Política
Secretária de Educação acusa vereador de agressão verbal
Boletim de ocorrência foi registrado após discussão em reunião pública
A secretária de Educação de Rio Preto, Renata Azevedo, registrou um boletim de ocorrência por agressão verbal e constrangimento contra o vereador Alexandre Montenegro (PL). O episódio ocorreu nesta segunda-feira (9), durante uma reunião no auditório da Prefeitura com vereadores e servidores públicos, em meio à mobilização de trabalhadores terceirizados que denunciam atraso no pagamento de salários.
Segundo a secretária, o vereador a tratou de forma agressiva, bateu na mesa, exigiu contato visual e acusou-a de deboche. Renata relatou que explicou ao parlamentar que possui uma paralisia facial, sequela de um AVC irreversível, o que compromete sua expressão facial.
“Ele disse que eu o estava desrespeitando com o olhar. Mas tenho paralisia no lado esquerdo do rosto. Nunca olhei com desdém para ninguém”, afirmou a secretária.
Renata também declarou que se sentiu “agredida psicologicamente” e intimidada. “Ele me ameaçou dizendo que eu não teria mais paz e que sofreria consequências. Isso ultrapassa os limites da cobrança institucional. Sou mulher, servidora pública e mereço respeito”.
O boletim de ocorrência foi registrado no 1º Distrito Policial.
Vereador nega agressão e diz que agiu como fiscal do povo
Em resposta, o vereador Alexandre Montenegro negou qualquer ofensa à secretária. Afirmou que apenas cobrou explicações sobre a gestão dos contratos com empresas terceirizadas e o não pagamento dos funcionários.
“Eu estava defendendo trabalhadoras que recebem mil reais por mês e estavam sem salário. A secretária mexia no celular enquanto eu falava e balançava a cabeça. Pedi que olhasse para mim. Não houve grito, nem xingamento”, afirmou Montenegro.
O vereador ainda lamentou que ela tenha se sentido ofendida. “Minha cobrança foi pela postura dela na reunião. Se ela se sentiu ofendida, lamento, mas não houve intenção”, disse.
Tensão política em meio à crise na Educação
O conflito acontece em um momento de crise na rede municipal de ensino. A Prefeitura responsabiliza uma empresa terceirizada por inadimplência fiscal, o que, segundo Renata, impediu o repasse direto de recursos. Para evitar a paralisação dos serviços, mais de 100 servidores da Secretaria de Educação foram deslocados para substituir os terceirizados.
Montenegro, por sua vez, afirmou que continuará cobrando a gestão municipal e pretende convocar formalmente a secretária para prestar esclarecimentos na Câmara.
“O meu papel é fiscalizar. Se há falhas na gestão dos contratos, a responsabilidade é da secretaria, e eu vou continuar questionando”, concluiu o vereador.
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