Saúde
Dietas e saúde cardiovascular: o que a ciência recomenda
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel
Ao longo dos séculos, a observação empírica ajudou o ser humano a perceber quais alimentos favorecem a saúde cardiovascular. Com o avanço da ciência, surgiram evidências robustas ligando hábitos alimentares aos riscos de doenças como infarto e AVC. Isso permitiu o desenvolvimento de modelos de dieta que vão além dos alimentos, considerando fatores culturais, geográficos e socioeconômicos.
Estudos recentes, como o do grupo OPERA, na Itália, identificaram propriedades alimentares importantes para um coração saudável. Reduzir em 20 a 25% o consumo de carboidratos simples por ao menos seis meses melhora a pressão arterial, o colesterol e o controle de peso. A ingestão frequente de gorduras saturadas eleva o colesterol LDL e o risco de obstruções vasculares, além de prejudicar a ação da insulina. O consumo diário de açúcar refinado acima de 5 g aumenta em até 15% o risco de obesidade e eleva os triglicerídeos.
Por outro lado, a ingestão de fibras, ômega-3, antocianinas e vitaminas C e E mostra benefícios expressivos. Fibras reduzem em até 22% o risco de doenças cardiovasculares, enquanto ômega-3 e antocianinas ajudam a controlar colesterol, triglicerídeos, pressão arterial e inflamações nos vasos.
Quatro modelos de dieta ganham destaque:
- Mediterrânea: rica em frutas vermelhas, vegetais, grãos, peixes e azeite, e com baixo consumo de carnes vermelhas e açúcares. É amplamente recomendada por sociedades cardiológicas internacionais.
- DASH: com foco na redução do sal, contribui especialmente para o controle da hipertensão.
- Vegetariana: embora não seja indicada universalmente, pode reduzir até 30% dos eventos cardiovasculares, desde que acompanhada de orientação nutricional adequada.
- Cetogênica: com alto teor de gorduras e baixo de carboidratos, mostra resultados iniciais promissores na perda de peso e no perfil lipídico, mas seus efeitos podem ser temporários.
Embora exista uma variedade de dietas benéficas, nenhuma delas funciona isoladamente. A melhor escolha depende de fatores individuais, familiares e culturais. A dieta mediterrânea se destaca como o modelo mais equilibrado e eficaz, mas precisa ser adaptada à realidade de cada pessoa, mantendo seus princípios básicos. O essencial é ter uma alimentação consciente, com equilíbrio e orientação profissional, buscando não apenas longevidade, mas também qualidade de vida cardiovascular.
Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel. Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.
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