Cidades
Segurança será julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio em bar de Rio Preto
Keven Ígor Silveira Novaes responde por homicídio duplamente qualificado; defesa sustenta legítima defesa, enquanto assistência de acusação afirma que vítima estava desarmada
A Justiça de Rio Preto decidiu que o segurança Keven Ígor Silveira Novaes será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri pela morte de Giovani Svolkin da Silva, ocorrida em 26 de outubro de 2025, em frente ao Bar Resenha, no Jardim Santa Cruz, no município. A decisão foi tomada pela Vara do Júri de Rio Preto e significa que o caso será analisado pelos jurados. A pronúncia, porém, não representa uma condenação.
De acordo com o processo, Giovani foi atingido por disparos de arma de fogo depois que uma discussão generalizada começou no estabelecimento. A dinâmica que antecedeu os tiros é apresentada de maneiras diferentes pelas partes.
A defesa afirma que Keven reagiu para proteger a própria integridade física e a de familiares que estavam no local. Segundo os advogados, o acusado teria agido em legítima defesa dos pais diante de agressões físicas.
Já a acusação relata outra sequência. Conforme essa versão, Keven teria deixado o local da briga, ido até o próprio veículo para pegar uma arma e, depois, retornado e efetuado os disparos contra Giovani.
Ao decidir pela pronúncia, a juíza Gláucia Véspoli Oliveira entendeu que as diferentes versões apresentadas no processo, incluindo a alegação de legítima defesa e as circunstâncias qualificadoras atribuídas ao homicídio, deverão ser avaliadas pelo Tribunal do Júri.
Na decisão, a magistrada afirmou: “A legítima defesa alegada pelo réu não está robusta e indubitavelmente comprovada, devendo ser submetida ao Juízo Competente, assim como eventual excesso”.
Keven foi pronunciado por homicídio duplamente qualificado, tendo como qualificadoras o motivo fútil e o recurso que teria dificultado a defesa da vítima. A Justiça também manteve a prisão preventiva do acusado. Com isso, ele permanecerá preso até a realização do julgamento e não poderá recorrer da decisão de pronúncia em liberdade.
O julgamento ainda não tem data definida.
Assistência de acusação
O advogado Juan Siqueira, que representa a família de Giovani e atua como assistente de acusação, afirmou à Gazeta de Rio Preto que a decisão é resultado do trabalho realizado pela defesa dos interesses da família durante o processo.
“A pronúncia é fruto de um trabalho técnico de nossa atuação na assistência de acusação. Desde o princípio procuramos demonstrar que a versão do réu, que assassinou Giovani com dois tiros, sendo na maior covardia pelas costas, era inverídica. Para tanto, contamos com a expertise dos peritos, que confirmaram todas as impressões desse assistente de acusação, quais sejam: que houve um tiro desferido pelas costa; que não havia nenhuma situação de legítima defesa no momento em que o agressor atirou numa pessoa desarmada e sem reação. Seguimos para a próxima fase na certeza que o Tribunal do Povo dará a pena merecida para o réu!”
Defesa sustenta legítima defesa
Os advogados Dr. Renato Marão e Dr. Carlos Nimer, responsáveis pela defesa de Keven Ígor, afirmaram à Gazeta de Rio Preto que a decisão apenas encaminha o caso para julgamento e não significa que o acusado tenha sido condenado.
“Os advogados Dr. Renato Marão e Dr. Carlos Nimer, responsáveis pela defesa de Keven Ígor Silveira Novaes, esclarecem que a decisão de pronúncia encaminha o caso ao Tribunal do Júri, mas não constitui condenação. Embora não tenha acolhido o pedido de absolvição nesta fase, a própria decisão registra que a tese de legítima defesa deverá ser apreciada pelos jurados. Portanto, essa discussão permanece aberta. A defesa mantém o entendimento de que Keven agiu para proteger a si e seus familiares em um contexto de agressões. A análise dessa tese exige considerar toda a sequência dos acontecimentos, com exame conjunto dos depoimentos, das imagens e das provas periciais. Respeitamos a decisão judicial e estamos avaliando as medidas processuais cabíveis. Seguiremos trabalhando para que todos os elementos relevantes à defesa sejam devidamente considerados. Lamentamos profundamente a perda de uma vida e respeitamos a dor dos familiares. Nosso compromisso é com uma defesa responsável, com a presunção de inocência e com um julgamento justo, baseado na análise integral das provas.”
Família de Keven falou à Gazeta
Em julho deste ano, os pais de Keven concederam uma entrevista exclusiva à Gazeta. Foi a primeira vez que eles falaram à imprensa desde o episódio e apresentaram a versão da família sobre o que aconteceu naquela noite.
A entrevista completa pode ser assistida aqui.
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