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Artigo escrito pelo jornalista Rodrigo Dias

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Tiro, porrada e bomba resumem os anos de chumbo inicialmente vividos na Europa Ocidental e trazidos a realidade brasileira com a edição do Ato Institucional número 5 (AI-5) pelo então presidente General Emílio Médici.

Os anos de chumbo no Brasil marca o período de maior repressão histórica causado por um governo inconsequente que suprimiu direitos – que, além disso, visava independência de governo – retirando até a soberania do Congresso Nacional, infringindo a institucionalização do Estado Democrático de Direito e, tratando com total descaso e desrespeito uma instituição de suma importância.

            Uma ruptura ao agente político desgastado pelo sistema não configura-se pela adoção de um regime totalitário mas quando há o respeito por uma instituição em atividade há quase 200 anos – Congresso Nacional –, quando se cumpre leis e mostra de fato que na aplicação seu material eleitoral é efetivo na quebra do sistema que aparelhou os poderes trazidos por governos anteriores.

 Adotar uma postura sensata é reconhecer a Constituição Federal e cumprir as leis, e em caso de discordância respeitar ao sistema presidencialista de coalizão e suas atribuições fazer através deste. De forma que é uma ofensa ao regime legislativo e democrático um deputado eleito pelo povo proferir uma cusparada noutro, é uma afronta desrespeitar a soberania de uma casa legislativa.

A entrevista concedida pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, é no mínimo inconsequente e impensada, de forma que não mede os resultados da eleição do ano passado, em que pese que se houvesse um ato equiparado ao citado, jamais seria eleito o deputado federal mais votado da história, desrespeitando o sistema democrático eleitoral, assim, é preocupante o desrespeito ao caput do artigo primeiro da legislação nacional de nosso país que traz a redação que todo o poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente através de iniciativas populares.

Com a entrevista dada pelo deputado à jornalista Leda Nagle nota-se um vestígio do anseio por parte do chefe de Estado ou representantes de governar sozinho, trazendo a figura autônoma do executivo eximindo a harmonia entre poderes resguardada pelo artigo 2º da Constituição Federal, semelhante ao governo do ex-presidente Médici.

Ao invés de promoção de ações que trazem manchas a nossa bandeira, o deputado ignora a limpeza quando esquiva-se de menções ao envolvimento em sujeiras, ao fato de seu irmão, senador Flávio Bolsonaro, não assinar a CPI da Lava-Toga, que investigaria as comunicações de parlamentares com os magistrados da suprema corte.

Rodrigo Dias, jornalista e militante político de direita.

 

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