Cidades
Construtora de Rio Preto criava empresas de fachada em lavagem de dinheiro
Delegado afirma que quatro empresários foram presos em Rio Preto durante a Operação da PF e GAECO; investigação apura esquema bilionário ligado a jogos de azar no Rio de Janeiro
O delegado titular da Delegacia da Polícia Federal de Rio Preto, Alexandre Manoel Gonçalves, afirmou que a investigação da Operação Conexão Rio Preto, deflagrada nesta quarta-feira (29/7), aponta que um grupo investigado instalado na cidade constituiu empresas de fachada para ocultar recursos provenientes, principalmente, da exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro no Estado do Rio de Janeiro.
A empresa investigada no município é especializada na construção de casas de alto padrão e está localizada no bairro Jardim Vista Alegre, em Rio Preto.
Segundo o delegado, a investigação foi conduzida ao longo de mais de cinco anos pela Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). “O objetivo da operação de hoje foi reunir mais provas e documentos que possam justificar a prática criminosa, identificar quem realmente era o grande responsável pela lavagem de dinheiro e os beneficiários dessa lavagem de dinheiro”, afirmou.
Ainda de acordo com Gonçalves, o trabalho investigativo é minucioso e envolve a análise de documentos, informações fiscais e dados bancários. “Vai ser possível identificar documentos e provas para ligar o recurso ilícito que vinha do Rio de Janeiro a quem tinha o controle da gestão das empresas de fachada e quem se beneficiava desses recursos”, disse.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta, a Operação Conexão Rio Preto, com o objetivo de desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro proveniente, principalmente, da exploração de jogos de azar. A investigação identificou a atuação de uma organização criminosa com ramificações em três estados e apontou que um de seus núcleos operava em São José do Rio Preto, em uma construtora.
Ao todo, cerca de 80 policiais federais cumpriram 11 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva nas cidades de São José do Rio Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Campo Grande (MS). A operação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Estadual de Rio Preto.
Segundo a Polícia Federal, a ligação entre o núcleo criminoso do Rio de Janeiro e o grupo de Rio Preto ocorria por meio de empresas de fachada. Conforme explicou o delegado, essas empresas não possuíam atividade econômica definida e eram utilizadas para fornecer máquinas de pagamento, receber recursos ilícitos por meio de transferências via Pix e movimentar dinheiro sem atividade comercial concreta.
Ainda conforme a investigação, o grupo de Rio Preto foi responsável por constituir essas empresas de fachada, utilizadas para ocultar atividades ilícitas e dar aparência de legalidade aos recursos.
“Em Rio Preto, quatro pessoas foram presas vinculadas a essas empresas. São empresários jovens que viram nessa atividade ilícita uma forma de alavancar sua atividade comercial”, afirmou o delegado da PF.
Com base na representação da Polícia Federal, a Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados até o limite de R$ 2,09 bilhões. A medida atinge imóveis, veículos e ativos financeiros identificados ao longo das investigações.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A Gazeta de Rio Preto entrou em contato com a Construtora Nathan Malavasi e aguarda um posicionamento oficial sobre o caso.
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