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Filmes para ver em casa enquanto o CineSesc está fechado

Seguindo as medidas de segurança durante a crise da Covid-19, o CineSesc está com sua programação presencial temporariamente suspensa

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Seguindo as medidas de segurança durante a crise da Covid-19, o CineSesc está com sua programação presencial temporariamente suspensa. Mas para continuarmos conectados com o melhor do cinema, listamos cinco títulos que estão disponíveis em diversas plataformas de streaming para você ver, rever e indicar aos amigos.

A começar pelos serviços gratuitos que estão disponíveis para assistir, indicamos a Spcine Play e o Belas Artes À La Carte (este com conteúdo aberto somente até o dia 29 de abril) e o Festival É Tudo Verdade, que adiou sua edição presencial para setembro, mas manteve sua programação online que pode ser gratuitamente assistida nas plataformas parceiras. E a lista de indicações contemplou também filmes dos serviços pagos como a Netflix e a Amazon (cujo primeiro mês de assinatura é gratuito).

Faça a sua listinha e aproveite!

1. UMA MULHER É UMA MULHER
Belas Artes À La Carte

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De todas as fases da carreira do grande Jean-Luc Godard, sem dúvida a primeira, do início da nouvelle vague francesa, rendeu os filmes mais leves e divertidos. E entre estes, o mais divertido de todos é Uma Mulher é uma Mulher, seu terceiro longa, um libelo feminista rodado em 1961 – até onde, claro, um libelo feminista podia ser rodado por um homem.

A história é simples: Angela (Anna Karina, musa e companheira de Godard na época) quer muito ter um filho e decide que vai conseguir isso em 24 horas. Mas seu namorado, Émile, não está com tanta pressa. Pra completar o triângulo amoroso típico dos bons filmes franceses, Alfred, amigo de Émile, tem um crush antigo por Angela e num dado momento se oferece para ajudá-la na tarefa. O que poderia ser um dramalhão vira nas mãos de Godard uma comédia deliciosa com diálogos inteligentes e alguns números musicais dignos de Hollywood.

A melhor notícia: o filme está disponível gratuitamente na plataforma do Belas Artes, que abriu todo o seu conteúdo para não assinantes até dia 29 de abril por conta da crise do coronavírus.

2. WOMEN MAKE FILMS: UM NOVO ROAD MOVIE ATRAVÉS DO CINEMA
Festival É Tudo Verdade

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O documentário, na verdade uma série de 14 horas, traça um painel do trabalho de cineastas mulheres que ajudaram a construir a história do cinema. Dirigida por Mark Cousins, a série não segue um roteiro cronológico, mas traz perfis de diretoras e de seus filmes, além de ser narrada por nomes como Tilda Swinton, Jane Fonda, Thandie Newton, Kerry Fox, Debra Winger e Sharmila Tagore e Adjoa Andoh.

Como o diretor afirma, o cineasta é mais uma voz na revolução e o filme é um agente de afirmação e devoção às nossas ancestrais do cinema. Ao longo dos episódios, mais de mil trechos de filmes são exibidos e ilustram o passeio pelo trabalho de 183 diretoras e por diversos aspectos do cinema. Women Make Film é uma longa jornada pelo trabalho de grandes diretoras e seus ofícios, da criação de diálogos aos gêneros cinematográficos, passando pela montagem, estilos e forma com que retratam os corpos, o sexo e temas como política, religião, trabalho, sociedade, além do amor, morte, música, dança, entre outros. Imperdível para quem quer descobrir ou revisitar o legado de grandes mestras do cinema.

3. OKJA
Netflix

Gostou de Parasita, o filme coreano que venceu o Oscar de melhor filme este ano? Pois o filme anterior do diretor, Okja, pode ser visto na Netflix. Uma mistura maluca de aventura e ficção científica com momentos de drama, é a história de Mija, uma garotinha que cria por dez anos um porco gigante nunca visto antes.

O que ela não sabe é que esse porco, Okja, foi o resultado de um experimento científico feito por uma multinacional dos alimentos – e a toda-poderosa desse conglomerado (Tilda Swinton) manda capturar Okja e levá-lo para Nova York. Mia vai atrás pra defender seu “pet” e no caminho enfrenta executivos capitalistas, consumidores, ativistas e tudo o mais para salvar a vida do porcão. Outra opção do diretor na plataforma é O Hospedeiro (2006), igualmente interessante tanto pela abordagem extraordinária da narrativa quanto pelo tema sempre político de seus filmes.

4. O BOTÃO DE PÉROLA
Gratuito no Spcine Play

Um dos documentaristas mais respeitados do mundo, Patricio Guzmán é dono de uma obra autoral e, ao mesmo tempo, comprometida com as questões políticas e sociais de seu tempo. Nos anos 1970, filmou a trilogia A Batalha do Chile, que registrou a agitação social e política do Chile antes e logo após o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende. Não por acaso, a obra ocupa o 19. lugar na lista dos 100 melhores documentários do mundo. Em 2010, 35 anos depois do primeiro episódio de A Batalha do Chile, o diretor iniciou uma nova trilogia e se voltou ao tema dos crimes e dos desaparecidos da ditadura de Augusto Pinochet com Nostalgia da Luz (que conquistou o 12o lugar da mesma lista dos 100 melhores documentários da história).

Cinco anos depois, nascia O Botão de Pérola. Complementar a Nostalgia, o longa investiga as raízes da brutalidade colonialista que formou a América Latina e que também deu o tom às atrocidades cometidas durante as ditaduras no continente. Guzman constrói um ensaio visual deslumbrante, narrado com delicadeza e calma pelo próprio cineasta, e, com liberdade poética e criativa, nos faz viajar pela história e pelas grandes questões humanas.

5. MILES DAVIS: BIRTH OF COOL
Netflix

Este não é nem o primeiro e certamente não será o último filme sobre um dos maiores gênios da história da música. No entanto, Miles Davis: Birth of Cool é certamente um dos mais notáveis tanto por sua ética quanto estética. Uma das opções formais que contribuem muito para a qualidade da narrativa é o fato de que o filme traz declarações do trompetista em off extraídas de sua biografia, narradas pelo ator Carl Lumbly, que, ao imitar a voz rouca típica do trompetista, nos causa a sensação de ouvir de fato o próprio músico fazer declarações íntimas e importantes sobre sua vida, seu trabalho e seus relacionamentos.
 
Essas intervenções de Davis são entrecortadas com entrevistas de músicos, amigos de infância, filhos, ex-mulheres, historiadores, entre outros nomes, tais como Quincy Jones, Herbie Hancock, Carlos Santana, Ron Carter, Frances Taylor Davis.

Já uma importante opção ética é que o longa, dirigido por Stanley Nelson, refaz a trajetória do músico, reverencia seu talento único, mas não deixa de dar voz às mulheres que sofreram com o temperamento intempestivo e muitas vezes violento de Davis. Ao contrário de tantas cinebiografias que só revelam um único lado mitificado de seu personagem, Birth of the Cool humaniza Davis e, muito por isso, faz com que o espectador entenda melhor a obra do trompetista que revolucionou o jazz. Para isso, o diretor traça sua trajetória desde a infância próspera, mas não livre do racismo, a juventude, os estudos e sua vida profissional, desde o início da carreira nos anos 1940, os seus anos de bebop, a efervescente década de 1960, a revolução dos costumes, além de suas incursões pela música experimental e até mesmo sua dependência química em heroína.

Ao final, quem é apaixonado por Davis e sua música, termina o amando mais ainda. Já quem conhece pouco, aprende que sua obra vai muito além da trilha sonora de Ascensor para o Cadafalso, obra-prima de Louis Malle que não seria a mesma sem o trompete de Davis acompanhando Jeanne Moreau pelas ruas de Paris. É filme para ver, rever e ouvir.

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