Cultura
‘Cringe’: nova expressão que envolve gerações Z e millennials viraliza na internet; entenda
Especialista em conteúdo estratégico comenta velocidade com que o termo, criado pela geração Z, para se referir aos nascidos entre os anos 80 e 90, viralizou na internet
Na última semana a internet ganhou um novo meme e a geração Z – ou ‘GenZ’, ou ainda ‘pós-millennials’, nascida entre 1995 e 2010, adotou uma nova gíria para se referir à geração Y, nascida entre os anos 1980 e 1990, agora considerada (pelos GenZ) antiquada.
Cringe – a palavra curiosa viralizou após a podcaster Carol Rocha publicar um Twitter perguntando o que a atual geração considera um “mico” – expressão usada nos anos 90 para explicar algum tipo de vergonha.
“Por favor, jovens da geração z, me contem o que vocês acham um mico nos millennials (acho que falar mico já passou, é cringe né)”, escreveu a podcaster.
Após isso, uma onda de memes, testes e até reflexões surgiram para discutir o termo de origem inglesa, usado para se referir a situações constrangedoras e desconfortáveis.
Para o especialista em conteúdo estratégico e CEO da agência Allfluence, Pedro Valério, a viralização da palavra mostra o poder que a internet e as redes sociais tem na sociedade atual.
“A gente tem os jovens hoje, a geração Z, criando muito conteúdo, tendo toda a noção das novas tecnologias, diferente de nós, os millennials. Eu sou um millennium também, mas completamente conectado na internet. Isso surge muito rápido porque na internet nada se cria, tudo se cocria ou se copia. Então, quando surge algum post como o da Carol Rocha, as pessoas veem que isso dá audiência e começam replicar em suas páginas, criar conteúdos semelhantes falando sobre esse assunto. Isso faz com que essa palavra viralize muito rápido. Quando eu me identifico na internet com qualquer um tipo de ‘trend’, assunto, ou palavra que deu certo para uma pessoa, automaticamente eu recrio aquele assunto com outras palavras, recrio com a minha visão sobre aquilo. Mas é interessante ver esse movimento onde você tem o poder de botar o assunto na mesa e ele virar uma grande sensação”, explica.
“Cringe com orgulho”
Nas redes sociais, o barbeiro de Rio Preto, Valmir Mandeli, de 47 anos, usou a internet para “revidar” a gíria. Bem-humorado, Mandeli fez uma crítica ao termo usado pela geração Z.
“O novo sempre vem, lógico. Mas nunca vamos conseguir acompanhar tudo. Eu levo isso como uma brincadeira tonta, pejorativa, mas meu post foi justamente para brincar com isso mesmo: eu tenho orgulho de estar onde estou hoje e se eu conheço muita coisa hoje é porque eu vivi essas coisas. Essa geração após a minha nunca vai vivenciar tudo o que eu vivi e as experiências deles serão outras e ok, também. Mas acho que cada um tem que estar na sua e no seu tempo e rotular fica feio. Foi uma crítica bem-humorada – sou cringe mesmo com orgulho”, disse.
O barbeiro também citou a música “Velha Roupa Colorida”, de Elis Regina, que diz “você não sente, não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo. Que uma nova mudança em breve vai acontecer. O que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo e precisamos todos rejuvenescer”.
“O novo deles daqui 10 anos é o velho de novo e eles vão estar apegados a isso também, eles serão os cringes”, finalizou.
