Cidades
Pai de motorista que atropelou adolescente em Rio Preto publica carta aberta
Contador lamentou a morte de Débora Felício, pediu perdão à família e afirmou que a filha tem CNH e permaneceu no local prestando socorro
O contador Rafael Falco, pai da motorista envolvida no atropelamento que matou a adolescente Débora Felício da Silva, de 15 anos, publicou uma carta aberta nas redes sociais para lamentar a morte da jovem, manifestar solidariedade à família e defender a filha diante das críticas que surgiram após a tragédia.
Na publicação, Rafael afirma que a filha também está profundamente abalada com o ocorrido e pede que ela não seja tratada como uma assassina. Segundo ele, a motorista possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH), não dirigia em excesso de velocidade, não estava alcoolizada e permaneceu no local durante toda a ocorrência, prestando auxílio à adolescente.
O pai também relata que a filha teria parado o veículo imediatamente após o atropelamento e, junto com duas amigas que estavam no carro, iniciado os primeiros socorros. Segundo o relato, elas acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiros e a Polícia, permanecendo no local até o fim da ocorrência.
Rafael afirma ainda que uma das amigas, identificada como Duda, realizou massagem cardíaca em Débora por mais de 15 minutos, seguindo orientações recebidas por telefone do Samu, enquanto aguardava a chegada do atendimento. Outra amiga, Laura, teria permanecido ao lado da motorista, tentando acalmá-la e também auxiliando no socorro.
A publicação foi feita em meio à repercussão da morte da jovem aprendiz e às manifestações nas redes sociais. Testemunhas já haviam relatado que a motorista estava bastante abalada após o atropelamento.
O contador também recebeu mensagens de apoio e solidariedade de seguidores. Cidinha Morelli afirmou que, antes de qualquer julgamento, é necessário conhecer os fatos e demonstrar empatia com as pessoas envolvidas.
“Com certeza os julgadores de plantão, haverão de condenar alguém, é sempre assim. Mas jamais devemos julgar alguém, ainda mais se a pessoa está, sóbria, lúcida, e dentro da lei, isso pode acontecer a qualquer um. Meus sinceros sentimentos a todos familiares e também à vocês que estão passando por esse trauma. Fiquem na paz de Jesus. Ele é o único que lhes dará a paz.”
Jennifer Bertelli também comentou sobre o sofrimento da motorista e da família da adolescente:
“Quem julga é porque não sabe os reais fatos. Ninguém foi culpado, quem a conhece sabe o quanto ela é uma menina amável e deve estar sofrendo. Só Deus para amenizar toda essa situação, tanto de vocês como família da Débora. Que Deus possa confortar todos. Ninguém merece passar por toda essa situação.”
Já Nina Morais chamou atenção para a falta de uma estrutura segura para a travessia da rodovia e relatou a dificuldade enfrentada por moradores da região. “Único culpado é o município pela falta dessa passarela. Há anos eu moro do lado do Mix e vejo como as pessoas que trabalham e estudam em volta sofrem para atravessar essa rodovia para pegar ônibus na chuva. Isso é pior ainda.”
Leia a carta aberta de Rafael Falco, na íntegra, abaixo:
Ao falar sobre a família da adolescente, Rafael pediu perdão e afirmou que reconhece a dimensão da dor provocada pela morte de Débora. Ele também declarou que decidiu se manifestar ao ver o sofrimento da filha e diante dos julgamentos feitos nas redes sociais.
“Não íamos escrever. Porém ver minha filha sofrendo com tudo isso me mata por dentro! Quem me conhece sabe! Aos familiares da Débora meu sincero perdão por tudo, minha extrema solidariedade, e estou aqui caso precisem após os ânimos acalmarem, sei que essa dor, nunca ninguém vai apagar! Nada apaga! Apenas o tempo vai amenizar a dor!
Ninguém sai de casa pra isso! Nem quem foi trabalhar! Nem quem está dirigindo a caminho da escola! Minha filha não teve culpa, mas sim ela está muito abalada, ela é humana, tem sentimentos e entende a dor causada à família, mesmo sem ter culpa, ela vai carregar esse sentimento sempre, mas infelizmente foi uma triste fatalidade, sem culpados! E ela está sofrendo com tudo isso. Quem está julgando ou atribuindo culpa devia ter empatia.
Então o óbvio precisa ser dito: ela tem CNH, ela não estava em excesso de velocidade, se não a tragédia teria sido muito maior.
Ela não estava alcoolizada, foi feito teste. Ela não fugiu ou omitiu socorro, ela esteve lá a todo momento e fez o que pode pra salvar a Débora.
A parte que os familiares não sabem e nenhuma reportagem contou, foi que ela parou o carro no mesmo momento, conseguiu sair na lateral da pista e ela e as amigas que estavam no carro, prestou socorro na hora para a Débora. Ligaram pro Samu, pros bombeiros, pra polícia e ficaram lá juntas, até o final.
Agradeço a Duda que estava no carro com a Rafaela pois ela foi sensacional, pois foi ela quem fez a massagem cardíaca por mais de 15 min. com a orientação pelo telefone do Samu, enquanto nenhum socorro chegava, ela tentou de todas as formas salvar a Débora. Agradeço a Laura que também estava no carro e cuidou da Rafaela enquanto tudo isso acontecia, tentando acalmar ela e ajudando a prestar o socorro.
Agradeço a todos os amigos que de uma forma ou outra foram solidários, prestativos, lembro o nome de cada um e sempre vou guardar no meu coração.
Nada vai diminuir a dor da família, eu sei! Porém eu precisava falar!
Perdão à família!!! Que Deus dê o discernimento ao coração de cada um para superar essa dor insuperável!
E um pouco de empatia pela minha filha.”
Relembre o acidente
Débora Felício da Silva, conhecida nas redes sociais como “Débora Wolff”, morreu na noite de segunda-feira (10/8), aos 15 anos, depois de ser atropelada na Rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), em Rio Preto.
A adolescente havia acabado de sair do trabalho, onde atuava como jovem aprendiz em um supermercado atacadista, e seguia em direção ao ponto de ônibus. Durante a tentativa de atravessar a rodovia, foi atingida pelo automóvel.
Segundo informações apuradas pela Gazeta de Rio Preto, a motorista permaneceu no local e prestou socorro. Quando as equipes de resgate chegaram, Débora estava em parada cardiorrespiratória.
Na sequência, a equipe da Unidade de Suporte Avançado (USA) do Samu assumiu o atendimento. A adolescente foi intubada e recebeu aproximadamente 32 minutos de massagem cardíaca.
Em determinado momento, houve retorno da circulação, mas o quadro voltou a se agravar. Apesar dos esforços das equipes de emergência, Débora não resistiu e morreu ainda no local.
O corpo da adolescente foi velado na terça-feira (11), no Cemitério Municipal de Guapiaçu, e sepultado na manhã da última quarta (12).
A morte provocou forte comoção e também reacendeu a cobrança de moradores por uma travessia mais segura na Rodovia Assis Chateaubriand, especialmente para trabalhadores e estudantes que precisam atravessar a pista diariamente.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do atropelamento.
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