Política
Confira os bastidores da política desta sexta-feira, dia 5 de setembro
Jornalista Bia Menegildo traz as principais notícias do poder regional
Falácias
Por incrível que pareça, teve quem se debruçou sobre o Projeto de Lei Complementar sobre o IPTU e fez questão de fazer uma análise detalhada daquilo que hoje está sendo vendido pelo prefeito Fábio Candido (PL) como uma redução do imposto pago pelos proprietários de imóveis. A pessoa é entendida de finanças públicas e garantiu que a proposta ainda vai causar grandes problemas para muita gente
Tecnicamente
Segundo o profissional de finanças, que preferiu não se identificar, o cálculo do imposto é feito a partir do valor venal dos imóveis e a grande sacada para reajustar a taxa para cima está na mudança deste cálculo. Como exemplo, um imóvel com valor de mercado em cerca de R$ 300 mil, tem hoje valor venal em torno de R$ 50 mil. “Ao jogar o valor venal para cima, certamente o IPTU vai junto e isso vai doer no bolso”, afirmou.
Contas
O primeiro ponto em destaque é a questão da quantidade de imóveis da cidade. De acordo com o prefeito, a proposta isenta cerca de 130 mil imóveis do pagamento do imposto. “Se realmente for isso, temos um grande problema de ordem financeira na cidade. Rio Preto tem cerca de 250 mil imóveis. Será que o restante vai conseguir abastecer os cofres públicos pelo prazo de um ano?”, acrescentou o questionador.
Tem mais
Ainda de acordo com o profissional, nem mesmo os bairros mais pobres estão livres de aumento. No Solo Sagrado, que hoje tem IPTU de em média R$ 300, vai subir para R$ 1,2 mil. “Mesmo com o desconto de R$ 600, vai dobrar a taxa dos mais pobres. Black Friday digna de brasileiro esperto”. Outro ponto destacado foi o Quinta do Golfe, com taxas que podem passar de R$ 100 mil ao ano. “Isso não existe!”, afirmou, com o dedo em riste.
Taxa do lixo
Além do reajuste do IPTU, o prefeito também mandou propostas com outros temas que são até mais espinhosos, como passar a coleta de lixo para o Semae. “A matemática é básica. Coloca-se a futura taxa do lixo junto com a conta de água. Não pagou a fatura, corta a água. Garante que vai ter dinheiro para a coleta do lixo fazendo o trabalhador passar aperto diante do reajuste”, finalizou o assunto IPTU.
A grana
O cancelamento do empréstimo do Semae também não foi esquecido. “Não vai ter multa. A Caixa vai apenas mudar o objeto do empréstimo. Os R$ 650 milhões estão garantidos. Porém, ninguém se atentou à pegadinha. Para realizar a obra do Semae, iriam ser usados os R$ 650 milhões. Com essa mudança, Rio Preto vai ficar com pouco mais de R$ 300 milhões. E ainda vai continuar com o risco de racionamento de água”, avaliou.
Maquiavel
Claro que a análise não iria parar somente nas finanças do município e nos arrochos que estão por vir aos moradores da cidade. Politicamente, a estratégia é antiga e baseada na obra de Nicolau Maquiavel. “Começa o mandato prejudicando a população e conta com a memória curta do eleitor para se reeleger daqui três anos. O que se esquecem é que quando se mexe no bolso, o eleitor não esquece”, o profissional concluiu a análise.
Bombordo
Corre à boca miúda pelos corredores da Câmara que os vereadores foram avisados que haverá aumento real do IPTU e que não ficaram contentes com a proposta. Dizem até que Bruno Moura (PRD) já ameaçou abandonar a base do governo por não concordar com as propostas que estão sendo enfiadas goela abaixo dos parlamentares. Resta saber agora se ele vai se juntar a esquerda ou se vai ter intelecto suficiente para ser independente.
Homens não choram
Uma cena ganhou especial destaque na sessão da Câmara de terça-feira (2). João Paulo Rillo (PSOL) questionou a interpretação do Regimento Interno e viu a procuradora da Casa ir às lágrimas. A começar pelo fato que desencadeou a cena: os vereadores aprovaram a moção do suplente Fabiano da Atem (PSOL), subscrita por Rillo, que congratulava o Ministério Público por transformar Fábio Marcondes (PL) em réu por injúria racial.
Aprovou
O texto foi votado por aclamação e aprovado pelo plenário. No entanto, Dinho Alahmar (PL), o vereador mais atento ali, decidiu declarar voto contrário e os “maria vai com as outras” se ligaram. O presidente, Luciano Julião (PL), já havia declarado a moção aprovada, mas alegou que, diante do pronunciamento de Dinho, “surgiu dúvida quanto ao resultado da votação”. Não houve dúvida porque já havia sido declarado o resultado final.
Manobra
Em uma manobra de última hora, o presidente pressionou o setor jurídico para derrubar a moção e, em uma análise rasa do Regimento Interno, a moção foi novamente votada e acabou rejeitada. No entanto, Rillo não ficou calado e fez aquela pressão política que consegue desestabilizar qualquer um com menos preparo. E desestabilizou. A servidora do jurídico que estava acompanhando a sessão não aguentou e começou a chorar.
Solidariedade
Visivelmente alterado, Anderson Branco (Novo) partiu em defesa da servidora e acusou Rillo de assédio. O psolista, por sua vez, se defendeu dizendo que questionou o setor jurídico, principalmente a Diretoria Jurídica, cujo responsável é servidor comissionado. Não adiantou. O questionamento que deveria ser interpretado como meramente técnico virou um circo e alguns vereadores fizeram até uma moção de repúdio a Rillo.

Repercussão
Alguns vereadores entenderam que a situação foi pontual e não direcionada à pessoa da servidora que estava em plenário. Estes se recusaram a assinar a tal moção de repúdio. O assunto repercutiu e não faltaram entendidos do Regimento Interno para afirmar que a “revotação” da moção foi manobra política malfeita. “Eu jamais vou perdoar o Julião por me fazer concordar com o Rillo”, disse um ex-membro do Legislativo.
Infeliz
A declaração do secretário de Desenvolvimento Econômico, Mário Welber, sobre a cidade de Olímpia não pegou bem. Em uma entrevista, o jornalista começou fazendo questão de corrigir que o aeroporto internacional não é de Olímpia, é da região metropolitana de Rio Preto. Se tivesse parado por aí, já não estava bom. No entanto, ele resolveu seguir: “Olímpia não sobrevive sem Rio Preto”. Pegou muito mau para todos nós.

Mais fundo
Claro que teve reações de políticos da cidade vizinha que desaprovaram o comportamento de Welber, mas os ânimos ficaram mais exaltados por aqui mesmo, em meio aos oposicionistas. “Eles cancelam o empréstimo para ir buscar água do Rio Grande. E agora? Se faltar água por aqui? Não vão nem poder pensar em ir buscar ali em Olímpia!”, ironizou um opositor ao governo.
Subprefeituras
O anúncio de que serão criadas oito subprefeituras na cidade pegou os vereadores de surpresa. Eles acreditam que fatiar a zeladoria vai ser um prejuízo político. “Não será mais o vereador que vai resolver os problemas. Será o subprefeito. O cara vai ganhar projeção política e voto”, afirmou um parlamentar preocupado com o fatiamento. Por outro lado, o governo avalia colocar militares da reserva nos cargos com salário de até R$ 15,7 mil.
Aos desatentos
Antes de ser noticiado que o prefeito e o vice foram condenados a pagar multas por falas durante a campanha eleitoral do ano passado, começou a circular um vídeo da audiência em que o deputado estadual Itamar Borges (MDB) concordou em pagar multa de R$ 7,5 mil por ter se exaltado naquele período. Notícia velha, de dois meses atrás, que foi usada para tentar abafar que a dupla do Executivo pagou mais de R$ 10,5 mil.
