Política
Prefeitura terá primeira chance de medir base aliada
Polêmicos, primeiros projetos da nova gestão serão apresentados a uma Câmara dividida
A rebeldia de uma parte dos vereadores de Rio Preto – mais especificamente o grupo aliado ao ex-prefeito Valdomiro Lopes – pode custar caro ao Executivo, que assumiu o comando da cidade há pouco mais de um mês e agora começa a enviar projetos aos parlamentares. Serão votados na sessão ordinária da próxima terça-feira, dia 14, em regime de urgência, dois projetos de lei complementar e um de emenda à Lei Orgânica – todos de autoria do prefeito Edinho Araújo (PMDB). Será a prova de fogo para saber o tamanho real do apoio que o governo tem atualmente no Legislativo.
Os dois primeiros projetos criam nove cargos comissionados (de livre nomeação), duas diretorias e três divisões a um custo mensal aproximado de R$ 45 mil. Se aprovados, os projetos vão criar a Diretoria do Bem-Estar Animal (dentro da Secretaria de Saúde) e a Diretoria de Acessibilidade e Mobilidade (subordinada à Secretaria de Trânsito). Na Defesa Civil, serão criadas as divisões de Prevenção de Incêndio e Primeiros Socorros; de Gestão de Riscos e Gerenciamento de Desastres; e Administrativa.
Em relação aos cargos, serão dois de diretor, quatro de assessor especial e três de chefia de divisão. Para cada nova divisão, será criada, caso os projetos sejam aprovados sem alterações, um cargo de livre nomeação chefe de divisão com salário de R$ 3,2 mil. As propostas são polêmicas e já provocam discussão na Casa justamente por gerarem gastos em um momento no qual o prefeito anuncia de forma recorrente na imprensa que o município precisa economizar por conta da queda de receitas provocada pela crise econômica.
A confiança da Prefeitura na aprovação das iniciativas é tamanha que o nome do ex-secretário de Trânsito Amaury Hernandez já foi anunciado pelo governo como diretor de Acessibilidade e Mobilidade Urbana, ainda no final do ano passado. Caberá a ele, caso seja aprovada a proposta, fiscalizar a execução do Plano de Mobilidade Urbana, herança do governo Valdomiro Lopes (PSB) que está em andamento e vai custar cerca de R$ 200 milhões. “Todos os cargos e divisões que queremos criar são importantes. A Defesa Civil está abandonada e por muita sorte não tivemos nenhuma tragédia na cidade nos últimos anos”, afirmou o secretário de Governo, Jair Moretti. É dele a função de fazer a interlocução entre o prefeito e os vereadores, aliados e de oposição, antes de votações importantes como as de terça-feira.
Gasto com novas estruturas
Em defesa da criação de cargos e departamento, Moretti alega que o governo fechou a torneira em outros setores para poder compensar o gasto com as novas estruturas. “Só o que estamos economizando com o fim das horas-extras na maioria das secretarias supera, em muito, o custo da aprovação desses projetos”, afirmou o secretário. Ele diz que aproveitou encontro supostamente casual ocorrido no fim da tarde de quarta para reforçar a importância da aprovação desse projeto junto aos vereadores aliados do ex-prefeito. O encontro, ocorrido na garagem do Legislativo, contou com a presença dos vereadores José Carlos Marinho (PSB), Celso Peixão (PSB), Anderson Branco (PR) e Paulo Pauléra (PP). “Se eles votarem contra esses projetos, estariam votando contra a cidade. Eu quero acreditar e insistir que eles têm cidadania”, disse.
A maioria dos vereadores do grupo pró-Valdomiro ouvidos pela Gazeta afirmaram, no entanto, que ainda vão avaliar o conteúdo dos projetos. O prefeito também enviou à Câmara projeto de Emenda à Lei Orgânica que estabelece novos prazos para o encaminhamento do Plano Plurianual ao Legislativo e os prazos para a votação em Plenário. Aprovado, o texto vai deixar mais clara a tramitação da proposta.
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