Política
Prefeito quer mudar regra de empréstimo que obriga quitar dívidas com a Caixa
Projeto enviado pelo prefeito Fábio Candido revoga dispositivo que foi um dos principais argumentos para aprovação da operação de crédito na Câmara
Menos de um ano após conseguir autorização da Câmara para contratar um empréstimo de até R$ 650 milhões junto à Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Rio Preto quer mudar uma das principais regras que sustentaram a aprovação da operação de crédito.
O prefeito Fábio Candido (PL) encaminhou aos vereadores um projeto de lei que revoga o trecho da Lei aprovada no ano passado que obrigava a utilização de parte dos recursos para quitar cinco financiamentos antigos firmados com a Caixa entre 2018 e 2023, durante a gestão do ex-prefeito Edinho Araújo (PRD).
A alteração representa uma mudança de rumo em relação ao discurso adotado pelo Executivo durante a tramitação do empréstimo. Na época, a administração argumentou que cerca de R$ 333 milhões do financiamento seriam destinados à liquidação das dívidas existentes com a instituição financeira, enquanto os R$ 317 milhões restantes seriam aplicados em investimentos até o fim do mandato.
Agora, a Prefeitura sustenta que a obrigação perdeu a razão de existir.
Na justificativa encaminhada à Câmara, Fábio Candido afirma que a revogação é necessária para permitir “a utilização do remanescente dos recursos, após a quitação dos empréstimos que comportaram tal medida, notadamente com as atividades de recape cuja licitação já se encontra concluída”.
O texto também afirma que a redação aprovada em 2025 “tendo cumprido o seu papel, não mais atende às necessidades do Município, inviabilizando a utilização dos recursos remanescentes e já liberados, noutras ações de eminente interesse da cidade”.
Apesar da justificativa, o projeto não esclarece quais são essas “outras ações de eminente interesse” que poderão receber os recursos caso a mudança seja aprovada.
A proposta também contrasta com informações divulgadas pela própria administração neste ano. Em maio, a Secretaria Municipal da Fazenda informou que uma das condições para acessar os recursos autorizados pela União era justamente a quitação dos contratos antigos firmados com a Caixa. Na mesma época, a Caixa Econômica Federal explicou que a contratação da operação dependia, entre outros requisitos, da existência de limite anual para operações de crédito do setor público.
Nesta terça-feira (30), entretanto, o governo municipal informou que os contratos antigos serão quitados com garantias da União, dispensando a necessidade de manter a previsão expressa na lei municipal. A Prefeitura, porém, não detalhou de que forma essa mudança altera a engenharia financeira da operação nem por que a revogação passou a ser necessária após a autorização do financiamento.
Em maio deste ano, o Ministério da Fazenda autorizou a contratação da primeira etapa da operação de crédito, no valor de R$ 477 milhões. O restante, correspondente a R$ 173 milhões, ainda aguardava análise do governo federal.
Entre as destinações já anunciadas para os recursos está o contrato de R$ 96,7 milhões firmado com a Constroeste para execução de recapeamento asfáltico, reconstrução de guias, sarjetas e implantação de sinalização viária nas dez macrorregiões da cidade.
Protocolado no dia 30 de junho com pedido de tramitação em regime de urgência, o projeto será analisado pela Câmara na pauta da primeira sessão ordinária de agosto.
A mudança tende a reacender o debate em torno da operação de crédito, que enfrentou resistência de vereadores da oposição durante sua aprovação. Na ocasião, um dos principais argumentos apresentados pelo governo para obter o aval do Legislativo foi justamente a utilização de parte significativa dos recursos para substituir dívidas antigas por um financiamento considerado mais vantajoso. Com a revogação desse dispositivo, a Prefeitura amplia a possibilidade de remanejar os recursos para outras finalidades, sem detalhar, por enquanto, quais investimentos poderão ser contemplados.
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