Política
Marcondes é indiciado pela PF por compra de votos
Legislação prevê pena de um a quatro anos de prisão; caso será julgado em vara criminal de Rio Preto
O vereador e ex-presidente da Câmara de Rio Preto Fábio Marcondes foi indiciado pela Polícia Federal por compra de votos. Ele foi até a sede da PF em Rio Preto na manhã desta sexta-feira, 10, para prestar depoimento, mas ficou calado o tempo todo. Foram duas horas de perguntas por parte do delgado da PF, mas o vereador não respondeu aos questionamentos.
A tática da defesa teria sido adotada por orientação dos advogados de defesa de Marcondes, o delegado responsável pela investigação disse à imprensa que as investigações já levantaram provas suficientes para o indiciamento pelo crime de compra de votos, cuja pena prevista é de um a quatro anos de prisão.
Segundo o delgado-chefe da PF em Rio Preto, André Luís Kodjaoglanian, “foi observado a existência do fato criminoso”. Segundo ele, o silêncio do investigado não prejudica o trabalho da PF. “As provas falam por si”. Ele afirma que o caso será encaminhado agora à Justiça.
Uma das testemunhas que depôs em audiência no processo eleitoral proposto pelo Ministério Público Eleitoral, um agente da PF que participou das investigaçõs, explicou que valores encontrados na lista de presentes que Marcondes teria oferecido a eleitores “batem” com os anotados em canhotos de talão de cheque da conta de campanha do vereador. Relatou ainda que há na lista uma suposta doação de tinta a um dono de bar. Segundo o depoimento, posteriormente, a PF constatou que o prédio que abriga o estabelecimento comercial está com a pintura da calçada nova.
O agente relatou ainda que há indícios de que um cadeirante teria recebido a proposta de “trocar” o conserto de sua cadeira de rodas pelo apoio a Marcondes. Apoiador de outro vereador nas eleições passadas, o cadeirante teria garantido que conseguiria pelo menos 30 votos em troca do “presente”.
O policial afirmou também que buscou identificar eleitores que teriam recebido para trabalhar na campanha apenas no dia da eleição, o que é proibido. Segundo apurado pela PF, as negociações e pagamentos só podiam ser feitas, por orientação da campanha, pessoalmente.
Segundo ele, nas anotações apreendidas com Rogério Martins – ex-cabo eleitoral de Marcondes – constavam, junto aos nomes do eleitores, as zonas eleitorais em que votam. Isso indicaria uma forma de pressionar os beneficiários do suposto esquema de compra de votos a cumprir o combinado.
O caso será encaminhado agora a uma das varas criminais de Rio Preto que vai julgar o vereador com base no artigo 299 do código eleitoral.
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