Cidades
Delegado investiga possível tortura contra rapaz com deficiência na região
Vítima, de 28 anos, chegou à casa do avô coberta de óleo queimado; perícia foi acionada e exame sexológico foi solicitado
A Polícia Civil investiga uma suspeita de tortura e possível violência sexual contra um homem de 28 anos com deficiência intelectual grave, em Nova Granada, a 35 km de Rio Preto. O rapaz chegou à casa do avô, na tarde de sábado (24/10), com o corpo e a cabeça cobertos de óleo queimado. O caso foi registrado nesta segunda-feira (26), e a investigação é conduzida pelo delegado Antonio Honório do Nascimento, chefe da Delegacia de Polícia da cidade.
Segundo o boletim de ocorrência, o avô acionou o serviço de emergência após perceber as condições em que o neto havia retornado para casa, por volta das 17h30. O rapaz tem autismo, dificuldades de comunicação e poucas falas.
A Polícia Militar foi acionada pelo Copom e encontrou a vítima no pronto atendimento municipal. Conforme o registro policial, o paciente estava completamente encharcado de óleo diesel queimado, inclusive na cabeça. O médico responsável pelo atendimento informou que, naquele momento, não havia sinais aparentes de agressão física nem queixas de dor. O rapaz permaneceu sob observação e passou por procedimento de lavagem corporal.
Vítima apontou possível local do crime
Após tomar conhecimento do caso, investigadores do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia de Nova Granada iniciaram diligências para esclarecer o que aconteceu. Aos policiais, o avô relatou que, apesar das limitações de comunicação do neto, ele conseguiu indicar o local onde teria sido coberto de óleo. A vítima também teria apontado um homem alto como responsável pelo episódio.
Os investigadores ouviram ainda um casal proprietário de uma mercearia no Jardim Rezende, estabelecimento frequentado pelo rapaz.
Segundo as testemunhas, na tarde de sábado, a vítima apareceu no comércio com o corpo inteiramente coberto de óleo. Ao ser questionada por uma das testemunhas sobre quem havia feito aquilo, teria respondido que foi o “homem do trator”.
Conforme o relato registrado pela Polícia Civil, o rapaz indicou que o homem o teria derrubado e jogado óleo sobre seu corpo. Ao ser questionado sobre onde os fatos ocorreram, apontou a portaria em construção do Residencial Amábile, localizada na Rua Walter Aparecido Naleto, no prolongamento da Rua Francisco dos Santos, nas proximidades do Jardim Rezende e da mercearia.
Cueca encontrada nas proximidades
Durante a conversa com os investigadores, uma das testemunhas relatou ter percebido que a vítima estava sem cueca. Questionado sobre a roupa íntima, o rapaz teria dito que o homem apontado por ele havia retirado a peça. Diante das informações, os policiais foram até a portaria do Residencial Amábile, que está em construção. Os portões estavam trancados.
Na vistoria preliminar, a equipe encontrou vestígios de substância oleosa nas paredes e em um cômodo com grande quantidade de óleo derramado. Também foram observadas diversas marcas de mãos nas superfícies.
Nas proximidades, havia uma carreta-tanque utilizada para transporte ou armazenamento de óleo e um tambor metálico com água e marcas de substância oleosa. Os investigadores levantaram a hipótese de que a vítima possa ter tentado limpar o próprio corpo utilizando o recipiente.
Uma cueca verde também foi encontrada caída no chão. No local, os policiais localizaram outras peças de roupa e um par de botas aparentemente abandonados havia mais tempo. Até o momento do registro, não havia elementos que permitissem relacionar esses objetos aos fatos investigados.
Perícia e exame sexológico
A Polícia Civil acionou a equipe de Perícia Criminal de Rio Preto para examinar o local e documentar os vestígios encontrados.
Além disso, foi requisitado um exame sexológico para verificar a possibilidade de violência sexual, considerando o relato de que a roupa íntima da vítima teria sido retirada por outra pessoa. A medida foi adotada por cautela e não representa, por si só, a confirmação de que houve abuso sexual.
O boletim de ocorrência registra, entre as naturezas criminais inicialmente consideradas, os crimes de perigo para a vida ou saúde de outra pessoa, tortura, lesão corporal, discriminação contra pessoa com deficiência e estupro de vulnerável.
A investigação busca identificar, qualificar e localizar o homem mencionado pela vítima, além de esclarecer a dinâmica dos fatos e verificar se houve a prática de outros crimes. Até a conclusão das diligências, a autoria e as circunstâncias do episódio permanecem sob investigação.
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