Saúde
Você conhece seu relógio biológico?
Artigo escrito pelo Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel
O corpo humano funciona segundo um ritmo biológico próprio, conhecido como ritmo circadiano. Ele organiza nossas funções ao longo das 24 horas do dia e sofre influência de fatores como luz, temperatura, umidade e, principalmente, da nossa genética. Por isso, embora sigam o mesmo padrão geral, as pessoas apresentam diferenças individuais no horário em que dormem melhor, produzem mais, treinam com mais eficiência ou têm mais disposição.
Essas diferenças ficam evidentes em situações comuns, como a preferência por acordar antes do amanhecer ou por estender o dia até tarde. Também aparecem com força nas viagens internacionais, quando o fuso horário exige que o corpo “reprograme” seu relógio interno. Ignorar esse ritmo e forçar o organismo a funcionar fora dele pode comprometer o desempenho físico, a produtividade e até o bem-estar mental.
A prática esportiva é um dos pontos em que esse alinhamento se faz mais necessário. Exercícios exigem energia, adaptação metabólica e recuperação adequada. Quando a rotina de treinos não respeita o relógio biológico, aumenta-se o risco de lesões e queda de desempenho. Isso é especialmente perceptível em mulheres durante o ciclo menstrual, quando há flutuações hormonais intensas, e em profissionais que trabalham à noite, lidam com estresse, dormem mal e ainda tentam manter treinos de alta intensidade ao amanhecer.
Nos últimos anos, o conceito de cronotipo ganhou relevância. Ele divide as pessoas em três grupos: diurnas, que dormem e acordam cedo e rendem mais pela manhã; noturnas, que precisam estender o sono até mais tarde e costumam ter hábitos irregulares; e intermediárias, que apresentam maior flexibilidade. Respeitar esse perfil individual é fundamental para escolher o melhor horário de treinar e evitar desgaste excessivo.
Ignorar o cronotipo pode inclusive afetar o cérebro. A desregulação do ritmo biológico sobrecarrega células chamadas microglia, que passam a produzir substâncias inflamatórias, prejudicando o processamento de informações e o controle das funções orgânicas envolvidas no exercício. Em resposta ao cansaço constante, algumas pessoas recorrem a estimulantes ou substâncias ilícitas para tentar “ajustar” o corpo, o que representa riscos sérios para a saúde mental e cardiovascular.
O alinhamento entre exercício e ritmo biológico, defendido por especialistas, não é apenas uma questão de conforto. Ele envolve sono de qualidade, equilíbrio hormonal, alimentação adequada, recuperação muscular e até variações do ciclo menstrual. Atividade física é essencial, mas precisa seguir o compasso do relógio interno de cada pessoa. Quando esse relógio está desajustado, apoio médico e psicológico pode ser indispensável para devolver harmonia ao organismo.
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