Cidades
Operação da Polícia Civil mira receptação de cobre no Noroeste Paulista
Ação vistoria 33 comércios de sucata na região de Rio Preto
A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (24/7), uma grande operação para combater a receptação de metais furtados, especialmente cabos de cobre, no Noroeste Paulista. Batizada de “Cegueira Deliberada”, a ação teve como foco a repressão a comércios de sucata e reciclagem que estariam adquirindo materiais sem comprovação de origem legal.
Coordenada pela Delegacia Seccional de Rio Preto, a ação mobilizou 93 policiais civis, 39 viaturas e contou com o apoio de equipes da CPFL, da operadora Vivo e das Fazendas Municipais. Ao todo, foram vistoriados 33 estabelecimentos suspeitos em Rio Preto, Mirassol, Bálsamo, Nova Granada, Ibirá e José Bonifácio.
As investigações indicaram um aumento expressivo nos furtos de fios elétricos e de telefonia na região, provocando prejuízos a empresas e transtornos à população. Segundo a Polícia Civil, parte significativa dos materiais roubados era repassada a empresas do setor de sucatas que, mesmo diante de evidências da origem criminosa, optavam por ignorá-las — daí o nome da operação.
Durante a ação, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão, resultando, até o momento, em duas prisões em flagrante e na apreensão de toneladas de cobre e outras ligas metálicas. Na véspera da operação, as equipes realizaram fiscalizações noturnas em comércios que operam 24 horas, como forma de conter a entrada de produtos ilegais fora do horário comercial.
Todos os estabelecimentos vistoriados foram notificados sobre a proibição de comercializar metais sem origem comprovada. A notificação passará a embasar futuras prisões em flagrante. De acordo com o artigo 180 do Código Penal, a receptação qualificada não exige que o comerciante tenha dolo direto — basta que ele ignore deliberadamente a procedência ilícita.
Os investigados podem responder por receptação qualificada, crime que prevê pena de 3 a 8 anos de prisão. A Polícia Civil alerta que empresas de sucata devem ter controles rigorosos para evitar a compra e venda de materiais roubados e furtados.
“Não há crime patrimonial sem receptação. Quem lucra com materiais furtados será responsabilizado”, afirmou o delegado Everson Contelli, responsável pela operação.
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(Polícia Civil)
