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Vereadores divergem sobre vitória de Lula e impacto para a cidade

Parlamentares da base governista e da oposição avaliam resultado nacional, discutem relação com Brasília e questionam efeitos políticos da derrota de Flávio Bolsonaro

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Divulgação/TV Câmara
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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República provocou avaliações distintas entre os vereadores de Rio Preto. Enquanto parlamentares defendem o respeito ao resultado das urnas e a manutenção do diálogo com o governo federal, outros demonstram preocupação com os efeitos políticos da derrota de Flávio Bolsonaro (PL), candidato que recebeu o apoio do prefeito Fábio Candido (PL).

No segundo turno, realizado no domingo (25), Lula obteve 51,79% dos votos válidos no país, contra 48,21% de Flávio. Foi a primeira vez que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter a disputa e vencer a eleição presidencial no segundo turno.

Em Rio Preto, o resultado foi diferente. Flávio recebeu 171.594 votos, o equivalente a 65,29% dos válidos, enquanto Lula somou 91.206 votos, ou 34,71%. A diferença local foi de 80.388 votos a favor do candidato do PL.

Apesar da ampla vantagem de Flávio no município, vereadores de diferentes partidos avaliam que a prioridade agora deve ser a busca por recursos e a solução de problemas locais. As opiniões divergem, porém, sobre a capacidade de articulação da Prefeitura com o governo federal e sobre o peso da eleição nacional no cenário político municipal.

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Vereadores apontam necessidade de diálogo com Brasília

O vice-presidente da Câmara, Paulo Pauléra (Progressistas), avaliou que erros da campanha de Flávio Bolsonaro contribuíram para a derrota. Entre eles, citou a repercussão de uma brincadeira envolvendo os nove dedos de Lula, que, segundo o vereador, teria ofendido pessoas com deficiência e familiares.

“Democraticamente ganhou, tem que governar e agora tem que pensar no Brasil”, afirmou Pauléra. Para ele, Lula tem experiência política para articular apoio de partidos de diferentes correntes ideológicas e formar uma base de sustentação no Congresso Nacional.

Sobre os efeitos para Rio Preto, Pauléra reconheceu que um governo de Flávio Bolsonaro poderia favorecer politicamente o prefeito, mas defendeu que o presidente eleito mantenha os repasses ao município, independentemente das diferenças partidárias.

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“Não é porque aqui é o Coronel que os recursos não vão continuar vindo”, disse. O vereador citou investimentos federais destinados à habitação em governos anteriores do PT como exemplo da importância da relação institucional entre as diferentes esferas de governo.

O vereador Alex de Carvalho (PSB) também não acredita em prejuízos diretos para a cidade. Segundo ele, o governo Lula já contribuiu com investimentos no município e não deve deixar de atender às demandas locais por causa do posicionamento político da administração municipal.

Na mesma linha, o presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), defendeu que o governo federal atenda às necessidades dos municípios independentemente do partido do prefeito. “Se ele prejudicar a cidade, ele está prejudicando também eleitores dele”, afirmou.

Oposição vê dificuldades para o prefeito

Entre os vereadores que apontam possíveis consequências políticas para Fábio Candido está Pedro Roberto (Republicanos). Para ele, a vitória de Flávio Bolsonaro teria fortalecido o prefeito e ampliado suas perspectivas políticas para as próximas eleições municipais.

“Isso cria uma dificuldade ao prefeito Fábio Candido, que, com certeza, se fosse o contrário, teria muito mais força politicamente”, avaliou.

Pedro Roberto também demonstrou preocupação com a relação entre a Prefeitura e o governo federal. Na avaliação dele, a falta de diálogo pode dificultar a obtenção de recursos para áreas como saúde, educação e habitação.

O vereador citou a necessidade de ampliar a oferta de moradias populares e afirmou que Rio Preto tem um déficit habitacional de aproximadamente 18 mil famílias. Ele defendeu a articulação com Brasília para ampliar os investimentos do Minha Casa, Minha Vida.

Em março de 2026, a Caixa Econômica Federal anunciou a contratação de 376 moradias do programa em Rio Preto e informou que outras 349 unidades estavam em fase de contratação, totalizando 725 previstas para o Residencial Clarisse Novelli Passos.

Renato Pupo (Avante) também relacionou a derrota de Flávio Bolsonaro ao cenário político local. Para ele, o resultado enfraquece o prefeito, que teria apostado na vitória do candidato do PL para fortalecer sua posição política.

Já Alexandre Montenegro (PL) afirmou que a Prefeitura precisará mudar a estratégia para buscar recursos federais. O vereador avaliou que o município enfrenta dificuldades financeiras e que o resultado nacional exigirá maior capacidade de articulação política.

“Agora vai ter que se posicionar com o prefeito, apartidariamente, para buscar recurso”, declarou. Montenegro também criticou a condução da campanha de Flávio Bolsonaro e classificou-se como candidato à presidência da Câmara.

Base governista defende foco nas demandas locais

Mesmo entre vereadores que apoiaram Flávio Bolsonaro, há manifestações em defesa do diálogo com o governo federal.

Klébinho Kizumba (PL) reconheceu a derrota e afirmou que o momento é de deixar as diferenças eleitorais de lado. Segundo ele, o município precisa concentrar esforços em reuniões com deputados e na busca por investimentos, inclusive diretamente com o presidente da República.

Bruno Moura (PL) também defendeu a aceitação do resultado. “A gente tem que aceitar. Não tem como culpar ninguém, culpar as urnas”, afirmou. Para ele, a eleição não deve alterar significativamente a rotina política local.

Felipe Alcalá (PL) reconheceu que o resultado não era o esperado, mas destacou a força da direita no Congresso Nacional. O vereador defendeu que os parlamentares atuem dentro das instituições e descartou a necessidade de manifestações contra o resultado.

“Não é momento de ninguém pensar em manifestações”, afirmou. Para ele, a prioridade deve ser a atuação política e institucional, com foco na melhoria das condições de vida da população.

Odélio Chaves (Podemos) também defendeu o respeito à decisão dos eleitores. “Todos nós estamos no mesmo barco. Se o país vai bem, vai bem para todos. Se o país vai mal, vai mal para todos”, declarou.

O vereador, no entanto, ponderou que eventuais dificuldades econômicas nacionais podem afetar a população local, especialmente por meio da perda do poder de compra e do aumento dos preços.

Vereadores de esquerda comemoram resultado

Entre os parlamentares que apoiaram Lula, Abner Tofanelli (PSB) comemorou a vitória e defendeu a continuidade dos programas sociais. O vereador afirmou que a decisão dos eleitores representa uma oportunidade para manter políticas públicas voltadas à população de menor renda.

Para Abner, o prefeito precisa deixar a disputa eleitoral para trás e procurar o governo federal para apresentar as demandas da cidade.

“Eu tenho certeza que o Lula vai receber ele muito bem”, afirmou, ao defender que Fábio Candido busque recursos em Brasília.

João Paulo Rillo (PT) também avaliou positivamente a vitória do presidente. Para o vereador, o resultado representa uma decisão importante para a democracia e para a continuidade das políticas públicas.

“A eleição do Lula é boa para o Brasil. Se é boa para o Brasil, é boa para Rio Preto”, afirmou.

Prorrogação da votação é questionada

Além das avaliações sobre o resultado, a decisão de ampliar o horário de votação foi alvo de críticas de Anderson Branco (Progressistas) e Jorge Menezes (PSD).

Branco afirmou que questionou a medida na tribuna da Câmara e classificou a prorrogação como uma possível ilegalidade. O vereador defendeu, como opinião pessoal, a realização de uma nova eleição.

“Para mim, foi uma ilegalidade e teria que ter novas eleições, na minha opinião”, declarou. Ele ressaltou que sua contestação se refere à decisão sobre o horário de votação, e não ao funcionamento das urnas eletrônicas.

Jorge Menezes também criticou a medida e afirmou que a mudança foi prejudicial à democracia. Apesar das ressalvas, defendeu a continuidade das políticas sociais e disse esperar que o novo mandato contribua para o desenvolvimento do país.

A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relatos de dificuldades no transporte público em diferentes cidades. O Tribunal Superior Eleitoral informou que a votação continuaria até as 19h nos locais em que as seções ainda não haviam encerrado os trabalhos às 17h. A decisão, por si só, não representa reconhecimento de irregularidade no resultado eleitoral.

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