Economia
Estado de SP concentra 80% da produção nacional de laranja
Estado tem 54 variedades comerciais registradas, exporta suco para o mercado internacional e investe em pesquisas
A citricultura paulista reúne tradição, pesquisa científica e relevância econômica, com participação expressiva no abastecimento nacional e no mercado internacional. O Estado de São Paulo responde por 80% da produção brasileira de laranja, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), e mantém uma cadeia produtiva que movimentou bilhões de reais em 2025. A atividade também guarda histórias pouco conhecidas, como a da laranja Baía, variedade originada no Brasil que conquistou produtores de outros países.
Introduzidas no Brasil pelos portugueses no século XVI, as frutas cítricas ganharam espaço ao longo dos séculos. No início do século XX, a expansão dos plantios, o uso de mudas enxertadas e o avanço da assistência técnica contribuíram para estruturar a citricultura paulista.
Um dos marcos desse processo foi a criação da Estação Experimental de Limeira, a quase 300 km de Rio Preto, em 1928, que deu origem ao atual Centro de Citricultura Sylvio Moreira, vinculado ao Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“A citricultura paulista foi muito beneficiada, principalmente no início dos anos 1900, pelo estímulo a novos plantios, pela utilização de mudas enxertadas e pelo fortalecimento da assistência ao setor, especialmente nas áreas de pesquisa e tecnologia”, afirma Dirceu Mattos Jr., diretor do Centro de Citricultura.
Atualmente, o Estado conta com 54 variedades comerciais de laranja registradas no Centro. Elas apresentam diferenças de sabor, época de maturação e finalidade de uso. A laranja Pera, por exemplo, representa cerca de 30% da produção de laranjas doces e abastece tanto o mercado de frutas frescas quanto a indústria de sucos. As variedades Natal, Valência e Folha Murcha também integram os pomares paulistas.
Produção bilionária e presença internacional
O peso da citricultura aparece nos números da economia estadual. Em 2025, a laranja destinada ao processamento industrial movimentou R$ 13,1 bilhões em São Paulo. Já a fruta comercializada para consumo in natura respondeu por R$ 3,8 bilhões, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA).
A pesquisa também tem participação direta na composição dos pomares: 90% das variedades cultivadas no Estado têm origem em trabalhos de desenvolvimento ou manutenção de matrizes genéticas realizados pelo Instituto Agronômico.
Nas últimas três décadas, a produtividade do setor aumentou duas vezes e meia, apesar de desafios fitossanitários, climáticos e econômicos e dos impactos de políticas globais, segundo Mattos Jr.
“A citricultura paulista tem apresentado, nas últimas décadas, uma característica ímpar no agronegócio. Nesses 30 anos, o setor superou pressões fitossanitárias, climáticas e econômicas, além dos impactos de políticas globais, alcançando um aumento de duas vezes e meia na produtividade. Poucas culturas apresentaram um avanço dessa magnitude, o que contribuiu significativamente para o crescimento da atividade”, destaca.
O desempenho também se reflete nas exportações. Entre janeiro e setembro de 2026, o grupo de sucos movimentou US$ 1,42 bilhão nas exportações do agronegócio paulista. Desse total, 96% corresponderam ao suco de laranja.
A variedade brasileira que ganhou o mundo
Uma das histórias da citricultura envolve a laranja Baía, identificada a partir de uma mutação espontânea na Bahia, no século XIX. A variedade se espalhou internacionalmente e passou a ser conhecida nos Estados Unidos como Washington Navel, com ampla presença na citricultura da Califórnia.
O nome estrangeiro faz referência a uma característica do fruto: a formação semelhante a um umbigo em uma das extremidades. Em inglês, “navel” significa justamente umbigo. A variedade se tornou importante para a produção de frutas destinadas ao consumo fresco.
“A Baía é uma variedade muito interessante, foi selecionada pelo setor e se tornou uma cultivar. Essa variedade ganhou o mundo, sendo levada para países como Estados Unidos e Austrália”, explica Mattos Jr. Segundo ele, a trajetória demonstra como uma variedade originada no Brasil conquistou espaço em mercados internacionais.
Outra curiosidade é que nem toda fruta popularmente chamada de laranja pertence, de fato, a esse grupo. É o caso dos kumquats, conhecidos como laranjas-anãs. Pequenos, eles podem ser consumidos com a casca e também são utilizados na preparação de doces, compotas e geleias.
Pesquisa busca novas variedades
O Centro de Citricultura Sylvio Moreira desenvolve pesquisas em melhoramento genético, fitossanidade, nutrição, biotecnologia e manejo. Nos últimos três anos, 24 novas variedades de citros foram lançadas e disponibilizadas, ampliando as alternativas para produtores e para a indústria.
A unidade também abriga o Banco de Germoplasma de Citros do Instituto Agronômico, uma das coleções mais importantes do mundo. O acervo reúne materiais genéticos utilizados em estudos científicos, no melhoramento das plantas e no desenvolvimento de novas variedades.
Greening desafia produtores
Entre as principais preocupações do setor está o greening, também conhecido como HLB, doença associada a bactérias e transmitida pelo psilídeo, um pequeno inseto que ataca plantas cítricas.
A Diretoria de Defesa Agropecuária, ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, monitora a ocorrência da doença e fiscaliza as medidas de prevenção e controle adotadas pelos produtores.
Os citricultores devem inspecionar as plantas a cada três meses e encaminhar relatórios semestrais de Cancro Cítrico e Greening pelo sistema informatizado de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (GEDAVE).
Em 2026, novas regras estaduais passaram a classificar os municípios conforme a incidência da doença, considerando os relatórios dos produtores e os levantamentos da Defesa Agropecuária. Nas localidades classificadas com baixa incidência, a eliminação de plantas com sintomas é obrigatória independentemente da idade. Nos municípios com alta incidência, a exigência se concentra nos pomares com plantas de até três anos.
O controle do psilídeo continua obrigatório em todo o Estado. A fiscalização também alcança a produção de mudas cítricas, com o objetivo de verificar a origem genética e as condições fitossanitárias das plantas utilizadas na formação de novos pomares.
-
Cidades1 diaMulher é assassinada pelo marido na frente da filha em Rio Preto
-
Cidades1 diaSuspeito de matar mulher em Rio Preto já respondeu por morte de ex
-
Cidades1 diaPassageiro é atingido na cabeça por peça de caminhão na Washington Luís
-
Cidades20 horasHomem que matou mulher a facadas em Rio Preto se entrega à polícia
