Saúde
Casos de AVC entre jovens e adultos crescem 72% no HB de Rio Preto
Hospital de referência para 104 municípios do Noroeste Paulista atendeu 1.695 pacientes em 2025
O Hospital de Base de Rio Preto registrou aumento de 41,3% nos atendimentos a pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2025. Foram 1.695 casos, contra 1.200 no ano anterior. O crescimento também chama a atenção entre pessoas mais jovens: os registros de AVC isquêmico em pacientes com até 50 anos aumentaram 72,9% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
Entre janeiro e junho do ano passado, o hospital contabilizou 37 casos de AVC isquêmico nessa faixa etária. Nos seis primeiros meses deste ano, o número chegou a 64. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29/10), Dia Mundial do AVC, data que reforça a importância da prevenção e do reconhecimento dos sinais da doença.
O cenário registrado em Rio Preto acompanha uma tendência nacional. Segundo informações da Rede Brasil AVC, os casos da doença entre pessoas de 18 a 45 anos cresceram mais de 20% no Brasil nos últimos cinco anos. Mudanças no estilo de vida e o avanço de doenças crônicas estão entre os fatores relacionados ao aumento.
Referência no atendimento de pacientes de 104 municípios do Noroeste Paulista, o Hospital de Base conta com estrutura especializada para o tratamento da doença. A instituição possui a certificação internacional WSO Angels Awards, no nível Diamante, concedida em reconhecimento à qualidade dos serviços prestados no atendimento a pacientes com AVC.
Doença também atinge pessoas mais jovens
Apesar de ser frequentemente relacionada ao envelhecimento, a doença também pode atingir adultos jovens. Hipertensão, colesterol elevado, sedentarismo e alimentação inadequada estão entre os principais fatores de risco.
De acordo com a neurologista Mariana Neves Marques Battaglini, coordenadora da Unidade de AVC do HB, não é incomum que o primeiro episódio da doença leve à descoberta de problemas de saúde que ainda não haviam sido diagnosticados.
“É comum que, no primeiro episódio de AVC, sejam diagnosticadas hipertensão ou alterações no colesterol que ainda não haviam sido identificadas”, explica.
A médica também aponta outras possíveis causas, como a dissecção das artérias carótidas e vertebrais, alterações cardíacas, entre elas o forame oval patente, e arritmias. Em pessoas com predisposição, o consumo de substâncias estimulantes, como energéticos e suplementos pré-treino, também exige atenção, pois pode favorecer alterações no ritmo cardíaco.
Para reduzir os riscos, a recomendação é controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, não fumar e realizar acompanhamento médico.
Tempo de atendimento influencia recuperação
A rapidez no diagnóstico e no início do tratamento é determinante para reduzir as consequências do AVC. No Hospital de Base, protocolos específicos estabelecem que pacientes com suspeita da doença sejam avaliados por um neurologista em até dez minutos após a chegada à unidade. Os exames de imagem são realizados em aproximadamente 25 minutos, conforme indicadores institucionais.
A estrutura disponível inclui Unidade de AVC, tomografia computadorizada com perfusão cerebral e serviço de angiografia e hemodinâmica, que permite a realização de procedimentos endovasculares. O atendimento conta com equipe multidisciplinar, desde a avaliação de emergência até as primeiras etapas da recuperação.
Tratamentos variam conforme o tipo de AVC
O AVC pode ser isquêmico, quando ocorre a obstrução de uma artéria que leva sangue ao cérebro, ou hemorrágico, quando há o rompimento de um vaso sanguíneo e sangramento. Aproximadamente 85% dos episódios são do tipo isquêmico.
Embora os sintomas possam ser semelhantes, a identificação do tipo de ocorrência depende de avaliação médica e exames de imagem, que orientam a escolha do tratamento.
Nos casos isquêmicos, pacientes que atendem aos critérios médicos podem receber trombólise intravenosa, tratamento que busca dissolver o coágulo e geralmente deve ser realizado em até quatro horas e meia após o início dos sintomas.
Outra possibilidade é a trombectomia mecânica, procedimento no qual o coágulo é retirado por meio de cateteres. Em situações selecionadas, a intervenção pode ser realizada em até 24 horas, de acordo com os critérios clínicos e os resultados dos exames de imagem.
Já no AVC hemorrágico, o tratamento tem como objetivo controlar o sangramento e impedir sua expansão. A conduta pode envolver medicamentos, procedimentos endovasculares ou cirurgia, conforme a causa e a gravidade do quadro.
A neurorradiologista intervencionista do HB, Raquel Hidalgo, ressalta que a avaliação em tempo adequado é fundamental para definir o tratamento e aumentar as possibilidades de recuperação.
Identificação dos sintomas é fundamental
Os sinais de um AVC costumam aparecer repentinamente. Entre os principais estão:
Assimetria facial: boca torta ou um dos lados do rosto caído;
Fraqueza em um lado do corpo: dificuldade para movimentar um braço ou uma perna;
Alterações na fala: dificuldade para falar ou compreender o que outras pessoas dizem;
Alterações visuais: perda súbita da visão;
Perda de equilíbrio: tontura repentina ou dificuldade para caminhar;
Dor de cabeça súbita e intensa, especialmente quando acompanhada de outros sintomas neurológicos.
Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. Não se deve esperar que os sintomas desapareçam nem administrar medicamentos por conta própria.
Além do atendimento de emergência, a reabilitação e o controle dos fatores de risco são etapas importantes para favorecer a recuperação dos pacientes e evitar novos episódios.
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