Esportes
Presidente do Rio Preto lamenta decisão sobre regionalização do Paulistão A3
Dirigente aponta contradição entre dificuldades financeiras dos clubes e rejeição à proposta de economia
A proposta recebeu apenas cinco votos favoráveis, de Rio Preto, Itapirense, Francana, Rio Branco e Bandeirante de Birigui, contra 11 manifestações contrárias. O resultado provocou críticas do dirigente rio-pretense, que considera contraditória a decisão diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelas equipes.
“Infelizmente, mais uma vez, a regionalização tão pretendida e defendida por nós, em nome da economia para todos os clubes, não alcançou o número mínimo de aprovações. Entendo e respeito essa decisão, mas vejo uma contradição por parte daqueles que não votaram a favor”, afirmou Rodrigues.
Para dimensionar o impacto financeiro, o presidente apresentou números da participação do Rio Preto na última edição. Segundo ele, o clube percorreu mais de seis mil quilômetros durante a competição, acumulando despesas expressivas com transporte e hospedagem.
Em uma simulação com a divisão regional, esse percurso cairia para aproximadamente 2.100 quilômetros, uma redução de 65%, além da possibilidade de realizar a maioria dos deslocamentos no sistema de bate e volta, sem necessidade de hotéis.
“Os números não mentem. No campeonato passado, o Rio Preto gastou uma pequena fortuna com locomoção e hotéis. Com a regionalização, percorreríamos somente 2.100 quilômetros, com jogos próximos e sem despesas com hospedagem”, destacou.
Dirigente vê contradição entre discurso e votação
José Eduardo Rodrigues também demonstrou preocupação com o cenário financeiro do futebol paulista em 2027. Segundo ele, durante a reunião, representantes da Federação alertaram para dificuldades econômicas e questões jurídicas que podem afetar a próxima temporada.
O dirigente relatou que a falta de recursos foi uma das principais preocupações apresentadas pelos clubes, o que, em sua avaliação, torna ainda mais difícil compreender a rejeição de uma proposta voltada justamente à redução de despesas.
“É uma incoerência reclamar da falta de recursos e, ao mesmo tempo, optar por um campeonato em que todos vão viajar mais e gastar mais”, criticou.
Rodrigues contou ainda que o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, chegou a fazer uma observação bem-humorada diante das reclamações financeiras dos participantes, afirmando que a discussão parecia envolver a organização de um campeonato de ricos.
Além da regionalização, o Rio Preto defendeu outras medidas de contenção de gastos, entre elas a redução de encargos, a isenção das taxas de inscrição de atletas e a revisão de funções consideradas sobrepostas na organização das partidas, como delegado e gerente de jogo.
De acordo com Rodrigues, a Federação argumentou que uma eventual diminuição dessas despesas poderia impactar os valores das cotas financeiras repassadas aos clubes.
Regionalização dividiria clubes em dois grupos
A proposta defendida pelo Rio Preto previa a divisão dos 16 participantes em dois grupos de oito equipes, organizados de acordo com a localização geográfica.
No Grupo A estariam Rio Preto, Bandeirante de Birigui, Catanduva, Penapolense, Grêmio Prudente, XV de Jaú, Inter de Bebedouro e Francana.
O Grupo B reuniria EC São Bernardo, São Bento, Itapirense, Paulista de Jundiaí, Rio Claro, União São João, Rio Branco e União Barbarense.
Para o presidente do Jacaré, a medida não comprometeria o equilíbrio técnico da competição. Como argumento, ele citou os clubes promovidos nas últimas temporadas: Votuporanguense e Grêmio Prudente, em 2024; Monte Azul e Sertãozinho, em 2025; e Portuguesa Santista e Marília, em 2026.
Na avaliação de Rodrigues, os resultados demonstram que não existe uma região com superioridade técnica permanente sobre as demais.
“Não existe grupo mais forte ou região mais forte ou mais fraca. Existe, sim, uma disputa menos onerosa para todos”, concluiu.
Paulistão A3 terá fim das disputas por pênaltis
Se a regionalização não avançou, outra mudança importante recebeu aprovação dos clubes: o fim das decisões por pênaltis nas fases eliminatórias.
A partir de 2027, em caso de empate no placar agregado dos confrontos de ida e volta, a classificação ficará com a equipe de melhor campanha geral nas fases anteriores. O critério valerá para quartas de final, semifinais e decisão.
O formato básico do campeonato será mantido, com 16 participantes disputando a primeira fase em turno único, totalizando 15 rodadas. Os oito melhores colocados avançarão ao mata-mata, enquanto os dois últimos serão rebaixados à Série A4.
Nas quartas de final, os confrontos seguirão a classificação da primeira fase. Nas semifinais, haverá novo cruzamento conforme a campanha dos classificados, com o primeiro enfrentando o quarto e o segundo jogando contra o terceiro. As equipes de melhor desempenho terão a vantagem de disputar a segunda partida em casa.
Os dois finalistas garantirão o acesso à Série A2 de 2028.
Rio Preto terá oito jogos em casa na primeira fase
O Rio Preto está entre os oito clubes que terão o direito de disputar oito partidas como mandantes e sete como visitantes na primeira fase. A mesma condição valerá para Grêmio Prudente, São Bento, XV de Jaú, EC São Bernardo, Paulista, Rio Claro e União Barbarense.
Já União São João, Catanduva, Bandeirante de Birigui, Rio Branco, Francana, Itapirense, Penapolense e Inter de Bebedouro terão sete compromissos em casa e oito fora.
A estreia do Paulistão A3 está prevista para 24 de janeiro, enquanto a decisão está programada para 3 de maio. O prazo inicial para inscrição de jogadores terminará em 20 de janeiro, com uma nova janela prevista para a décima rodada.
Para o Rio Preto, que busca retornar à Série A2, o desafio será conciliar competitividade e equilíbrio financeiro em um campeonato que continuará exigindo viagens por diferentes regiões do estado.
Apesar da derrota na votação, José Eduardo Rodrigues mantém a defesa da regionalização como alternativa para tornar a Série A3 mais sustentável, especialmente para clubes do interior que enfrentam limitações orçamentárias e dependem de planejamento rigoroso para disputar a competição.
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