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Empresário afirma à CPI das Terceirizadas que pode ter sido vítima de fraude interna

Proprietário da GF Prestação de Serviços revelou irregularidades e cobrou apoio da Câmara para evitar colapso nos contratos

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Divulgação/TV Câmara
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O empresário Gilmar Ferreira da Silva, dono da GF Prestação de Serviços LTDA, afirmou nesta terça-feira (15), durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Terceirizadas da Câmara de Rio Preto, que sua empresa pode ter sido alvo de fraudes internas. A GF emprega cerca de 1,6 mil funcionários e mantém sete contratos com a Prefeitura, que somam quase R$ 35 milhões para o exercício de 2025.

Segundo Gilmar, uma auditoria interna realizada no início deste ano identificou a presença de “funcionários fantasmas” na folha de pagamento. “No começo eram dois, mas já chegamos a 23. Estamos finalizando a apuração”, afirmou. Ele garantiu que o esquema não afetou diretamente os cofres públicos, pois a lista enviada à Prefeitura estava correta, mas foi alterada ao ser repassada à contabilidade da empresa.

O depoimento de Gilmar à CPI — presidida pelo vereador João Paulo Rillo (Psol), com Jorge Menezes (PSD) como relator, Abner Tofanelli (PSB) como membro e Pedro Roberto (Republicanos) como suplente — se concentrou em uma série de dificuldades enfrentadas pela empresa, como atrasos em repasses, desequilíbrio contratual e a greve dos terceirizados registrada em junho.

Um dos principais problemas, segundo o empresário, foi a ausência de repasses referentes ao dissídio dos funcionários. “Estamos pagando o reajuste desde janeiro e até hoje não recebemos um real”, afirmou. Ele também criticou o fim da Certidão Negativa de Débitos da empresa, o que teria levado à suspensão de pagamentos da Prefeitura e atrasado salários. Gilmar diz que a mudança cadastral foi feita para habilitar a GF em novos editais e classificou o cancelamento da certidão como “arbitrário”.

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Outra queixa foi a exigência da Prefeitura para repasses diretos aos funcionários, com conta corrente ou poupança — sendo que, segundo ele, todos os trabalhadores da GF possuem apenas conta salário. “Autorizamos os pagamentos e enviamos diversos e-mails, mas não obtivemos resposta”, completou.

O empresário ainda alertou para os impactos da não renovação dos contratos em vigor, que estão prestes a vencer. “A empresa trabalha com planejamento mínimo de três anos. Não dá para rescindir com 700 ou 1,6 mil funcionários de uma vez. Se romper tudo, não há como pagar o dissídio”, disse, pedindo que os vereadores intercedam para um encerramento escalonado.

Gilmar também apontou dificuldades operacionais causadas por ausências frequentes de funcionários com atestados médicos. “A quantidade é desumana. Já autorizei a contratação de 50 coberturistas, mas nem 100 dão conta”, disse. Ele relatou ainda que diretores de escolas e fiscais costumam solicitar demissões ou trocas de terceirizados, o que agrava a instabilidade.

Durante a pandemia, em 2020, o empresário afirmou ter bancado do próprio caixa cerca de R$ 2 milhões em salários de funcionários impedidos de trabalhar, sem receber o repasse correspondente da Prefeitura. “Não somos uma empresa de fundo de quintal. Jamais quero sair da cidade deixando portas fechadas.”

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Deliberações

Diante das denúncias, a CPI decidiu solicitar formalmente à GF o envio da auditoria interna com os nomes dos envolvidos nas fraudes, os pedidos de reequilíbrio financeiro, os aditivos contratuais protocolados e os comprovantes de pagamentos não efetuados durante a pandemia.

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