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Segurança sob conveniência
Artigo escrito por Roberto Lima Filho é mestre e doutor em Ortodontia pela UFRJ
Certos fatos da vida pública brasileira passam de esdrúxulos. Semana passada, o Brasil todo ficou surpreso ao saber que prédios importantes do governo federal, dentre eles, o Palácio do Planalto, estão sem câmeras de vigilância, de segurança há muitos anos. O Palácio do Planalto – sede da Presidência da República, onde o presidente passa a maior parte do tempo, além dos ministros mais próximos a ele – está sem câmeras internas de segurança desde 2009. Elas foram retiradas durante uma reforma no governo Lula, e nunca mais foram instaladas.
A notícia surpreendente foi dada pelo atual ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen. Sob todos os aspectos, soa inacreditável tamanha falta de lógica. Todos nós sabemos que, de uma maneira geral, infelizmente, a gestão pública no nosso país é ineficiente. Também sabemos que o caminhar dos processos administrativos dos órgãos públicos é lento, moroso, quase parando. Mas daí a um possível esquecimento de retornar com as câmeras para os locais de onde foram retiradas vai além de ineficiência e incompetência. Trata-se, com certeza, de decisão do governo em propositadamente não mais instalar os olhos eletrônicos. Pelo retrato que temos hoje do que foram os governos de Lula e Dilma – um saque aos cofres públicos e a quase destruição da economia nacional – a única conclusão a que se chega é a de que foi conveniente não ter câmeras de vigilância.
Hoje, nos desdobramentos da Operação Lava-Jato, são necessários os registros da movimentação no Palácio do Planalto e nada há o que se mostrar. Tanto que ao ser questionado sobre o pedido do Ministério Público Federal de imagens do Palácio do Planalto, para verificar se a presidente Dilma Rousseff teria tentado obstruir a Operação Lava Jato, o atual ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional respondeu o seguinte: “não tem câmera, então não tem imagem”. Simples assim.
Não há segredos há ocultar quando a transparência dos fatos impera. Não há visitante que não possa ser conhecido da Nação quando os negócios da vida pública são límpidos e corretos. Não há necessidade de ocultar o entra-e-sai quando as intenções são corretas e os interesses comuns do País são tratados com claridade, devoção e respeito. Não há receio de revelações, delações, ataques ou qualquer tentativa de enegrecimento da imagem quando sua postura é afinada com a ética, com a moral e com a Justiça. Enfim, não há medo de flagras quando se trabalha em dignidade de propósitos e verdade.
O capítulo das câmeras de segurança inexistentes no Palácio do Planalto é mais uma triste lição dos anos de escuridão de um governo que não deixará saudades. Segundo declarou o mesmo ministro, uma licitação pública foi aberta para compra de novos equipamentos de segurança. A gente vai ficar de olho para saber se serão instaladas. Gato escaldado tem medo de água fria.
Roberto Lima Filho é mestre e doutor em Ortodontia pela UFRJ
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