Cidades
Golpe do anúncio de carro clonado faz nova vítima: prejuízo de quase R$ 10 mil
Estelionatário conversou as vítimas e fez a ‘ponte’ de um negócio que beneficiou apenas a ele
Veículo de R$ 25 mil por R$ 10,3 mil. Bom negócio, certo? Não para um rio-pretense, mais uma vítima do golpe do anúncio de venda de carro clonado e com valor bem abaixo da tabela. O fato foi registrado nesta quinta-feira (23) no bairro Aeroporto. De acordo com informações do boletim de ocorrência, o prejuízo da vítima ficou em quase R$ 10 mil.
O verdadeiro proprietário de um C3 EXCL 14 Flex vermelho, 34 anos, e as duas vítimas compareceram à Central de Flagrantes durante o horário do almoço. O automóvel foi anunciado em um site de compra e venda na internet por R$ 25 mil, segundo o dono declarou.
Após o anúncio, recebeu no chat do site a comunicação de um ‘interessado’ na compra, mas que na verdade se tratava do golpista. O homem disse a ele já pelo WhatsApp (com DDD 017) “que devia para um sócio o valor de R$ 27 mil, que se interessava em comprar o carro e passá-lo para o ‘tal’ sócio”. Ele solicitou ao proprietário “que excluísse o anúncio do site para não correr o risco do sócio ver que o valor do automóvel era R$ 25 mil, já que ‘devia’ a ele R$ 27 mil”.
O proprietário do C3 apagou o anúncio do site, mas não do ‘Market Place’ do Facebook, sendo que neste último aumentou a pedida para R$ 27,5 mil. Em seguida, o estelionatário disse a ele “que mandaria o ‘sócio’ ver o carro e se ele aprovasse, faria o pagamento no valor de R$ 27 mil. mas que o vendedor teria que devolver a ele R$ 2 mil [a diferença da ‘tal’ dívida]”.
Na última terça, o referido sócio foi até a casa do proprietário, que esteve a todo momento em contato com o criminoso pelo WhatsApp e não falou de valores com o ‘sócio’. Ele viu que o homem 42 anos (maior vítima da história) fez um Pix no mesmo dia para o estelionatário, mas pensou que fosse apenas “algum negócio ou problema na sociedade deles”. Por isso, não fez nenhum questionamento.
Após ver o carro e fazer o Pix, a vítima foi embora dizendo que voltaria depois para terminar o negócio. O proprietário do veículo buscou o comprador do na rodoviária nesta quinta e o levou até uma lotérica, onde afirmou “que faria um depósito em dinheiro para concretizar o negócio”.
Em seguida foram até o cartório e o dono do C3 ficou esperando o pagamento que seria feito pelo golpista para preencher o recibo em nome da vítima. Somente nessa hora ficou sabendo que a vítima mandou o dinheiro para o estelionatário afim de comprar o veículo, contando que viu o anúncio (clonado) no valor de R$ 10,3 mil, percebendo então, que haviam caído em um golpe. Depois disso, o dono do automóvel não conseguiu mais contato com o criminoso.
Já na delegacia, a vítima e a esposa confirmaram ao delegado que viram o anúncio por R$ 10,3 mil e que passaram a conversar com o estelionatário pelo WhatsApp (a mesma pessoa que estava conversando com o proprietário verdadeiro do C3). Ao casal, o golpista afirmou “que o veículo estava entrando para ele para receber uma dívida que o dono, que seria um cunhado, tinha com ele e não precisava do veículo, por isso estava vendendo mais barato”.
A orientação foi para a vítima ir até a casa do ‘cunhado’ ver o carro e que se gostasse, que ele mesmo se acertaria com o referido parente. O golpista mandou várias fotos do C3 (todas copiadas do anúncio original), número do Renavam, localização do endereço, etc.
Após verem o automóvel, fizeram o Pix no mesmo dia para o golpista no valor de R$ 4,9 mil, pois o limite não permitiu fazer o pagamento total (R$ 10,3 mil) para uma conta em nome de uma mulher. Por isso foram embora e voltaram na quinta para terminar o negócio. Foram buscados na rodoviária pelo dono do C3 e fizeram um depósito de R$ 4,6 mil na lotérica, este para uma conta em nome de uma pessoa física de nome masculino, mas diferente do que se apresentou o estelionatário.
No cartório ficaram sabendo que o ‘cunhado’ na verdade era o verdadeiro dono do C3, que havia um anúncio original de R$ 27 mil e que ele estava esperando o pagamento, que é claro, não veio. Eles também tentaram contato com o golpista, mas sem sucesso e tiveram a confirmação que se tratava de um golpe.
O casal pediu para que constasse no BO que um cliente do cartório, o qual não conhecem, ao saírem do local, disse a eles algo que pareceu que esse cliente conhecia o dono do carro e que poderia estar envolvido no golpe. Os comprovantes das transações bancárias foram incluídas no documento e o C3 permaneceu com o dono, restando ao casal o prejuízo total de R$ 9,5 mil.
As vítimas foram orientadas quanto ao prazo de seis meses que tem para representar criminalmente (processar) contra o autor, tempo este que só passa a contar quando o criminoso for devidamente identificado. O registro de estelionato foi encaminhado para a delegacia correspondente a área dos fatos, que vai proceder a investigação.
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