Cidades
Norberto Buzzini morre aos 95 anos e deixa legado ligado à história de Rio Preto
Diretor-presidente do Diário da Região, jornalista, advogado, empresário e ex-vereador teve atuação marcante na imprensa, na política, no esporte e na vida comunitária de Rio Preto
O jornalista, empresário, advogado e ex-vereador Norberto Buzzini morreu na manhã desta quarta-feira (12/8), aos 95 anos, em Rio Preto. Diretor-presidente do jornal Diário da Região por mais de seis décadas, ele teve sua trajetória profissional e pessoal profundamente relacionada à história do município.
Conforme publicado pelo grupo Diário da Região, na reportagem do jornalista Milton Rodrigues, Norberto Buzzini nasceu em 16 de janeiro de 1931 e formou-se em Direito pela Faculdade Fluminense de Direito, em Niterói, em 1956. Sua atuação, porém, ultrapassou a área jurídica e se concentrou principalmente na comunicação, na vida pública e no esporte.
A relação com o Diário da Região começou no fim de 1959, quando participou da aquisição do jornal. A partir de 1960, passou a comandar a publicação e permaneceu à frente do veículo durante décadas, acompanhando as principais transformações de Rio Preto e da região.
Sob sua direção, o jornal se consolidou como uma das principais referências da imprensa regional. Em 1988, Buzzini ampliou sua participação no setor de comunicação ao fundar e dirigir a rádio FM Diário.
Atuação política e comunitária
A trajetória de Norberto também foi marcada pela participação na vida pública. Ele exerceu o cargo de vereador de Rio Preto entre 1964 e 1968 e ocupou a função de primeiro-secretário da Câmara Municipal em 1967. No ano seguinte, disputou a Prefeitura pelo MDB, em um período de grande tensão política no país.
Antes disso, durante a administração do prefeito Alberto Andaló, seu primo, presidiu a Comissão Central de Esportes entre 1958 e 1959. Também foi vice-presidente da Liga Riopretense de Combate à Tuberculose e integrou a Associação Comercial e Industrial de Rio Preto.
No esporte, teve uma ligação especialmente forte com o Palestra Esporte Clube, instituição que presidiu de 1969 a 1981. Quando assumiu o clube, encontrou uma estrutura em dificuldades e trabalhou na reorganização e no fortalecimento da entidade, deixando sua contribuição para a história esportiva do município.
Buzzini também integrou a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Desde 17 de dezembro de 2009, era membro honorário da Academia Riopretense de Letras e Cultura.
Infância, família e raízes italianas
Filho de Antônio Buzzini, sapateiro, e Adelina Alário, Norberto era neto de imigrantes italianos da Calábria e de Milão. Ainda adolescente, aos 13 anos, começou a trabalhar na Casa Buzzini, estabelecimento da família localizado na rua General Glicério, onde auxiliava o pai enquanto conciliava o trabalho com os estudos.
Ao longo da vida, construiu a família ao lado de Neuza Castro Buzzini, que morreu antes dele. Deixa os filhos Débora, Fabiano e Luciana e os netos Murilo, Fábio, Clara, Lorenzo e Lucas.
Norberto e os irmãos Norma, Normando, Noêmia, Noélia, Noraide e Nondina cresceram em uma família marcada por fortes valores, que, segundo o relato sobre sua trajetória, permaneceram como uma das bases de sua vida.
Ao longo de 95 anos, Buzzini esteve presente em diferentes momentos da história de Rio Preto, seja por meio do jornalismo, da comunicação, da política, do esporte ou da atuação comunitária. Sua trajetória se tornou parte da memória da cidade que acompanhou por décadas e à qual costumava se referir, de maneira bem-humorada, como sua “Roma Eterna”, em alusão às origens italianas de sua família.
Os detalhes sobre o velório e o sepultamento deverão ser divulgados posteriormente pela família.
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