Saúde
Rio Preto entra na lista de regiões prioritárias contra dengue
Cidade está entre as 11 áreas do Estado que terão ações reforçadas contra dengue, chikungunya e zika
Rio Preto e região estão entre as áreas consideradas prioritárias pelo Governo de São Paulo para prevenção e resposta às arboviroses diante da possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño nos próximos meses. O alerta ocorre em um momento em que o município de Rio Preto aparece entre os que concentram os maiores números de casos de dengue no Estado em 2026.
A classificação faz parte do Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) para antecipar riscos, orientar os municípios e preparar a rede de atendimento para possíveis impactos do fenômeno climático.
Dos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) do Estado, 11 foram classificados como prioritários para as ações relacionadas às arboviroses. Além de Rio Preto, estão na lista Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e São João da Boa Vista.
A preocupação está relacionada principalmente à combinação de calor e chuva, condições que podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. O cenário também pode provocar aumento da procura por serviços de saúde e das internações.
“A alternância entre períodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses. O Estado está se antecipando a esse cenário, com o reforço da vigilância e a preparação dos serviços de saúde”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP. Segundo ela, a participação da população continua sendo fundamental, especialmente com a eliminação de recipientes que acumulam água.
Rio Preto está entre cidades com maior número de casos
Dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES) mostram que São José do Rio Preto está entre os municípios paulistas com maior incidência de dengue em 2026. Até 5 de setembro, a cidade contabilizava 7.535 casos confirmados, segundo levantamento divulgado pela Agência Brasil.
Quando considerado o coeficiente de casos por 100 mil habitantes, Rio Preto aparece entre os três municípios do Estado com maior incidência, ao lado de Araçatuba e Presidente Prudente. A taxa é utilizada para comparar municípios de diferentes tamanhos populacionais.
No Estado, até 5 de setembro, eram 58.683 casos confirmados de dengue, além de 65.939 casos prováveis e 7.256 notificações ainda em investigação.
Apesar da situação regional, o número estadual representa uma queda expressiva em relação ao ano passado. Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, São Paulo contabilizava 58.271 casos, contra 855.132 no mesmo período de 2025, uma redução de 93,2%.
A melhora no cenário epidemiológico, no entanto, não levou o Estado a reduzir a vigilância. A Secretaria mantém o acompanhamento dos indicadores e prepara a rede para uma eventual mudança no padrão de transmissão.
El Niño pode aumentar risco nos próximos meses
O plano estadual considera diferentes cenários associados ao El Niño, entre eles chuvas extremas, enchentes e deslizamentos, ondas de calor e queimadas e aumento da circulação de arboviroses.
Para a dengue, chikungunya e zika, as medidas incluem reforço da vigilância epidemiológica, acompanhamento dos indicadores, controle do mosquito e organização da rede de atendimento para uma eventual elevação da demanda.
O monitoramento climático indica possibilidade de um El Niño de forte intensidade entre setembro e novembro. A previsão considera temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em partes do Estado de São Paulo.
O governo estadual também aponta que crianças e idosos estão entre os grupos que exigem atenção especial diante dos impactos do fenômeno, principalmente em situações de calor extremo e eventos climáticos adversos.
Prevenção depende também dos moradores
A SES-SP recomenda que os moradores façam uma vistoria semanal em casas, apartamentos e áreas externas, especialmente depois das chuvas. O objetivo é eliminar pontos que possam servir de criadouro para o Aedes aegypti.
Entre as medidas estão manter caixas-d’água e reservatórios fechados, limpar calhas, colocar areia nos pratos de vasos de plantas, lavar recipientes que armazenam água, manter garrafas viradas para baixo e descartar corretamente pneus, embalagens e outros objetos que possam acumular água.
Também é necessário verificar quintais, varandas, ralos e áreas de serviço após períodos de chuva.
“Fazer uma vistoria semanal e eliminar recipientes com água parada são medidas simples e eficazes”, reforça Regiane de Paula.
Sintomas exigem atenção
A dengue costuma provocar febre alta de início repentino, geralmente acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, fraqueza, náuseas, vômitos, manchas vermelhas e coceira.
Alguns sinais exigem atendimento médico imediato, principalmente quando aparecem no período em que a febre começa a diminuir. Entre eles estão dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos e cansaço intenso.
Em caso de suspeita de dengue, a orientação é procurar um serviço de saúde e evitar a automedicação.
O Governo de São Paulo também mantém o Dengue 100 Dúvidas, plataforma que reúne respostas para as principais perguntas sobre dengue, chikungunya e zika e orientações sobre prevenção, sintomas e tratamento.
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