Cidades
Zoobotânico de Rio Preto transfere dois filhotes de onça-parda para Garça
Animais foram encontrados em canavial com menos de 1 quilo e receberam cuidados contínuos por quase um ano
Dois filhotes de onça-parda que chegaram ao Zoobotânico Municipal de Rio Preto com poucas semanas de vida iniciam uma nova etapa nesta quarta-feira (23). Após quase um ano de cuidados, os animais foram transferidos para o Zoológico de Garça, onde continuarão sob acompanhamento especializado.
Os dois exemplares, um macho e uma fêmea, chegaram ao Zoobotânico em outubro de 2025, depois de serem encontrados por funcionários de uma usina durante a colheita de um canavial, na zona rural de Monte Aprazível. Na época, tinham entre três e cinco semanas de vida e pesavam cerca de 850 gramas cada.
Por serem muito jovens e ainda dependerem dos cuidados maternos, os filhotes passaram a receber acompanhamento praticamente contínuo da equipe. Nos primeiros meses, eram alimentados por mamadeira a cada duas horas, inclusive durante a noite e a madrugada, com fórmula substitutiva do leite materno.
Os animais também eram mantidos em ambiente protegido, com cobertores para auxiliar na manutenção da temperatura corporal. Após as mamadas, recebiam estímulos para a eliminação de urina e fezes, reproduzindo, dentro das possibilidades do manejo humano, cuidados que seriam realizados pela mãe.
Com o crescimento, a alimentação e o manejo foram adaptados às novas necessidades dos animais. Atualmente, eles recebem carne uma vez ao dia, às 16 horas, em quantidade aproximada de 1,2 quilo para cada um.
De menos de 1 quilo a quase 40 quilos
A evolução dos filhotes ao longo de quase um ano é expressiva. A fêmea, que chegou ao Zoobotânico com 852 gramas, atualmente pesa 30,5 quilos. O macho, que tinha 848 gramas, chegou a 39,8 quilos.
Além do ganho de peso, os animais passaram por mudanças graduais no manejo, na alimentação e no ambiente, de acordo com cada fase do desenvolvimento.
Segundo a médica-veterinária do Zoobotânico Natasha Fujii Ando, o caso mostra a importância da estrutura especializada para animais silvestres que chegam em condições de vulnerabilidade.
“Como médica-veterinária atuante em Zoológico e na reabilitação de animais silvestres, é impossível não se sensibilizar com a quantidade de animais que chegam vítimas das consequências das ações humanas. Ao mesmo tempo, é muito gratificante saber que podemos usar o conhecimento e a estrutura disponíveis para transformar essas histórias”, afirma.

Filhotes não serão soltos na natureza
Apesar do desenvolvimento, os dois animais não devem ser devolvidos à natureza. Como foram separados da mãe quando ainda tinham poucas semanas de vida, não tiveram a oportunidade de aprender comportamentos fundamentais para a sobrevivência, principalmente relacionados à caça e ao reconhecimento e uso do território.
De acordo com a veterinária, a soltura é sempre o principal objetivo quando existem condições técnicas e segurança para o animal. Quando isso não é possível, são buscadas alternativas que garantam qualidade de vida e bem-estar, como a permanência em instituições especializadas ou a transferência para outros zoológicos.
Nova etapa em Garça
A transferência para o Zoológico de Garça foi autorizada e acompanhada pela Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) e pelo Núcleo de Gestão Faunística (Gefau).
Para a gestora do Zoobotânico, Camila Pacifico Sparvoli, a mudança representa o encerramento de um ciclo de cuidados e o início de uma nova fase.
“Eles chegaram ao Zoobotânico com poucas semanas de vida, pesando menos de um quilo e necessitando de cuidados praticamente contínuos. Hoje, depois de quase um ano de acompanhamento, crescimento e desenvolvimento, eles ultrapassam 30 quilos e iniciam uma nova etapa. Ficamos muito felizes por saber que terão uma nova oportunidade no Zoológico de Garça. Não é uma despedida, mas a continuidade de uma história de cuidado, proteção e conservação”, afirma.
A transferência mantém os dois animais sob cuidados especializados e permite a continuidade do acompanhamento veterinário, do manejo e da alimentação adequados à fase de desenvolvimento.
O trabalho realizado pelo Zoobotânico desde a chegada dos filhotes envolveu cuidados veterinários, alimentação, monitoramento do desenvolvimento e adaptação do ambiente, garantindo a sobrevivência e o bem-estar dos animais até a transferência para a nova instituição.
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