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Cirurgias de epilepsia em crianças crescem 440% em Rio Preto

Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce no Dia Internacional da Epilepsia

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Reprodução/imagem ilustrativa/Pixabay

Nesta segunda-feira (9/2), quando é celebrado o Dia Internacional da Epilepsia, dados do Hospital da Criança e Maternidade (HCM), em Rio Preto, chamam a atenção para o avanço no tratamento da doença: o número de cirurgias realizadas em crianças com epilepsia aumentou 440% em quatro anos. Em 2021, foram quatro procedimentos; em 2024, o total chegou a 27.

A epilepsia é uma condição neurológica crônica que afeta cerca de 3 milhões de brasileiros, muitos deles ainda na infância. Em Rio Preto, o HCM e o Hospital de Base integram o complexo Funfarme, considerado referência nacional no diagnóstico e no tratamento clínico e cirúrgico da doença.

Caracterizada por crises recorrentes provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro, a epilepsia pode se manifestar de formas variadas. “As manifestações vão desde episódios breves de ausência até convulsões generalizadas, com perda de consciência e movimentos involuntários”, explica a neurologista Dra. Lúcia Helena Neves Marques, coordenadora do Centro de Cirurgia de Epilepsia do Hospital de Base. Segundo ela, os sintomas costumam surgir de forma abrupta e intermitente.

O aumento de casos em crianças tem impulsionado tanto o volume de atendimentos quanto a realização de procedimentos cirúrgicos. O tema, inclusive, estará entre os destaques do 5º Simpósio de Epilepsia, que será realizado em maio, em Rio Preto, e deve reunir especialistas de várias regiões do Estado.

Para o neurocirurgião pediátrico Gustavo Botelho Sampaio, do HCM, reconhecer os sinais da doença o quanto antes faz diferença no sucesso do tratamento.

“É fundamental procurar atendimento médico diante da primeira crise, de episódios repetidos, desmaios sem causa aparente ou alterações súbitas do comportamento e da consciência”, afirma. Ele ressalta que o diagnóstico precoce ajuda a reduzir riscos, complicações e impactos na vida escolar e social da criança.

Entre os sintomas mais comuns estão convulsões, perda súbita da consciência, quedas repentinas, olhar fixo, movimentos involuntários repetitivos e confusão mental após as crises. Em muitos casos, os episódios duram poucos segundos ou minutos, mas podem deixar o paciente sonolento ou desorientado.

De acordo com os especialistas, cerca de 70% das pessoas com epilepsia conseguem controlar as crises com medicamentos. Já os outros 30% apresentam formas consideradas resistentes ao tratamento clínico. “Nessas situações, é necessária uma avaliação mais detalhada para indicação de cirurgia ou de técnicas de neuromodulação”, explica o neurocirurgião funcional Carlos Rocha.

O centro especializado de Rio Preto realiza procedimentos de alta complexidade, como cirurgias ressectivas e métodos de estimulação cerebral, após uma investigação detalhada da área do cérebro responsável pelas crises. “O objetivo é reduzir ou eliminar as crises, sempre avaliando cuidadosamente os riscos e possíveis impactos cognitivos”, destaca Rocha.

Além do tratamento, os médicos também reforçam a importância da prevenção. Traumatismos cranianos, acidentes de trânsito, infecções do sistema nervoso central, AVC e complicações no parto estão entre os principais fatores de risco. “Medidas simples, como uso de cinto de segurança, capacete e acompanhamento médico adequado, contribuem para diminuir a incidência da doença”, pontua Dra. Lúcia Helena.

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