos Aragão vai além e fala sobre os riscos de acidentes. “Quando chove o drama aumenta. Se realizam alguma intervenção nesse trecho a coisa piora. Passou da hora de o Estado ver essa situação. Pagamos tantos impostos, pedágio, e nada é revertido em nosso benefício”, argumenta.

Números divulgados pela Policia Rodoviária Estadual a pedido da Gazeta mostram o crescimento do número de acidentes no trecho da rodovia entre Rio Preto e Mirassol. De janeiro a junho em 2016, foram 320 acidentes, 103 com vítimas, sendo que quatro morreram. No mesmo período do ano passado foram 396 acidentes, sendo 134 com vítimas e cinco mortes. Neste ano já foram 269 acidentes, com 91 vítimas, 15 delas graves, e três mortes.

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Para Artesp não existem congestionamentos

A reportagem entrou em contato com a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) para saber o que vem sendo feito em relação asegurança da rodovia e novos investimentos, como a terceira faixa. Por meio de nota, a assessoria informou que a Artesp já prestou os esclarecimentos ao Ministério Público, afirmando que os parâmetros para obras de ampliação de rodovias concedidas estão estipulados nos editais de concessão.

A agência alega ainda que no caso da SP-310, “o nível tráfego do trecho entre Cedral e Mirassol não atinge o mínimo estipulado em edital para tornar a faixa adicional uma obrigação a ser feita à cargo da concessionária Triângulo do Sol.” Por fim, ressalta que “o trânsito de veículos no trecho da SP-310 que passa por Rio Preto é de característica urbana e não rodoviária, ou seja, é utilizado pelos próprios munícipes para transitarem de um bairro a outro da cidade”, consta na nota.

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