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As eleições e a nossa responsabilidade
Artigo escrito por Roberto Lima
Estamos a poucos dias daquelas que serão, provavelmente, as mais importantes eleições da história recente do Brasil. A operação Lava-Jato mudou o cenário das disputas “mais-do-mesmo” a que estávamos habituados. Políticos presos, políticos denunciados, nomes graúdos da velha e suja política brasileira, encarcerados, e uma população muito mais conscientizada e aguçada nos desdobramentos das investigações são alguns dos saldos muito positivos desse novo Brasil que vai às urnas na próxima semana. O mais importante de todo esse processo de limpeza a que a Lava-Jato nos impôs, foi, juntamente com a exposição e punição da corrupção, o aumento do nível de conscientização e politização da sociedade. Vejo com bons olhos o debate em torno dos candidatos, as reflexões em torno de direita e esquerda, as declarações públicas, em redes sociais, sobre esse ou aquele candidato e linhas de pensamentos. Esse é o bom fruto da democracia. A conversa aberta, franca, informativa, balizadora e formadora de opinião. Mas, sempre há o “mas”. Em meio a todo esse excelente debate de uma sociedade emergente do poço de corrupção e mazelas sociais em que nos encontrávamos afogados, existem os extremos, os excessos e as deformidades morais e éticas. Talvez seja natural, de tudo isso que vivemos até aqui, essa polarização de ideias, valores e opiniões. O que não é natural, e na minha opinião, nunca será, é a falta de respeito, a ofensa, a calúnia, as inverdades, as mentiras, as notas grosseiras, as frases impensadas e o efeito manada de fatos ocultos, sem confirmação, nem veracidade. Isso, em nada contribui para o nosso progresso como seres humanos, como seres politizados, como pessoas do bem. A ideia de que a politica é um vale-tudo já está ultrapassada, enterrada. É um conceito amoral, arcaico, cheio de irresponsabilidades. A política é um bem, e não um mal. Ela pode servir a muitos, a toda uma Nação. Ela pode ser conduzida com sobriedade, justiça e generosidade. Não pode ser usada para fins escusos. Pelo menos, não deveria. Temos muito o que avaliar para os próximos dias. Dias que definirão o nosso futuro. Não é possível jogarmos fora essa oportunidade gigante. O futuro é apenas, e tão somente, o resultado do nosso presente. E, um bom exercício para sermos melhores, mais éticos e humanos, é começar pelo nível dos debates entre nós, eleitores. Entre nós, amigos das redes sociais. Entre nós, da mesma família. Respeito, amizade e delicadeza. Sempre.
Roberto Lima Filho
Doutor em Ortodontia pela UFRJ
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